O sol e as cores vibrantes de Lisboa atraíram logo o estilo divertido de Costanza della Torre e Tasso, fundadora da Fofolles World. A marca foi criada em Londres, onde a empresária viveu por 17 anos. “Fui para fazer a secundária e depois continuei na universidade, onde estudei organização de eventos. Quando me formei, lancei a Fofolles. Fazíamos pop ups em localizações diferentes, por três ou quatro dias a cada mês, em hotéis ou lojas que encontrávamos”, explica ao Observador, sentada num dos sofás do segundo andar da loja, no número 17 do Largo da Trindade, no Chiado, numa manhã quente e ensolarada de agosto.
▲ Costanza imaginou cada detalhe da loja, escolhendo as cores e as peças de decoração
FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR
Ao nosso redor estão todas as cores que fazem deste um mundo à parte — um design de interiores tão vibrante quanto a dona, da cabeça de quem saíram todas as ideias para o espaço. “Queria que a loja representasse um pouco da vibração da cidade. Escolhi as minhas cores preferidas, que são o rosa e o amarelo. E depois que a pintura estava pronta, andei por diferentes lojas de decoração para encontrar as peças que eu achasse que se encaixavam neste universo”, explica. Estão aqui, por exemplo, um espelho perfeito para selfies, um cadeirão clássico e um candeeiro estiloso. Mas o que interessa mesmo está nos charriots: peças de roupas que facilmente estariam nas escolhas das mais fiéis portuguese girlies — Costanza assume que acompanha e admira o estilo de Vicky Montanari: “É muito querida e também parece divertida”.
A localização é parte do chamariz: bem no meio do Chiado, diante de tantas outras concept stores da zona, a loja atrai o público internacional — desde os turistas até os estrangeiros que escolhem a capital portuguesa como casa — pelas cores vivas e pelas peças fora da caixa, como as malas para raquetes de padel e ténis. “Quem entra sempre elogia a loja. Acho que em Lisboa há um mercado muito vibrante e as pessoas gostam de descobrir marcas novas. Decidi experimentar, e estou muito feliz”.
▲ As marcas da loja mudam com frequência. Atualmente as joias da Gas Bijoux e as carteiras da My Style Bags são as mais desejadas.
FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR
A ideia agora é manter-se como uma pop up, mas com localização fixa. “Vamos mudar as marcas com frequência, o que é ótimo para os clientes regulares. Sabem que podem vir todos os meses e encontrar novas peças, novos designers”, explica Costanza, que trabalha com uma seleção internacional, que inclui no momento três marcas portuguesas. “Queria designers locais, especialmente os que não têm um ponto de venda em Portugal e gostariam de testar o mercado”, diz. As escolhidas são as T-shirts da Le Mot, os fatos de banho da Iema e os vestidos da Creamy Studio. Made in Portugal também é a coleção de páreos da própria Fofolles, produzida em fábricas têxteis do norte do País. Contudo, os artigos que mais vendem são as joias da francesa Gas Bijoux e as malas da italiana My Style Bags. Para manter as novidades, a empresária está sempre a procurar parcerias, e assume que o Instagram tem sido uma ferramenta muito útil no seu radar de novas marcas.
Uma nova vida em Lisboa
O interesse pela moda existe desde sempre, conta-nos Costanza, mas floresceu com a criação da marca. “O comércio online tem sido muito importante, mas eu pessoalmente prefiro ir a uma loja ver e provar uma peça. Então pensei que esta seria uma ótima oportunidade para as marcas testarem o mercado. As marcas podem testar por um tempo, ver como corre, e se correr bem podem abrir as próprias lojas. É baixo risco para elas e ótimo para quem quer descobrir novas marcas”, explica-nos. A curadoria também é a chave do negócio, que reflete o estilo pessoal da fundadora, alegre e colorido. “É por isso que para mim Lisboa, com o sol, é perfeita”.
Aliás, não foi só a Fofolles que veio de Londres nos últimos meses. Também a sua fundadora decidiu viver em Lisboa, uma mudança que é o culminar de um longo processo. Costanza tomou a decisão em outubro de 2024, chegou na cidade em fevereiro e abriu portas ao público em abril. Contudo, a ideia já estava na cabeça da empreendedora há anos. “Os meus pais vivem no Alentejo, então venho com regularidade visitá-los. Já tinha vindo a Lisboa algumas vezes para passear, e gostei muito”, conta.
▲ Costanza della Torre e Tasso decidiu mudar-se para Lisboa em fevereiro, uma cidade que assume ter mais a ver com o seu estilo pessoal.
FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR
Com origem italiana e francesa, Costanza é filha de Carlo Alessandro della Torre e Tasso, duque de Castel Duino, primo em segundo grau do Rei Carlos III. O castelo do século XIV que pertence à família, em Trieste, na Itália, é atualmente um monumento aberto ao público, onde também são realizados eventos e exposições de arte. Das ligações à realeza herdou um título real, apesar de preferir não ser chamada por princesa no dia-a-dia. “Sou Costanza”, diz, de forma simples e sem querer entrar em detalhes sobre a vida nesse círculo. “Cresci neste meio, então para mim é normal”. A nova vida em Lisboa inclui partidas de ténis, visitas aos museus, jantares com amigos por restaurantes na zona do Chiado e Santos, idas à praia da Costa da Caparica e uma vontade muito grande de aprender a falar português. “Lisboa tem ótimos restaurantes, adoro peixe. Também quero conhecer mais do interior de Portugal. E estou aos poucos a fazer novos amigos, o que é ótimo”.