É uma expectativa que se renova sempre que Harry cruza o Atlântico: irá reencontrar-se finalmente com o seu pai e fazer as pazes com Carlos III, ou pelo menos preparar essa trégua? Esta segunda-feira, quando se assinalam três anos sem a antiga monarca Isabel II, o príncipe voltou a aterrar em solo britânico, para um programa de quatro dias. E se a dúvida (pelo menos até agora) sobre um esperado encontro permanece no ar, a primeira paragem já é conhecida: segundo os meios britânicos, depois de aterrar no aeroporto de Heathrow vindo de Montecito, na Califórnia, pelas 11h00, Harry visitou o túmulo da avó em Windsor, de forma privada. Três anos depois, as contas oficiais da Casa Real assinalaram a efeméride, publicando uma foto de Isabel II, fiel à sua icónica imagem, em tons de azul, chapéu e conjunto de pérolas.
É em Windsor que esta manhã as atenções se focam, com os príncipes de Gales a associarem-se à evocação da rainha. Kate surgiu ao lado de William numa visita a uma filial do Women’s Institute, em Sunningdale, perto do Castelo de Windsor (e a curtíssima distância de Harry), uma organização da qual Isabel II fez parte ao longo de 80 anos. Inicialmente, estaria apenas prevista a presença do príncipe herdeiro mas uma mudança de planos ditou que a princesa fizesse também parte deste momento, que coincidiu praticamente com a aterragem de Harry em Londres, depois de um voo de 11 horas.
William e Kate à saída do instituto feminino, depois de um pequeno-almoço especial na filial de Sunningdale © Getty Images
Desde fevereiro do ano passado que o Rei não vê o filho mais novo. Nessa ocasião, Harry voou para Londres para uma reunião relâmpago de meros 30 minutos depois de o soberano ter tornado público que enfrentava o cancro. Por estes dias, é em Balmoral, Aberdeenshire, que Carlos se encontra, recebendo ainda tratamento regular para a doença — e sem compromissos oficiais previstos para esta semana. Quanto ao irmão de William (com quem a relação é igualmente tensa) começa a sua agenda esta tarde com a passagem pelos WellChild Awards 2025, na capital britânica, organização de solidariedade da qual é patrono. São aliás da chegada ao Royal Lancaster Hotel as primeiras imagens oficiais de Harry, depois do momento restrito na capela de São Jorge do castelo de Windsor.
O príncipe à chegada esta segunda-feira à tarde ao Royal Lancaster Hotel, palco dos WellChild Awards 2025 © Getty Images
Terça-feira, estará em Nottingham para um compromisso que envolve juventude e prevenção da violência. Quarta e quinta-feiras serão ocupadas com receções particulares e encontro com outras organizações a que Harry está associado, como a fundação Invictus, o Diana Award, ou a Scotty’s Little Soldiers, que apoia crianças órfãs.
Ao The Times, amigos do príncipe garantem que desta vez procurará “passar um bom tempo”, depois das últimas deslocações terem sido marcadas pelas suas sagas judiciais, que têm sido uma grande fonte “de distração”. A disputa com o Daily Mail e o Mail on Sunday, no entanto, ainda não está terminada. As alegações que envolvem o hacking de telefones e recolha indevida de informações, culminará com um julgamento de nove semanas em janeiro, mas pode ser igualmente resolvido através de um acordo extra-judicial.
O mesmo jornal adianta ainda que Harry estará determinado em seguir em frente e alterar o curso da narrativa, tentando fazer reset à imagem negativa que paira sobre os Sussex desde que se mudaram para os EUA, em 2020. O príncipe insiste, no entanto, nas preocupações de segurança, e como tem sido habitual nas últimas viagens, aterrará sozinho no Reino Unido. “Não me imagino a trazer a minha mulher e os meus filhos de volta para o Reino Unido neste momento. E as coisas que vão perder, bem, tudo… Sinto falta do Reino Unido”, desabafou o duque à BBC em maio. Recorde-se que a última visita de Meghan Markle remonta a setembro de 2022, e a de Archie e Lilibet a junho daquele ano, para a celebração final do jubileu de platina da rainha. Meghan mantém-se empenhada na sua marca de lifestyle, As Ever, e acaba de ver estrear a segunda temporada de “With Love, Meghan”, um formato Netflix.
Em maio de 2023, Harry deslocou-se de novo a solo ao Reino Unido, para a coroação de Carlos III © Getty Images
O mesmo meio lembra que Harry não recebe financiamento público através da Coroa ou privado através da família real, pelo que viagens ao estrangeiro como a visita desta semana ao Reino Unido, ter-lhe-á custado seis dígitos. O príncipe assume todas as despesas a título pessoal, incluindo a acomodação da sua comitiva. Quanto ao seu itinerário, deverá ser seguido por um leque criterioso de meios de comunicação, considerados não hostis ao filho do Rei.
Segundo o The Daily Mail, à espera do príncipe em Heathrow estiveram elementos da Polícia Metropolitana e do Royalty and Specialist Protection Squad, sugerindo que Harry estará a contar com proteção mais personalizada.
O Rei e a Rainha fotografados este domingo, no Aberdeenshire © Getty Images
Voltando à possibilidade de uma reconciliação, os peritos reais que mais atentamente seguem todos os passos do clã duvidam do sucesso desse eventual operação. Ao formato Royal Exclusive do diário The Sun Charles Rae considerou improvável um reencontro por estes dias entre pai. É que se Harry voou desde os EUA, Carlos teria que abandonar a sua habitual temporada na Escócia para rumar a Inglaterra antes de tempo. “É improvável que o Rei apanhe um voo para ir tomar uma chávena de chá com Harry.”
Meanwhile, Carlos III e Camilla foram este domingo fotografados em Crathie Kirk, a um passo de Balmoral, onde assistiram ao serviço religioso, fiéis aos tradicionais kilt e ao tartan. Ao casal real juntaram-se o primeiro-ministro Keir Starmer e a sua mulher, Victoria, numa semana especialmente turbulenta para o governo britânico.