Marious Vrousai,O Special One entrou com o pé direito. Depois de um semana de altos e baixos, que começou no empate em casa frente ao Santa Clara (1-1), prosseguiu com o descalabro frente ao Qarabag, também na Luz (2-3) e terminou com o despedimento de Bruno Lage, José Mourinho foi a opção escolhida pela direção liderada por Rui Costa para assumir o comando técnico até, pelo menos, ao final da temporada. A estreia no regresso ao Benfica 25 anos depois aconteceu na Vila das Aves, no último fim de semana, diante do AVS. O jogo correu como pretendido, com as águias a golearem um dos últimos classificados do Campeonato, num jogo em que apontaram três golos em cerca de 15 minutos, embora em partes distintas (0-3). Apesar dos golos e do regresso às vitórias, a grande figura do duelo entre avenses e águias acabou por ser o treinador, que deu espetáculo fora das quatro linhas e ainda deixou alguns recados na flash-interview e na conferência de imprensa… bem ao seu estilo. Curiosamente, nas últimas horas até surgiu uma curiosa declaração de André Villas-Boas, presidente do FC Porto, que partilhou ter falado com Mourinho após este ter rumado ao rival.

Sudakov soltou o grito e iluminou o regresso do homem especial que (ainda) não precisou de meter o dedo (a crónica do AVS-Benfica)

Para esta terça-feira estava agendada a primeira partida do técnico setubalense no novo Estádio da Luz como treinador do Benfica, praticamente duas décadas e meia depois de se ter despedido das águias, na antiga Luz, com uma goleada frente ao Sporting (3-0). Naquele 3 de dezembro de 2000, Pierre van Hooijdonk e João Tomás (bisou) foram as figuras encarnadas, num desafio em que os leões, de Augusto Inácio, viram Pedro Barbosa ser expulso a 15 minutos do fim. Agora, cabia ao Rio Ave a tarefa de apadrinhar mais uma partida marcante do Special One, apesar de esta ter acontecido cerca de um mês e meio depois do previsto. O jogo da primeira jornada da Primeira Liga foi adiado no início de agosto, por conta da participação lisboeta nas pré-eliminatórias de acesso à fase de liga da Liga dos Campeões. Apesar da curta diferença de semanas, muito mudou nas duas equipas, ao ponto de a Liga Portugal ter autorizado uma exceção ao regulamento, ao permitir que os clubes colocassem na ficha de jogo os elementos inscritos após o fecho da janela de transferências.

Ficha de jogo

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Benfica-Rio Ave, 1-1

1.ª jornada da Primeira Liga 2025/26

Estádio do SL Benfica, em Lisboa

Árbitro: Sérgio Guelho (AF Guarda)

Benfica: Anatoliy Trubin; Amar Dedic, António Silva, Nico Otamendi, Samuel Dahl (Dodi Lukebakio, 65’); Enzo Barrenechea, Richard Ríos (Henrique Araújo, 90+2’), Fredrik Aursnes, Giorgi Sudakov (Leandro Barreiro, 89’); Vangelis Pavlidis e Franjo Ivanovic (Andreas Schjelderup, 65’)

Suplentes não utilizados: Samu Soares; Rafa Obrador, Gianluca Prestianni, Tomás Araújo e João Veloso

Treinador: José Mourinho

Rio Ave: Cezary Miszta; Jonathan Panzo, Jakub Brabec, Pancho Petrasso; Andreas Ntoi, Brandon Aguilera, Marious Vrousai (Tamás Nikitscher, 73’), Omar Richards (Georgios Liavas, 73’); Ole Pohlmann (Nikos Athanasiou, 68’), Dario Spikic (André Luiz, 57’) e Marc Gual (Clayton Silva, 57’)

Suplentes não utilizados: Kevin Chamorro; Eric Moreira, Nelson Abbey e João Graça

Treinador: Sotiris Sylaidopoulos

Golos: Sudakov (86’) e André Luiz (90+1’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Ivanovic (10’), Brabec (55’), Dahl (57’), Clayton (90’) e Barrenechea (90+6’)

“Espero um adversário melhor do que [revelam] os pontos conquistados até agora. Observámos os jogos anteriores e, em diversas partidas, principalmente nas três primeiras, percebemos serem melhores do que a pontuação que apresentam. Têm treinador e jogadores de qualidade. Têm 24 horas a mais para preparar este jogo, mas isso vale o que vale. Espero um jogo difícil e precisamos do fator casa. A equipa está a crescer. Do ponto de vista tático, a evolução tem de ser gradual, mas do ponto de vista emocional, os adeptos precisam de fazê-los sentir em casa, que esqueçam que os últimos dois jogos em casa não foram positivos. Essa empatia é importante. A voz, até agora, é de trabalho. É o mesmo que quando me vêm bronzeado. Digo sempre que é de trabalho. Estou numa fase em que tenho de conhecer melhor o meu staff, como o Ricardo Rocha, por exemplo. Fazemos reuniões de análise e performance. Honestamente, acho que a empatia criada até agora está a ser bem aceite”, explicou Mourinho numa conferência de imprensa em que confirmou a disponibilidade do reforço Dodi Lukebakio.

Os rio-avistas chegaram à capital portuguesa a viver um período conturbado no Campeonato, com três pontos conquistados ao cabo de cinco jornadas e nenhuma vitória. Para além disso, a equipa de Sotiris Sylaidopoulos estava num mini-ciclo complicado, com três jogos em pouco mais de uma semana, sendo dois deles frente a candidatos ao título — perderam em casa com o FC Porto na sexta-feira (0-3). “Espera-nos um jogo difícil. Sabemos quem vamos defrontar. Vimos o primeiro jogo do mister Mourinho e já percebemos a atmosfera que nos espera. É importante estarmos focados e fortes em vários aspetos. Queremos manter isso durante todo o jogo. É um jogo em que vamos ter de mostrar personalidade e caráter. Em relação ao jogo com o FC Porto, temos de ver o que fizemos e retificar o início do jogo. As bolas paradas, a forma como queremos jogar com bola… Temos de ter coragem e personalidade. Mourinho? É uma motivação, sem dúvida. Encontrar um treinador tão icónico é muito especial. Na Grécia, costumamos dizer que há pessoas que são tocadas pelos deuses e Mourinho é uma delas”, partilhou o grego.

Para esta partida, José Mourinho repetiu o onze inicial, com Giorgi Sudakov, Franjo Ivanovic e Vangelis Pavlidis no ataque, apresentando apenas uma novidade, com Lukebakio a sentar-se no banco de suplentes em detrimento de João Rego. Do outro lado, Sotiris Sylaidopoulos fez cinco alterações em relação à receção ao FC Porto e apresentou quatro centrais, com Andreas Ntoi a atuar no meio-campo. Jonathan Panzo e Pancho Petrasso juntaram-se a Jakub Brabec no centro da defesa, com Omar Richards, Ole Pohlmann e Marc Gual a entrarem para o ataque, em detrimento de Nelson Abbey, Georgios Liavas e Nikos Athanasiou, a par dos goleadores André Luiz e Clayton Silva.

Como seria de esperar, o Benfica assumiu o controlo das operações desde o pontapé de saída, com Ivanovic a descair no corredor esquerdo e Sudakov a aparecer em zonas mais centrais com bola. Ainda assim, as águias mostraram dificuldades em criar perigo na fase inicial do jogo, com o Rio Ave a organizar-se em 5x4x1 sem bola, povoando densamente o corredor central. O desafio continuou tímido, sem balizas, e, com o passar do tempo, os vila-condenses aproximaram-se da baliza de Anatoliy Trubin, através de lances de contra-ataques. O conjunto vermelho e branco começou a mostrar-se na segunda metade da primeira etapa, com Richard Ríos a atirar de longe, por cima (26′) e Sudakov e Vangelis Pavlidis a testarem Cezary Miszta numa jogada de insistência (27′). No derradeiro lance da primeira parte, Sudakov cobrou um canto na esquerda, Enzo Barrenechea desviou ao primeiro poste, a defesa cortou, mas Fredrik Aursnes apareceu a finalizar à entrada da área, só que a bola saiu ao lado (45+4′).

Na etapa complementar manteve-se a tendência e, nos primeiros minutos, o Benfica quase que foi surpreendido, com Aguilera a conduzir no último terço um lance em que o Rio Ave estava em superioridade (3×1), mas Amar Dedic apareceu a tempo a fazer um corte providencial (51′). Na resposta, António Silva tirou um cruzamento da direita e Pavlidis, na pequena área, cabeceou para defesa apertada de Miszta (55′). Já com André Luiz e Clayton no ataque vila-condense, as águias chegaram mesmo ao golo, através de um cabeceamento do central português, mas o lance acabou anulado por Sérgio Guelho, que foi consultar o monitor e descortinou um pisão de Otamendi em Marious Vrousai, antes do cruzamento para o colega de posição (65′). Mourinho respondeu de imediato e estreou Lukebakio, colocando também em campo Andreas Schjelderup, e o belga, que entrou com “fome”, quase desfez o nulo, mas Miszta voltou a defender (69′).

Já depois de ter colocado Athanasiou, Sylaidopoulos refrescou o outro corredor, com Tamás Nikitscher, que entrou a par de Liavas. Lukebakio continuou a desequilibrar no corredor direito e, num desses lances, partiu para cima de Athanasiou, ultrapassou-o e, junto à linha de fundo, já dentro da área, cruzou atrasado para o coração da área, onde Sudakov apareceu a atirar de primeira para o golo (86′). José Mourinho reforçou o meio-campo com Leandro Barreiro e, já no tempo de compensação, André Luiz recebeu a bola na direita, fez a diagonal para o meio, ultrapassou o “lateral” Aursnes e, de pé esquerdo, desferiu um remate fantástico, em arco, que entrou junto ao poste mais distante (90+1′). Henrique Araújo foi a última opção do Special One para tentar desfazer novo empate tardio, mas o resultado manteve-se e o Benfica é agora terceiro, a um ponto do Sporting e a quatro do FC Porto (1-1).