A ideia de que Lamine Yamal poderia conquistar a Bola de Ouro começou a esfumar-se ainda no início da gala da France Football, quando o espanhol foi chamado ao palco para receber o Troféu Kopa. Tendo em conta o historial da cerimónia, dificilmente o jogador do Barcelona iria acumular as duas distinções — algo que acabou por confirmar-se algum tempo depois, quando Ousmane Dembélé recebeu o prémio de melhor jogador do mundo das mãos de Ronaldinho.

Lamine Yamal, que ficou no segundo lugar da votação à frente de Vitinha, encarou a derrota com o natural fairplay: cumprimentou Dembélé, esboçou um sorriso amarelo e no final da cerimónia ainda tirou fotografias com Aitana Bonmatí, Ewa Pajor e Vicky López, as outras galardoadas do Barcelona. Ainda assim, e tal como tantas vezes tem sido habitual, coube ao pai do internacional espanhol a tarefa de representar a insatisfação da família. 

Bola de Ouro. Dembélé vence Lamine com Vitinha a fechar o pódio, Nuno Mendes no top 10 e João Neves em 3.º no prémio Kopa

Ainda no Théâtre du Châtelet, à saída da sala, Mounir Nasraoui dirigiu-se aos jornalistas espanhóis que estavam à espera dos protagonistas da noite e atirou um simples “o próximo ano é nosso”. Mais tarde, porém, foi bastante mais longe. Enquanto o segundo lugar e a vitória de Ousmane Dembélé eram discutidos no popular “El Chiringuito”, o pai de Lamine Yamal decidiu fazer uma vídeochamada em direto para o programa de televisão e não poupou nas palavras.

“É o maior… Não vou dizer roubo, mas é o maior dano moral a um ser humano”, começou por dizer. “O Lamine Yamal é o melhor jogador do mundo, com muitíssima diferença. Não é por ser meu filho, é mesmo o melhor jogador do mundo. Não há rivais. O Lamine é o Lamine… Temos de dizer que se passou aqui algo de muito estranho”, acrescentou, terminando novamente com a ideia de que “a Bola de Ouro será espanhola” no próximo ano.

De forma naturalmente mais contida, Joan Laporta também comentou o facto de Lamine Yamal ter ficado no segundo lugar e garantiu não ter dúvidas de que o avançado será destacado como o melhor jogador do mundo no futuro. “Este segundo lugar vai dar ao Lamine muita motivação para os próximos anos. Tenho a certeza de que vai ganhar a Bola de Ouro. Queríamos este prémio, mas como não o ganhámos saímos com o orgulho de termos sido nomeados juntamente com os melhores”, referiu o presidente do Barcelona em Paris.

Curiosamente, Joan Laporta não teve grandes pruridos na hora de revelar os pormenores da viagem da comitiva dos catalães até Paris. Em entrevista à RAC1, o presidente do Barcelona até contou que foi mesmo Lamine Yamal quem, já quase madrugada dentro, conseguiu arranjar jantar para todos. “Chegámos a casa às 5h da manhã porque o Hansi Flick queria trabalhar hoje e acho que eles treinam às 12h. É preciso ter em conta que, a caminho do aeroporto, quando já estávamos todos a partir, percebemos que mal tínhamos comido durante todo o dia, entre viagens, preparação e a gala, e estávamos com muita fome. Quando íamos a caminho do aeroporto, o Lamine Yamal viu um sítio onde faziam hambúrgueres, parámos e ele e o [Pau] Cubarsí desceram para comprar para todos e comemos no caminho. Estavam muito bons”, atirou.

Mais à frente, na mesma entrevista, Joan Laporta garantiu que não tinha qualquer informação sobre os vencedores de cada prémio. “Viajámos sem saber o resultado da votação. Nem mesmo os que entregavam os prémios sabiam, porque perguntei ao Iniesta e ao Roni [Ronaldinho]. Mas nem eles sabiam. Na verdade, nem o [Aleksander] Ceferin nem a proprietária da France Football, que ficou ao meu lado na gala, sabiam. Confessaram-me que preferiam não saber para não contarem aos filhos e para a informação não ser divulgada. Até tentei saber o resultado falando com algumas das altas entidades de França”, confessou o presidente catalão, que também comentou mais um ano de ausência do Real Madrid na gala.

“O que o Real Madrid faz é problemas deles. Nós vamos por respeito ao futebol e aos organizadores. E a verdade é que nos destacámos, porque o Barcelona e o presidente do Barcelona destacam-se sempre. Fomos a delegação mais numerosa e a mais premiada da gala, o que nos enche de orgulho”, terminou.

Aos 18 anos, depois de uma temporada em que conquistou La Liga, Taça do Rei e Supertaça com o Barcelona para além de ter chegado à final da Liga das Nações com Espanha, Lamine Yamal conquistou o Troféu Kopa pela segunda vez e também ficou no top 10 da Bola de Ouro pela segunda temporada consecutiva, já que em 2024 tinha ficado na oitava posição.