O próximo Campeonato do Mundo, disputado nos Estados Unidos, no Canadá e no México, será o primeiro a contar com 48 equipas, um aumento de 16 face às 32 que durante mais de duas décadas foram o número mágico da competição. Contudo, para alguns, esse alargamento é ainda curto e carece de ajustes — e a possibilidade de o Mundial 2030 contar com 64 seleções parece mesmo estar em cima da mesa. 

A primeira pista de que algumas vozes influentes estariam a tentar criar uma vaga de fundo para um novo alargamento do Campeonato surgiu ainda em março, quando o The New York Times revelou que Ignacio Alonso, presidente da Federação de Futebol do Uruguai, tinha sugerido isso mesmo durante a reunião do Comité Executivo da FIFA. Já em maio, no último Congresso do organismo e sem que um eventual alargamento estivesse sequer na ordem de trabalhos ou tivesse sido discutido, também o presidente da CONMEBOL disse ser necessário “refletirmos juntos para que possamos fazer algo pelo qual o mundo espera e que a comunidade do futebol merece”.

Agora, ao que parece, a ideia tomou contornos mais práticos. De acordo com o The Athletic, Gianni Infantino recebeu vários representantes sul-americanos na sede da FIFA em Nova Iorque, esta terça-feira, com o intuito de discutir o alargamento do Campeonato do Mundo a 64 equipas já em 2030. Segundo a notícia, para além do presidente da FIFA, estiveram presentes Santiago Peña, o presidente do Paraguai, Yamandu Orsi, o presidente do Uruguai, Alejandro Domínguez, presidente do CONMEBOL, e ainda os três presidentes das Federações de Futebol do Paraguai, do Uruguai e da Argentina, com Javier Milei a ser o grande ausente.

O The Athletic adianta que Gianni Infantino tem recebido de braços abertos a proposta e até já esteve em Marrocos a discutir a possibilidade com alguns representantes do futebol africano, tendo agora reuniões marcadas com os responsáveis asiáticos. A tarefa mais complexa do presidente da FIFA, de forma natural, estará reservada para a conversa com a UEFA e os líderes europeus — principalmente tendo em conta que o Mundial 2030 será organizado por Portugal, Espanha e Marrocos.

A vontade sul-americana, na verdade, é fácil de entender. Primeiro, é preciso recordar que o Mundial 2030, na sua formulação original e atual com 48 equipas, já terá três jogos na América do Sul como forma de assinalar o centenário do Campeonato do Mundo, que arrancou no Uruguai em 1930: a partida inaugural é em Montevideo, a capital uruguaia, e tanto Buenos Aires como Asunción, as capitais da Argentina e do Paraguai, vão receber uma partida. A proposta do alargamento para 64 equipas, porém, intensifica o protagonismo sul-americano na competição.

Agora sim, “Yalla Vamos!”: FIFA confirma Mundial-2030 em Portugal, Espanha e Marrocos (e com pedido de aclamação)

Segundo a ideia dos três países, o Mundial 2030 teria então 64 equipas espalhadas por 16 grupos. Desses 16 grupos, três seriam totalmente disputados na América do Sul — um na Argentina, outro no Uruguai e outro no Paraguai, com os restantes 13 a serem divididos entre Portugal, Espanha e Marrocos. As duas melhores equipas apuravam-se para os 16 avos de final e a partir daí a competição decorreria como habitualmente, sendo que em 2026 também já existirão 16 avos de final mas com os dois melhores de cada um dos 12 grupos e ainda os oito melhores terceiros. Em resumo, um Campeonato do Mundo em três continentes e seis países e com 128 jogos, o dobro dos 64 disputados no Qatar em 2022.

De acordo com o The Athletic, a proposta deve ser discutida na reunião do Conselho Executivo da FIFA que está marcada para a próxima semana, sendo que Claudio Tapia, o presidente da Federação Argentina de Futebol, faz parte do organismo. A confirmar-se, será o quinto alargamento da história do Campeonato do Mundo e fará com que quase 30% das seleções nacionais estejam na competição: começou com 13 países em 1930, passou a 16 logo em 1934, integrou 24 em 1982 e depois 32 em 1998, com as tais 48 a estrearem-se já em 2026.

Mundial de futebol com 48 equipas a partir de 2026