Foi numa inspeção de rotina que o departamento de arte dos carabinieri, a polícia italiana, percebeu que “algo parecia estar errado” no Palazzo Tarascon em Parma, Itália. Em cartaz, há alguns dias, estava a exposição intitulada Dalí, Entre Arte e Mito.

Após a investigação da polícia, 21 obras — incluindo desenhos, tapeçarias e gravuras — acabaram confiscados, informou a autoridade na rede social X.

“Notámos que apenas litografias, cartazes e desenhos de Dalí estavam em exposição, juntamente com algumas estátuas e outros objetos, mas nenhuma pintura ou qualquer coisa importante. Era difícil entender por que alguém iria querer organizar uma exposição de obras de tão baixo valor”, afirmou Diego Poglio, o oficial que liderou a investigação, em declarações ao The Guardian.

Alertados por este facto, a equipa reportou as suas suspeitas à Fundação Gala-Salvador Dalí, sediada em Figueres, Catalunha, que revelou nunca ter sido contactada sobre a exposição pelos seus organizadores.

De acordo com o jornal britânico, já em janeiro tinham surgido dúvidas, quando agentes da unidade de Roma do departamento de arte dos carabinieri realizaram uma verificação de rotina à mesma exposição quando estava em exibição no Museo Storico della Fanteria.

A polícia enviou fotografias das obras de arte atribuídas falsamente à fundação, que também revelou ter dúvidas da autenticidade das obras, havendo motivos para prosseguir com a apreensão dos 21 objetos.

“Agora, prosseguiremos com as investigações técnicas e científicas necessárias para determinar se as obras são autênticas ou não”, afirmou Poglio, que informou que a investigação está em “fase preliminar e que ninguém ainda é suspeito de irregularidades”.

O líder do departamento de arte da polícia italiana aponta para uma “presença significativa de falsificações no mercado, especialmente na arte contemporânea” e diz que este é um “fenómeno global”. Referindo que, muitas vezes, as falsificações só vêm à tona quando são exibidas em museus importantes.