O Teatro Meridional, em Lisboa, estreia, na quinta-feira, a peça A senhora Klein, de Nicholas Wright, numa encenação de Natália Luiza, que fica em cena até dia 09, anunciou a companhia.
A ação da peça, situada em Londres, em 1934, imerge na vida íntima e intelectual da psicanalista austríaca Melanie Klein (1882-1960), psicoterapeuta da linha pós-freudiana, que questionou alguns dos pressupostos do neurologista e psicanalista, fundador da psicanálise.
A narrativa da peça desenvolve-se a partir de um triângulo dramático entre três mulheres psiquiatras e psicanalistas: Melanie Klein, a sua filha Melitta Schmideberg e a colaboradora Paula Heimann.
No espaço fechado de casa, confrontam-se ideias sobre teoria e prática da psicanálise, assim como as tensões afetivas e feridas de “um relacionamento familiar marcado por feridas emocionais, rivalidades, lealdades frágeis e abuso de poder”, lê-se numa sinopse da obra, divulgada pelo Teatro Meridional
“Entre um discurso académico partilhado entre estas três mulheres e as suas vidas privadas”, o dramaturgo britânico Nicholas Wright (nascido na Cidade do Cabo, África do Sul, em 1940) “revela como a psicanálise, nascida da tentativa de análise da psique humana, pode também expor contradições, fragilidades e a complexidade das relações entre mães, filhas e discípulas”.
A psicanalista alemã Paula Heimann, alguns anos depois da data em que se situa a ação do livro, opôs-se a teses assumidas por nomes dominantes da psicanálise, que defendiam um analista mais distante.
É de Paula Heimann o conceito de ‘contratransferência’, apresentado em texto, pela primeira vez, em 1949, e que esteve na base do rompimento da relação profissional entre Paula Heimann e Melanie Klein. Heimann defendia que a ‘contratransferência’ devia ser usada como “instrumento valioso na análise dos conteúdos inconscientes” dos analisados.
Com sessões de quarta-feira a sábado, às 21h00, e ao domingo, às 16h00, A senhora Klein, — um espetáculo onde se fuma em cena — tem interpretações de Ana Catarina Afonso, Nídia Roque e Raquel Oliveira.
O espaço cénico e os figurinos são de Ana Vaz, o desenho de luz de Miguel Seabra, a assessoria musical de Rui Rebelo e, na assistência de encenação, está Telma Meira.
A tradução do texto do dramaturgo britânico é de Maria João Rocha Afonso.
À folha de sala, o Teatro Meridional acrescenta o agradecimento de Nicholas Wright pela “utilização da biografia de Phyllis Grosskurth, ‘MELANIE KLEIN'”, publicada pela Hodder and Stoughton, em 1986.