A espera durou 559 dias. Mais de um ano e meio depois, Portugal voltou a contar com representação na fase principal da Liga dos Campeões feminina. Desde que o Benfica fez história na edição de 2023/24 e tornou-se na primeira equipa portuguesa a atingir os quartos de final, muito mudou no futebol nacional, a começar pelo aumento de equipas com a reformulação da competição, levada a cabo pela UEFA. A partir desta temporada, Portugal passou a ter três representantes europeus, com o primeiro classificado a entrar diretamente na fase de liga da Champions e o segundo e o terceiro a terem acesso às pré-eliminatórias. As águias acabaram por ser, uma vez mais, o único representante português nesta fase, com Sporting e Sp. Braga a “caírem” para a nova Taça Europa.
???? ???????? ???????????????????? ???????????? ???????????????????? ???????????????????????????????? ????
#UWCL ???? pic.twitter.com/kVN9tfnDYM
— SL Benfica Futebol Feminino (Apoio) (@BenficaFem) October 7, 2025
Depois de uma temporada de fracasso a nível europeu, que culminou na conquista do pentacampeonato interno, o Benfica voltou aos grandes palcos, numa época que serve de transição, depois de Filipa Patão ter abandonado o comando técnico das inspiradoras e de Ivan Baptista ter sido escolhido como o sucessor. À semelhança do que aconteceu no final da última temporada, o Benfica arrancou a perder frente ao Torreense, que voltou a fazer história e conquistou a Supertaça pela primeira vez. A partir daí, as águias arrancaram para uma série de duas vitórias e um empate, com 13 golos marcados e apenas um sofrido, números que valem a liderança do Campeonato em igualdade com o rival Sporting.
O jogo frente às bianconere teve como palco o Juventus Stadium, em Turim, e marcou o primeiro confronto entre os dois históricos clubes no futebol feminino. As italianas chegaram à nova época depois de terem alcançado a dobradinha interna, somando o seu sexto título de campeão em oito anos. Esta temporada arrancou com a contratação da internacional portuguesa Tatiana Pinto e a conquista da recém-criada Taça da Serie A. O domínio interno tem sido notável, mas a equipa de Max Canzi não o tem conseguido estender para a Liga dos Campeões, onde tem como melhor resultado a presença nos quartos de final. Ainda assim, a Juventus leva oito temporadas consecutivas na Champions, tinha apenas duas derrotas nos últimos 13 jogos em casa (oito vitórias e três empates) e tinha vencido todas as três partidas de estreia na fase de grupos (sem sofrer golos).
“É uma competição onde o Benfica tem crescido também nos últimos anos, e nós queremos cimentar essa posição do Benfica na Liga dos Campeões. Não será fácil, são equipas do melhor que existe a nível mundial. Acredito que o grupo está preparado para enfrentar os diferentes desafios que nos vão surgir. Estamos muito focados em nós, na evolução de um processo que começou há dois meses e meio, e o nosso foco tem sido muito por aí. Apesar de a Juventus só ter um jogo no Campeonato, já teve uma competição disputada, que ganhou. É uma equipa que não precisa de grandes apresentações. É uma equipa que, certamente, terá coisas diferentes daquilo que foi a época passada. Algumas delas conseguimos naturalmente observar por aquilo que foi a performance da equipa nestes últimos jogos”, partilhou Baptistas em conferência de imprensa.
???????? ???????????????????????????? frente à Juventus! ????#UWCL pic.twitter.com/VXB7IdGFnm
— SL Benfica Futebol Feminino (Apoio) (@BenficaFem) October 7, 2025
Sem Andreia Norton, Marta Salvador, Ana Borges, Neide Guedes, Andrea Falcón, Clarinha e Joana Silva, o primeiro onze de Ivan Baptista na maior prova de clubes da Europa contou com Lena Pauels na baliza, e Catarina Amado, Carole Costa, Diana Gomes e Marit Lund no setor defensivo. O centro do terreno ficou a cargo de Anna Gasper e Beatriz Cameirão, com Lúcia Alves na direita e Chandra Davidson na esquerda. Caroline Moller e Nycole Raysla estiveram na frente de ataque. Na Juventus, Tatiana Pinto foi titular, jogando ao lado de Emma Stolen Godo e Lia Wälti, com Cristiana Girelli e Amalie Vangsgaard no ataque.
As inspiradoras entraram bem na partida e, logo no segundo minuto de jogo, Moller apareceu a completar um cruzamento para defesa difícil de Pauline Peyraud-Magnin (2′). Estava feita a ameaça, que acabou por concretizar-se logo a seguir, Cameirão a servir Lúcia, que combinou com Nycole e concluiu a jogada com um remate forte, de primeira, dentro da área, naquele que foi o primeiro golo desta Champions (6′). As bianconere reagiram bem à desvantagem e, depois de Barbara Bonansea atirar para um corte fulcral de Carole, Bonansea teve espaço para cruzar para a área, na direita, com Cecilia Salvai a fazer o empate de cabeça (22′). Na resposta, Davidson cruzou para o segundo poste, com Nycole a desviar de calcanhar, ao lado (24′).
— BenficaFeminino (@FemininoBenfica) October 7, 2025
O jogo continuou aberto e, já na parte final do primeiro tempo, a defesa do Benfica voltou a consentir muito espaço, não conseguiu aliviar a bola e permitiu que Bonansea completasse a reviravolta com um remate de primeira dentro da área (38′). Contudo, o lance acabou anulado por fora de jogo de Girelli. As italianas continuaram por cima até ao intervalo, mas o empate continuou a persistir (1-1). Na segunda parte, Christy Ucheibe entrou para o lugar de Chandra Davidson, libertando Catarina Amado para posições mais ofensivas. A primeira oportunidade pertenceu à Juventus, com Cristiana Girelli a ganhar bem a posição, mas a cabecear para fora (52′). No lance seguinte, Estela Carbonell desferiu um cruzamento traiçoeiro que desviou na trave da baliza portuguesa (53′). Pouco depois, Bonansea arrancou da direita para o meio e, à entrada da área, desferiu um remate cruzado para defesa de Lena Pauels (61′). No canto, Bonansea voltou a destacar-se ao cabecear para fora (62′).
À passagem da hora de jogo, Ivan Baptista lançou Cristina Martín-Prieto no ataque, por troca com Nycole Raysla, e substituiu ainda Beatriz Cameirão por Carissa Boeckmann. Na Juventus, Chiara Beccari rendeu Amalie Vangsgaard. As alterações melhoraram o jogo das encarnadas, que começaram a arriscar mais. Na sequência de um canto de Marit Lund, Diana Gomes ganhou nas alturas, só que o cabeceamento saiu ligeiramente ao lado (67′). Massimiliano Canzi respondeu com Eva Schatzer e Abi Brighton, com Baptista a esgotar as alterações com Carolina Tristão — estreou-se na Champions aos 16 anos — e Diana Silva nos lugares de Caroline Moller e Lúcia Alves, seguindo-se as entradas de Michela Cambiaghi e Paulina Krumbiegel. Na sequência de um canto de Schatzer, Amado desviou para o coração da área e Salvai apareceu a bisar (86′). Segue-se o Arsenal, na Luz, na próxima semana.
Juventus claim the first three points of the season ????#UWCL pic.twitter.com/MdklrXD2mu
— UEFA Women’s Champions League (@UWCL) October 7, 2025