Mais de 200 filmes vindos de 54 países, 31 dos quais portugueses, entre longas e curtas-metragens. Dos 12 da Competição Nacional, sete são estreias mundiais, um estreia europeia e quatro estreias nacionais. Estes são os principais números do Doclisboa 2025, que decorre entre dias 16 e 26 de outubro na Culturgest, nos cinemas São Jorge e Ideal e na Cinemateca. Os realizadores convidados este ano são a egípcia, Hala Elkoussy, também artista visual, e o vietnamita Min Quy Truong, de quem serão mostrados filmes seus e em colaboração com Nicolas Graux. A retrospetiva é dedicada ao compositor, ator, produtor e realizador negro americano William Greaves (1926-2014), que entrou nos chamados “race movies”, filmes segregados, foi um dos primeiros membros do Actors Studio e dedicou-se depois ao documentarismo, entre títulos pedagógicos e de intervenção, assinando obras como Nationtime, Black Power in America: Myth… or Reality?, ou  Frederick Douglass: An American Life. Seleccionámos seis filmes que são outras tantas pistas para a variada programação desta 23ª edição do Doclisboa.

“Ghost Elephants”

De Werner Herzog

Depois dos ursos, dos vulcões, da Internet e dos condenados à morte, o incansável Werner Herzog vira-se agora, neste novo documentário, para os elefantes africanos. Mais precisamente, para uma manada dos enormes mas esquivos “elefantes fantasma” das florestas selvagens do Planalto de Angola, um área do tamanho de Inglaterra. Herzog acompanha na sua busca de dez anos o célebre explorador, naturalista e biólogo sul-africano Steve Boyes e os seus veteranos batedores da Namíbia. Uma tarefa que acaba por adquirir, segundo o realizador, uma dimensão transcendente. (Dia 19, Culturgest, 15h00/Dia 22, São Jorge — Sala Manuel de Oliveira, 18h30)

“Cover-Up”

De Laura Poitras e Mark Obenhaus

Seymour Hersh é um nome lendário do jornalismo dos EUA, vencedor do Pulitzer e ligado a investigações como o massacre de My Lai, a tortura de prisioneiros na prisão de Abu Ghraib ou, mais recentemente, a sabotagem do NordStream, que mostrou ter sido uma operação “false flag” dos EUA e da Noruega e não feita pelos russos, à revelia da esmagadora maioria dos media de todo o mundo. Individualista, controverso e ferozmente independente, Hersh é aqui entrevistado sobre a sua vida, carreira e muito em especial sobre o jornalismo de investigação, pela oscarizada documentarista Laura Poitras e por Mark Obenhaus. (Dia 21, São Jorge — Sala Manoel de Oliveira, 19h15)

“Memórias do Teatro da Cornucópia”

De Solveig Nordlund

“Quando fundámos a Cornucópia não era por razões profissionais, era em busca da felicidade”, diz Luís Miguel Cintra a certa altura deste documentário de Solveig Nordlund sobre o Teatro da Cornucópia, que Cintra criou em 1973, com o falecido Jorge Silva Melo, ambos vindos do teatro universitário. A companhia fechou portas em 2016, após 43 anos a mostrar muito do melhor teatro que se podia ver em Lisboa, e a sua história é agora aqui contada, afetuosamente, e ao detalhe, com a ajuda de muitas imagens e de uma série de testemunhos, com destaque para os de Luís Miguel Cintra e da cenógrafa Cristina Rodrigues. (Dia 18, Culturgest, 18h30/Dia 22, Cinema Ideal, 21h45)

“Welcome to Lynchland — David Lynch, une Énigme a Hollywood”

De Stéphane Guez

Além de Duran Duran: Unstaged, o filme de David Lynch sobre os Duran Duran realizado em 2011, o Doclisboa 2025 exibe também Welcome to Lynchland — David Lynch, une Énigme a Hollywood (ambos na secção Heart Beat), onde o francês Stéphane Guez, com a ajuda de atores “lynchianos” como Kyle MacLachland, Laura Dern ou Isabella Rossellini, e outros colaboradores do realizador, bem como depoimentos de arquivo, procura, dentro do possível, explicar a personalidade, detetar as influências e decifrar os filmes de David Lynch. (Dia 24, Cinema Ideal, 19h45/Dia 26, Culturgest, 18h30)

“Videoheaven”

De Alex Ross Perry

Quem é que ainda se lembra do clube de vídeo, essa instituição que floresceu na década de 80, modificou a forma como passámos a ver filmes e teve um enorme impacto na indústria cinematográfica, para desaparecer quase sem deixar rasto alguns anos mais tarde? Alex Ross Perry levou 11 anos a fazer este documentário de quase três horas sobre essas lojas de aluguer de filmes e séries de televisão em VHS, que eram também pontos de encontro e de convívio (sem se esquecer das lojas e espaços de venda de vídeos). Entre muitas e nostálgicas imagens de arquivo, Perry recorre às de filmes e séries que incluem sequências passadas em clubes de vídeo, de O Último Grande Herói a Seinfeld.  (Dia 16, São Jorge — Sala 3, 18h00/Dia 25, idem, 21h00)

“Cinema Kawakeb”

De Mahmud Massad

Num cinema decadente, um dos mais antigos de Amã, a capital da Jordânia, os dois últimos empregados desesperam em conseguir mantê-lo aberto, já que investiram as suas economias no negócio e descobriram que o proprietário da sala desviou um importante apoio do governo. O cinema é um ponto de encontro informal para os membros da comunidade, e o último cliente fiel é um sem-abrigo que vive de recolher sucata e gosta de filmes indianos clássicos. Com a demolição próxima, o conflito entre o dono e os dois empregados reflete tensões regionais e globais, até que a guerra em Gaza eclode de súbito. (Dia 18, Cinema São Jorge — Sala 3, 22h00/Dia 20, idem, 14h00)