A Companhia de Teatro de Sintra —  Chão de Oliva estreia, no dia 6 de novembro, na Casa de Teatro de Sintra, a peça Prefiro não dizer, para “refletir sobre diferentes expressões de género”, informou esta terça-feira a companhia.

Prefiro não dizer é uma peça de teatro documental, com direção artística de Susana C. Gaspar, que assina a dramaturgia e cria o espetáculo num processo coletivo a partir de improvisações, testemunhos reais, notícias e documentos com os intérpretes e criadores Miguel Moisés, Nisa Eliziário, Rafael Valentini e Sofia Pessoa Pádua.

A “identidade de género, o preconceito, os estereótipos e os direitos humanos” são abordados na peça, que ficará em cena até dia 26, refere um comunicado da companhia.

Numa altura “em que o discurso sobre o género se torna cada vez mais polarizado”, o espetáculo faz parte do ciclo “Geografia de Género”, que o Chão de Oliva tem desenvolvido ao longo deste ano, e no qual “propõe uma reflexão coletiva sobre a humanidade que partilhamos e sobre as liberdades que continuam sob ameaça”, acrescenta a companhia.

Num “contexto global em que os direitos das pessoas LGBTQIA+ permanecem em risco”, Prefiro não dizer explora as narrativas “de quem vive fora das normas dominantes que definem o binómio mulher/homem, ou nenhum dos dois”, sublinha o comunicado da companhia.

A peça resulta da “vontade de construir um espaço de escuta e empatia, onde o teatro se torna um lugar de partilha, de dúvidas e de liberdade“, uma “necessidade cada vez maior, sobretudo num momento em que expressões como ‘ideologia de género’ ou ‘extremismo de género’ têm pautado discursos políticos e sociais, que ameaçam os ainda escassos avanços na proteção e promoção da igualdade de género”, escreve Susana C. Gaspar, codiretora artística do Chão de Oliva.

O espetáculo conta com testemunhos reais em áudio e em vídeo, alguns recolhidos com o apoio da Associação ILGA Portugal, organização parceira durante o processo criativo. A peça integra, ainda, um intérprete de Língua Gestual Portuguesa.

Prefiro não dizer é apresentada de quinta-feira a sábado, às 21h30, e, ao domingo, às 16h00.

Chão de Oliva —  Centro de Difusão Cultural em Sintra é uma associação cultural sem fins lucrativos, em funcionamento desde 1987, reconhecida como entidade de utilidade pública desde 1999. Com sede na Casa de Teatro de Sintra, apoia a sua atividade em três eixos estruturantes: Criação Teatral, Programação Cultural e Serviço Educativo.

Em 1990, dentro da associação Chão de Oliva foi criada a Companhia de Teatro de Sintra. Em 1994, formou-se o Fio d’Azeite —  Grupo de Marionetas. Em 2012, arrancou o Periferias —  Festival Internacional de Artes Performativas.

Cursos de iniciação teatral e oficinas abertas a profissionais e não-profissionais de teatro contam-se entre as valências ministradas pela companhia que, nos últimos anos, tem também um serviço educativo com ações de formação, projetos comunitários e de arte participativa.

Em 38 anos, o Chão de Oliva já promoveu mais de 300 espetáculos/eventos, por onde passaram mais de 1.280 artitas, grupos e associações, refere a nota de imprensa da companhia.