Quatro jornadas, quatro derrotas. Depois do desaire desta quarta-feira contra o Bayer Leverkusen em pleno Estádio da Luz, o Benfica continua sem qualquer ponto na fase de liga da Liga dos Campeões, dificultando ainda mais a possibilidade já remota de alcançar o playoff que dá acesso aos oitavos de final.

Mourinho perdeu a luz do raio e só ficou com o amargo do trovão (a crónica do Benfica-Bayer Leverkusen)

Vinda de três vitórias consecutivas nas competições internas, a equipa de José Mourinho leva agora três jogos seguidos sem marcar na Liga dos Campeões — os encarnados não fizeram qualquer golo depois dos dois apontados contra o Qarabag e sofreram oito, ou seja, estão em branco na principal competição europeia há 344 minutos. Na verdade, esta é apenas a terceira vez em que o Benfica perde os primeiros quatro encontros da Champions, sendo que as outras duas aconteceram em 2017/18 e em 2023/24.

Para seguir em frente, o Benfica tem de fazer história, já que nenhuma das 49 equipas que perderam os quatro primeiros jogos de uma edição ao longo da história da Liga dos Campeões conseguiu o apuramento para a fase seguinte. Com 12 pontos ainda em disputa nas últimas quatro jornadas da competição, os encarnados vão visitar o Ajax (que, curiosamente, é a única equipa que também não tem qualquer ponto), receber o Nápoles, deslocar-se a Turim para defrontar a Juventus e defrontar o Real Madrid no Estádio da Luz.

Depois do apito final, José Mourinho lamentou o resultado. “A chave foram todas as oportunidades que criámos e não concretizámos. E começou muito cedo e foi praticamente durante todo o jogo. Segundo a estatística que me deram fizemos 21 remates à baliza. Obviamente que não foram todos para golo, mas tivemos quatro ou cinco grandíssimas ocasiões. O jogo foi uma equipa a jogar muito bem com e sem bola, obviamente a ter algum percalço em transição ofensiva do adversário, mas uma equipa que teve muita qualidade na primeira e segunda fases e depois, na boca da baliza, falhou”, começou por dizer.

“Depois, dói-me o coração porque um miúdo que fez um excelente jogo faz o erro para o golo [Samuel Dahl]. E mesmo que, a partir desse momento, tentássemos motivar e tranquilizar, a equipa foi com algumas dificuldades. Depois o Bayer meteu-se mais atrás, com os gigantes a fechar a zona central, e aí não encontrámos tanto espaço. Obviamente estou frustradíssimo com o resultado, mas contentíssimo com a evolução da equipa e da qualidade do jogo”, acrescentou.

“A exibição foi boa, completa, o que faz com que não seja ainda mais completa é a falta de golos. As coisas que fizemos bem foram coisas que preparámos para fazer bem. O que fizemos com o Lukebakio, com o Pavlidis a baixar, tudo aquilo para que preparámos os jogadores eles fizeram muito bem, com uma entrega extraordinária. É uma frustração a derrota e isso não há volta a dar, mas é um jogo muito, muito bem conseguido. Dizia aos jogadores que se jogarmos assim e fizermos golos, em dez jogos perdemos um. Que foi hoje…”, desabafou.

Mais à frente, Mourinho abordou o caráter decisivo do jogo contra o Ajax. “Andamos a dizer que os jogos são decisivos desde que perdemos com o Qarabag, que é de facto o jogo que marca a trajetória. Fizemos um bom jogo com o Chelsea e merecíamos mais, com o Newcastle fomos atropelados na segunda parte. Não precisamos de 12 pontos para nos qualificarmos, nem de 11 e penso que nem de dez. Mas Nápoles, Ajax, Real Madrid, Juve… Temos dois jogos até ao final do ano civil e se fizermos seis pontos estamos na corrida. Neste momento não estamos na corrida ao nível pontual, mas a equipa fez um ótimo jogo”, terminou.