Um balneário, uma televisão e repetições em loop. Foi assim que nasceu a mais recente polémica do futebol português, que teve início no jogo de domingo, entre o FC Porto e o Sp. Braga. Depois da suada vitória portista, com Borja Sainz a ser decisivo (2-1), Fábio Veríssimo “queixou-se”, através do relatório da partida, de uma alegada tentativa de pressão dos dragões, que usaram uma televisão instalada no balneário da equipa de arbitragem para transmitirem, em loop, um lance em que o FC Porto sente que foi prejudicado. A partir daí, Benfica, Sporting, arsenalistas, Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) e portistas pronunciaram-se sobre o caso em comunicado, adensando ainda mais a polémica. Já esta quarta-feira, na partida para os Países Baixos, André Villas-Boas falou pela primeira vez sobre o sucedido, acusando o Benfica de estar “no bolso” do “presidente do Sporting”.

Para quem tem nome de piloto basta mesmo acelerar e cruzar a meta (a crónica do FC Porto-Sp. Braga)

Quanto ao futebol propriamente dito, o FC Porto voltou a virar a bitola para as provas europeias, no caso a Liga Europa, onde visitou o Utrecht à procura de responder à derrota sofrida em Nottingham, frente ao Forest (2-0), que foi também o seu primeiro desaire na presente temporada. Com seis pontos somados nas três primeiras jornadas, vencer em território neerlandês ia colocar a equipa de Francesco Farioli praticamente apurada para a fase a eliminar da segunda prova europeia, numa altura em que falta jogar metade da fase de liga. Nesse sentido, o técnico italiano deveria voltar a apostar o seu onze habitual, embora se perspetivasse que Gabri Veiga e Borja Sainz regressassem à titularidade, que estava confirmada para Zaidu Sanusi.

“Se olharmos à tabela, podemos ter uma perspetiva errada [sobre o Utrecht]. Na época passada acabaram em quarto e esta época mantiveram a estrutura. Têm uma equipa bem comandada, com muita qualidade nos flancos e um grande avançado. Temos de estar preparados para as dificuldades. A boa parte é que tivemos exatamente a mesma ideia [treinador adversário ofereceu livro]. Eu trouxe-lhe vinho. Foi uma equipa que não conseguimos vencer em dois jogos, no Ajax. Esperemos que este vinho nos ajude a ter melhor resultado [risos]. Polémica? A equipa está noutra página. Agora é a Liga Europa. Acho que o comunicado do FC Porto foi bastante claro. Não é só sobre o último jogo. Concordo com tudo que foi escrito nessa nota. Confio no presidente e na direção para resolverem este tipo de problemas. Tivemos uma partida fisicamente pesada contra o Sp. Braga, por isso temos de gerir algumas situações. Mesmo assim queremos jogar com o onze mais forte. Queremos fazer muitos pontos para nos qualificarmos para a próxima fase”, assumiu Farioli.

Ficha de jogo

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Utrecht-FC Porto, 1-1

4.ª jornada da fase de liga da Liga Europa 2025/26

Stadion Galgenwaard, em Utrecht (Países Baixos)

Árbitro: John Beaton (Escócia)

Utrecht: Vasilios Barkas; Siebe Horemans, Matisse Didden, Nick Viergever; Alonzo Engwanda, Gjivai Zechiël (Davy van den Berg, 62’), Dani de Wit (Sébastien Haller, 62’), Souffian El Karouani; Miguel Rodríguez (Mike van der Hoorn, 80’), Derry Murkin e David Min (Michael Brouwer, 68’)

Suplentes não utilizados: Kevin Gadellaa; Kolbeinn Finnsson, Can Bozdogan, Yoann Cathline, Zidane Iqbal, Adrian Blake, Miliano Jonathans e Mike Eerdhuijzen

Treinador: Ron Jans

FC Porto: Diogo Costa; Martim Fernandes (Alberto Costa, 68’), Jan Bednarek, Dominik Prpic, Zaidu Sanusi; Pablo Rosario, Stephen Eustáquio (Victor Froholdt, 68’), Gabri Veiga; Pepê (William Gomes, 54’), Borja Sainz e Deniz Gül (Samu Aghehowa, 79’)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, João Costa; Jakub Kiwior, Alan Varela, Tomás Pérez, Ángel Alarcón e Rodrigo Mora

Treinador: Francesco Farioli

Golos: Miguel Rodríguez (48’) e Sainz (66’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Pepê (24’), Prpic (26’), Martim (57’), Zechiel (62’), Froholdt (70’), Van den Berg (79’), Horemans (90+1’) e Alberto (90+6’), vermelho a Barkas (66’)

Em sentido inverso estava o Utrecht, que não tinha somado qualquer ponto nesta fase de liga e ainda  procurava o primeiro golo na competição. “Quando estava a analisar as imagens do FC Porto, procurava um exemplo de golo que tivessem sofrido, mas percebi que eles praticamente não sofrem. Só em cantos, grandes penalidades e golos na própria baliza. Será uma desvantagem para nós. Se os jogadores do FC Porto olharem para a nossa classificação, podem subestimar-nos, mas Farioli fará com que mudem de opinião. Ainda que o estilo de jogo não seja igual ao que ele tinha no Ajax, vejo algumas semelhanças. Tive conversas muito boas com o Farioli no passado, sobre os jogos. Foi um perdedor muito positivo [depois da goleada sofrida], um homem interessante, que tem mostrado ser um galvanizador e uma inspiração pelo que fez no Ajax e tem feito agora no FC Porto”, partilhou Ron Jans, técnico dos utreg.

Para lá de Zaidu, que rendeu Francisco Moura no onze inicial, Farioli operou outras sete alterações, mantendo apenas Diogo Costa, Jan Bednarek e Pepê. Assim, Martim Fernandes atuou no lado direito da defesa, com Dominik Prpic a juntar-se ao polaco ao centro. No meio-campo, o trio foi composto por Pablo Rosario, Stephen Eustáquio e Veiga, ao passo que Borja Sainz e Deniz Gül juntaram-se ao extremo brasileiro no ataque. No Utrecht, Souffian El Karouani, que foi associado aos dragões na última janela de transferências, foi titular, ao passo que Adrian Blake e Sébastien Haller começaram o jogo no banco de suplentes. Ainda antes de o jogo começar, os dragões perderam uma substituição já que, inicialmente, Moura foi anunciado como titular, devido a uma indisposição de Zaidu. O nigeriano acabou por recuperar e Farioli optou por fazer a alteração que tinha preparada, perdendo, à luz do regulamento da UEFA, uma substituição. Nesse sentido, o português nem se sentou no banco.

Num Stadion Galgenwaard lotado, com a presença de 1.200 adeptos portistas, o FC Porto começou com mais bola e instalado no ataque, mas demorou a encontrar o caminho do golo, não conseguindo criar perigo no último terço ofensivo. Na primeira tentativa, Gül recebeu bem de costas para a baliza e entregou em Eustáquio que, com um grande passe, isolou Gabri Veiga, mas o espanhol, isolado, atirou ao lado, com a bola a sair a rasar o poste esquerdo da baliza de Vasilios Barkas (12′). Pouco depois, o turco tentou de longe, mas a bola acabou nas mãos do guarda-redes (19′). Com os neerlandeses a defender com seis jogadores junto à área, fechando o espaço no corredor central, a equipa portista continuou a criar perigo nas suas acelerações e, depois de um passe picado de Prpic, Sainz cruzou atrasado para o remate de Gabri para as mãos de Barkas (35′). Pouco depois, Pepê isolou Eustáquio que, ao invés de rematar de primeira, contemporizou e perdeu espaço, atirando depois fraco para as mãos de Barkas (42′). No ataque seguinte, Gül ficou a pedir falta e a bola sobrou para a esquerda, onde El Karouani atirou para um grande corte de Prpic (44′). Assim, o nulo continuava a persistir ao intervalo (0-0).

Ao intervalo, Ron Jans lançou Yoann Cathline para o lugar de Derry Murkin e os utreg deram seguimento ao bom momento, com a Souffian El Karouani cobrar um livre na esquerda de forma rasteira, para a entrada da área, onde Miguel Rodríguez recebeu solto de marcação, levou para a área e atirou forte e cruzado para o primeiro golo do Utrecht nesta Liga Europa (48′). Francesco Farioli respondeu com William Gomes, que entrou para o lugar do apagado Pepê, com Jans a responder com Davy van den Berg e Sébastien Haller. Na sequência de uma recuperação alta de Gabri Veiga, os dragões partiram rapidamente para o ataque, com Deniz Gül a receber e a desferir um remate colocado para grande defesa de Vasilios Barkas, com Borja Sainz a encostar para o empate na recarga (66′). Na sequência do golo, Gabri foi rapidamente buscar a bola à baliza do Utrecht, empurrou Barkas, o guarda-redes encostou-lhe a cabeça e acabou expulso.

Já com Alberto Costa, Victor Froholdt e Michael Brouwer em campo, Souffian El Karouani assumiu a cobrança de um livre longe da baliza e desferiu um remate forte na direção do golo, com Diogo Costa a defender, de forma apertada, para canto (71′). Apesar de ter chegado ao empate e de jogar em superioridade numérica, o FC Porto continuou sem se encontrar no momento ofensivo e, com mais um remate de fora da área, Gabri Veiga obrigou Brouwer a uma grande estirada (77′). Para a reta final da partida, Farioli lançou Deniz Gül no lugar de Samu Aghehowa, com Jans a reforçar a defesa após a entrada de Mike van der Hoorn. No tempo de compensação, os portistas apostaram tudo na tentativa de chegar ao golo da vitória, mas o resultado não sofreu mais alterações e a turma de Francesco Farioli saiu dos Países Baixos com sete pontos (1-1).