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"E o Campeão É" edição de sexta-feira, 06 de novembro de 2026. É o primeiro dia sem Cristiano Ronaldo na seleção. Jorge Jesus anunciou esta tarde os convocados para o duplo compromisso na fase de qualificação da Liga das Nações, com algumas novidades. Estivemos a analisar esse assunto num especial de desporto que vai estar disponível daqui a instantes no site do Observador e nas plataformas de podcast. Por isso, avançamos para outros temas da atualidade desportiva. Há instantes, Paulo Fonseca fez a antevisão dessa estreia como treinador do Sporting. Amanhã, de frente em Alvalade, o Moreirense. A jornada 11 da Liga Portuguesa arranca esta noite com Famalicão e Arouca. É um assunto que vamos deixar também para a edição de amanhã de "E o Campeão É". Para já, com a ajuda do Augusto Inácio, do Gabriel Alves, do João Castro e do Pedro Henriques, olhamos para a jornada europeia das equipas portuguesas. O Torreense operou uma reviravolta histórica e venceu ontem o Ararat. Dois gols depois dos 90 selaram esse 3 x 2 final. No Estádio da Luz, o Benfica também deu 3 x 1 ao Lech Poznań e continua invicto na competição. Já na Liga Conference, o Braga foi à Dinamarca empatar a zeros frente ao Aarhus. Muito bem-vindos, campeões. Vamos começar por olhar o jogo do Benfica. Augusto Inácio, deu boa conta do recado Marco Silva e a sua equipa frente aos polacos do Lech Poznań, 3 x 1. O que nos diz este resultado em termos de exibição do que ontem se viu em campo?

Boa tarde a todos, mais uma vez. Deixa-me dizer que o Benfica cumpriu o seu papel, porque jogava em casa, era favorito. E somou mais uma vitória perante uns polacos que estavam perfeitamente ao seu alcance, mas claramente que essas coisas, facilitas, complicam-se. E deu para o Marco Silva rodar os jogadores outra vez e está a fazê-lo muito bem, porque as dinâmicas da equipa continuam em alta, principalmente a primeira parte do Benfica, que eu acho que foi muito boa. A segunda já teve algumas intermitências e o Carrasqueira teve aquele erro que deu a oportunidade do Lech Poznań poder discutir o resultado, mas Sudakov depois aproveitou e fez com que a equipa ficasse mais confiante. Diria que as equipas portuguesas, no seu todo, fizeram uma grande semana. Só o empate do Braga no Aarhus é que desvirtuou aquilo que foram as quatro vitórias anteriores, neste caso o Sporting, o Porto, o Torreense e mais o Benfica. Eu diria que foi uma semana em cheio para o futebol português, foi pena o Braga não ter ganho, mas claramente que o Benfica está dentro daquele processo de estabilidade em que mais uma vez, para este ano, se destacou.

Pedro Henriques, ainda assim, o fato mais interessante para os portugueses nesta Liga Europa é essa vitória incrível do Torreense, principalmente por essa reviravolta já depois dos 90. Pode sonhar o Torreense com uma passagem à próxima fase? Já leva seis pontos.

Para já, leva um avanço considerável sobre o Milan, o que é uma grande novidade.

Exato.

Isso aí faz logo toda a diferença. Brincando aqui um bocadinho, porque quando a gente olha para os orçamentos dos clubes e depois olha para as realidades desportivas, às vezes ficamos. Por isso é que o futebol tem esta magia e talvez dos poucos desportos onde isso pode acontecer. O Torreense ontem começa por ganhar e tinha o jogo controlado, depois há a expulsão e aí, obviamente, uma equipa com menos um fica com muito mais dificuldades e portanto, daí a equipa do Tulipa, e agora a equipa do Tulipa era a equipa de fora, para as pessoas que estejam menos atentas, do Aarhus, acabou por dar a volta. E depois, a expulsão do guarda-redes do Aarhus acaba por, de novo, colocar em jogo o Torreense. Ou seja, aqui nestes jogos, jogar com mais ou com menos um, ou jogar em igualdade, faz toda a diferença. E o Torreense voltou ao jogo e depois foi alma, foi atitude, foi muita garra e muito querer. E eu acho que é, de alguma maneira, esta questão que é quando tu não tens responsabilidade, na perspectiva que só estás presente, já valeu o bilhete, como se costuma dizer, e portanto, tudo que possa advir a seguir é ganho. E não havia essa responsabilidade e, ao mesmo tempo, isso dá um nível de motivação bastante grande. E o Torreense, assim de repente, faz seis pontos e se é legítimo que qualquer clube na Liga Europa ou na Champions, com nove pontos, possa pensar que pode ir pelo menos ao playoff, é legítimo que o Torreense, sem olhar para a lógica que os clubes que lá estão, que são todos melhores que o Torreense num plano acadêmico e teórico, o Torreense é da Liga 2, é possível que o Torreense possa vir fazer esses tais nove ou até mais pontos e que possa ir, que seria histórico também, a um playoff. O que eu tenho pena no meio disso tudo, relativamente a uma realidade portuguesa que me deixa um bocadinho triste, é que o Torreense, por razões também diversas, não tem um estádio onde possa jogar em casa, é porque o Casa Pia está na Primeira Liga e não devia estar há quatro anos sem um estádio. Os estádios onde se jogam, ontem até tivemos a situação caricata do Aarhus e do jogador do Torreense a fazerem de jardineiros. Andamos aqui a discutir essas questões dos rebaixamentos e etc. A federação, neste momento, é uma casa a arder, no meu ponto de vista, com muitos problemas e com mais este problema que é a incapacidade que tem de resolver a ajuda que tem que ser dada aos clubes para que o Torreense possa jogar em casa em qualquer circunstância, para que o Casa Pia não ande com a casa às costas e, portanto, é uma coisa tão básica como

Ter condições.

Gabriel Alves, uma jornada europeia positiva para as equipas portuguesas, à exceção do Braga, que ainda assim vai buscar um ponto à Dinamarca nesse encontro da Liga Conferência frente ao Aarhus. Mas olhando para os resultados desta jornada de Liga Europa, salta à vista esta derrota do Milan, que depois de ter vencido o seu grande rival na liga, o Inter, chega à Europa e volta a escorregar frente ao Ferencváros.

Olha, isto está a ser muito falado, naturalmente, em Itália. Porque quatro derrotas sem os principais jogadores. É verdade que com duas equipas, por exemplo, aquilo que o Marco Silva está a fazer e estão na mesma prova. Marco Silva está a fazer um bom trabalho, está a fazer aquilo que é o projeto que ele tem de treino, portanto é dar trabalho a todos os jogadores e rodá-los em alta competitividade, competição. E ontem jogava com o 74º. O Benfica é 17º, o outro 74º. Naturalmente, pelos estudos que tinha da equipa adversária, achou que seria um bom momento para o voltar a fazer. A verdade é esta. Tem um bom jogo, o resto já foi dito por Augusto Inácio. Eu só queria chamar a atenção, mas isso é global. O Benfica está a sofrer bastantes gols, jogo a jogo, isso é fundamental. Agora este Milan não, faz uma grande partida naquilo que é o dérbi milanês e até italiano com o Inter, no fim de semana e eu estou à vontade, comentei esse jogo. E depois chega aqui e naturalmente é o desastre que foi. O Ruben Amorim, independentemente de estar a ser muito apoiado pelo CEO do clube, há uma coisa que se chama os pipocas. E esses muitas vezes pressionam para que as coisas tenham que mudar. Vamos ver se consegue ou não, independentemente do próprio dono do Milan dizer que o mercado agora de janeiro, será o mercado onde o Milan vai estar. Vamos aguardar, vamos ver.

João Castro, bem-vindo também a esta emissão de "E o Campeão É". Um rápido comentário também a esta jornada europeia que teve vitórias do Sporting, do Porto e do Benfica, também do Torriense. É talvez a melhor destas competições europeias em que as equipas portuguesas estão envolvidas até agora. Mas queria também o teu comentário a estas primeiras palavras de Paulo Fonseca a fazer a antevisão do jogo com o Marítimo, amanhã em Alvalade.

Bom dia a todos. Em relação à jornada europeia, eu tinha dito que todos iam ganhar, falhei realmente no Braga. Lá estava a vitória bracarense para o Pêo atingir o pleno, mas foi uma excelente jornada europeia. Sobre o Benfica, deixem-me dizer duas coisas. De alguns adeptos do Benfica mais insatisfeitos com o futebol praticado, mas o Benfica mudou muitos jogadores. E não é fácil mudar muitos jogadores, manter as mesmas dinâmicas e meter a nota artística. O mais difícil é manter esta mentalidade competitiva que é para ganhar sempre, seja com quem for, seja quem for a jogo, e isso o Marco Silva tem cumprido. Portanto, dar os parabéns ao treinador Marco Silva. Já o Rúben Amorim, por exemplo, não conseguiu, rodou a equipa e ele tinha avisado também na conferência de imprensa que podia correr mal. E já agora, aquele lance do Enzo, aquele falhanço, aquilo é aquela padronização daquele movimento. Ou seja, aquilo é muitas vezes treinado, só que o jogador antes de fazer aquilo tem que rodar o pescoço e ele como médio tem que saber isso. Antes receber a bola para ver quem é que estava lá e ele padronizado, meteu a bola onde devia meter, mas esqueceu-se que estava lá um jogador. Em relação ao Paulo Fonseca, eu acho que entra bem com palavras importantes sobre aquilo que o Sporting precisa de fazer. Ressalvar aqui um pormenor, que é que o Paulo Fonseca vai a jogo com muito pouco treino. Houve o treino antes da apresentação, houve um treino ontem, mas lá está, com os jogadores que jogaram muito menos, mas houve muito vídeo. E penso que hoje de manhã houve treino outra vez. E portanto, é pouco treino, é muito trabalho que é preciso fazer para corrigir. Uma coisa pelas imagens que se viu, que o Sporting apresentou na mídia do treino, é que parece que a malta vai ter que andar com outro andamento, com outra intensidade, vai ter que correr mais. Parecia-me que há uma diferença se calhar grande sobre aquilo que era o treino menos intenso e que agora que o Paulo quer aumentar o nível de intensidade, porque a forma como o Paulo joga, a forma como pressiona, vai ter que haver outro nível de velocidade. E portanto, parece-me que o Paulo Fonseca esteve bem nas palavras que apresentou na apresentação e já hoje. E eu acho que já começa a desvendar aqui um bocadinho que a exigência vai aumentar para os jogadores.

Muito bem, vamos fazer a ronda pelas notas que marcam a atualidade. Começo com o Augusto Inácio. Augusto, quem é o teu campeão de hoje e com que nota?

Olha, o nosso Torriense, eu digo que o Torriense é de nós todos mesmo. O Torriense, esta vitória, a segunda vitória numa equipa da Segunda Liga, é sempre um grande feito, nota 17. Basicamente queria dar nota 16 e só dou a nota 16 porque o Benfica teria que ganhar este jogo ou tinha pelo menos essa capacidade de ganhar o jogo e ganhou. Nota 16. E também, por que não, para o futebol português. Em cinco jogos que tivemos, quatro vitórias, o empate foi só do Braga. Acho que é muito bom para o ranking do futebol português.

E o campeão do Pedro Henriques?

Três notas rápidas, também jornada europeia das equipas portuguesas, já salientamos aqui nota 18, foi tudo muito positivo, isto é sempre importante. Também nota 20 para o Torriense e já agora para o seu treinador em termos europeus, o João Nuno, treinador do Torriense. E para aquilo que foi esta conferência de imprensa da Federação Portuguesa de Futebol. Há bocado perguntávamos qual era a novidade, qual era a ausência. É CR7. Estou triste pelo momento, não é pela saída dele, isso teria que acontecer mais tarde ou mais cedo, é pela forma como chegamos a este patamar e parece que aqueles que são os responsáveis, está tudo OK, está tudo bem. Estou triste com isso, com essa ausência de capacidade de perceção daquilo que é a realidade. E nós em Portugal, cada vez mais, temos pessoas em cargos de poder com uma ausência completa e total daquilo que é a diferença entre o que eles pensam, o que acham, o mundo em que vivem e a realidade. Este é um bom exemplo da Federação Portuguesa de Futebol no estado em que está atualmente e por isso, nota zero.

Gabriel Alves, para quem vão as tuas notas hoje?

Vai 20 para o Pedro Henriques, por aquilo que expôs, não só agora, como já expôs no especial há pouco, aqui na Rádio Observador. Depois a minha nota vai para o Torrieira e para a produção das equipas portuguesas na Europa. Vou dar 18, mas vou dar 20 também. E vou dar 20 a Bill Gates. Muito interessante, diz que com aquilo que é atual, inteligência artificial e todos os problemas, toda a complexidade, em relação a profissões a curto, médio e longo prazo, há quatro que estão garantidas: programação, biologia, setor energético e desporto profissional. Vou pegar o desporto profissional assim. Estou a citar Bill Gates: "A tecnologia pode ajudar a analisar o desempenho dos atletas e a aprimorar o treino, mas a competição ainda depende das habilidades, do talento, da qualidade dos praticantes." 20 para Bill Gates e era bom que se lesse, porque lendo vai-se aprendendo com os outros. Eu leio e aprendo e chego à conclusão muitas vezes, se é pouco.

Foi durante uma entrevista no programa de Jimmy Fallon, nos Estados Unidos. João Castro, vamos fechar com o teu campeão de hoje.

18 para as equipas portuguesas, muitos pontos para o ranking de Portugal. Portugal a subir e a aproximar-se. E depois tenho que dar também para a convocatória uma nota 16 para o JJ, porque conseguiu trazer novos jogadores e era importante trazer sangue novo para a seleção. E foi conseguido com o Varela, com o Moura, com o Kenda. Acho que é importante essa visão de futuro também dos jogadores, até porque temos muita qualidade nos escalões inferiores da seleção, portanto, nota 16 para a convocatória JJ.

Está feita a edição de hoje de "O Campeão É". Regressa durante o fim de semana, sábado e domingo, depois das 11h30.