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Está dado o apito inicial para mais um Sem Falta da Rádio Observador, o último por motivos europeus esta semana. Vamos regressar no fim de semana com o campeonato. Hoje, quinta-feira, foi noite de acompanhar o Benfica 3, Lech Poznań 1, quarta jornada da Liga Europa, mais uma vitória para os encarnados num jogo, Pedro Henriques, apitado pelo árbitro esloveno Martin Matosa e que ao minuto cinco teve golo do Benfica. Resta saber se o árbitro se deu bem em validar o golo do Rafa.

Sim, se deu bem. Dois momentos de análise no golo do Benfica. Primeiro, a maneira como o Benfica recupera a bola, porque se fosse sem falta, o VAR poderia intervir. Quem perdeu a bola foi o Wagner, o avançado da equipa dos polacos, e foi o Manu Silva que tirou essa mesma bola do Wagner, sem falta, com o calcanhar da perna esquerda tocou na bola e tudo certo na maneira como o desarmou. E depois, embora sem grandes dúvidas, a bola entrou mesmo na baliza, quando o Kozubal ainda tentou ir lá em taico para tentar tirá-la, a bola já lá estava. Até penso que foi o Duran que depois a seguir ainda rematou para o fundo da baliza, mas o gol já tinha sido validado. E relembrar que existe tecnologia ligada a um dos relógios que o árbitro tem, na Liga dos Campeões, obviamente, que sempre que a bola transpõe completamente a linha de baliza, mesmo que seja imperceptível para nós ou olho humano, aqui não há sequer a videoarbitragem, é a tecnologia TLG que está ligada ao tal sistema e que deu o gol, mas também foi muito claro, neste caso, em termos visuais. Portanto, gol legal do Benfica.

Temos depois, ao minuto 18, na tua opinião, um amarelo que ficou por mostrar a Murawski, da equipa do Lech Poznań.

O único caso de jogo menos bem conseguido, porque também foram poucos e todos muito fáceis. O árbitro tentou fazer essa gestão e nós na altura, no direto, até falamos sobre isso, que é numa situação a favor de uma equipa e depois tem a sorte do jogo ter outra situação para a outra equipa e no fundo ele avisa as duas equipes e faz as chamadas advertências verbais. Mas há lances e essa gestão é possível fazer em algum tipo de entrada. Agora, este lance não tinha gestão possível, que é a chamada falta tática, ou seja, na câmera master, que é aquela que mostra o plano todo do campo, percebe-se que o Schjelderup vai fazer uma transição ofensiva, vai a passagem da linha do meio-campo, em velocidade, com perigo, já com até alguma superioridade numérica para os jogadores do Benfica e, vou tentar dizer o nome correto, o Murawski.

Estamos todos aqui a ver nos gregos para dizer nomes polacos, não é?

É exatamente, é só W existe.

O meu melhor amigo no curso era polaco e eu nunca aprendi a dizer o apelido dele. Às vezes os trabalhos eu tinha que escrever o nome dele, tinha que sempre ter a cópia, não dava para decorar. Impossível. Aliás, é aquela coisa da consoante atrás de consoante, que nós não achávamos.

Exatamente. Prontos, mas vou tentar, acho que estou a dizer bem, Murawski tem uma entrada por trás, pé esquerdo no calcanhar direito do Andreas Schjelderup, com o objetivo de parar esta saída, esta transição, este contra-ataque. E portanto, era mesmo para cartão amarelo e o árbitro não mostrou.

Temos depois ao minuto 27, um amarelo para Agner, também da equipa do Lech Poznań. Bem mostrado, Pedro?

Sim, porque na altura falava-se que a entrada era muito dura e portanto, em termos plásticos, em termos de observação no campo, os nossos colegas que estavam lá no campo ficavam com a ideia que aquilo poderia ter sido um bocadinho mais, mas não. Porque um dos fatores importantes para este cartão amarelo do Agner ser só cartão amarelo, é uma entrada sobre o Etxeberria, é que ele, Agner, ao esticar a perna esquerda, acerta claramente e primeiro na bola. Isto é mesmo um atenuante para a intensidade e para a gravidade. Depois, porque é uma entrada que acaba por ser dura, negligente, porque acerta na bola, mas não para o movimento e depois acaba mesmo por acertar no calcanhar. Se fosse uma entrada diretinha, sem tocar na bola, que o Etxeberria ficasse com a bola, tinha a bola e fosse direto ao calcanhar, poderíamos estar a falar de outra maneira. Aqui não, há atenuante dele jogar claramente a bola e jogou mesmo. E depois a seguir, na sequência do movimento, é que acabou por acertar no calcanhar e portanto enquadra-se isso na negligência e por isso cartão amarelo bem mostrado.

Temos depois, Pedro, ao minuto 30, um lance a envolver Duran na área do Lech Poznań, reclamaram um pênalti os homens do Benfica. Resta saber se havia motivos para isso.

Não, não havia. O Duran foi o único também que reclamou de alguma maneira. O Duran tentou passar por entre dois adversários, na área dos polacos. Do lado direito, conforme o Duran estava a atacar, estava o Jeglęk e à esquerda, este é que eu não consigo dizer, SKRZYPCZAK.

Uma password muito segura, podemos chamar-lhe assim.

Sim, exatamente. Eu não sei como é que se diz mesmo esse nome. Um outro jogador, que acho que era o 72, portanto é um nome muito difícil. E ele, Duran, ao passar entre estes dois jogadores, acaba por entrar em contacto a nível do corpo. Há esse contacto, porque os jogadores, de alguma maneira, estão ali a apertá-lo na disputa do espaço e naturalmente da bola. Como digo sempre, quem está a atacar normalmente tem tendência a cair, quem está a defender normalmente fica de pé, é o normal, natural, mas este contacto é apenas contacto, não há rasteira, não há carga, não há sequer obstrução para não deixar passar o jogador do Benfica e portanto não há motivo para apontar pênalti.

Ao minuto 42, para fecharmos os lances desta primeira parte, um amarelo para Daniel Bendжіak, da equipa do Benfica.

E foi bem mostrado. É um lance em que o Gurgul está a tentar, se passa, entrava, embora descaído para o lado esquerdo, conforme estava a atacar, na área do Benfica, e o Bendжіak, sem qualquer hipótese de jogar a bola, vai lhe recetar a trajetória. Portanto, faz ali uma rotação, coloca-se mesmo à frente com o objetivo mesmo de obstruir a passagem. Dá o corpo às balas e portanto corta um ataque prometedor com esta obstrução, com contacto e sem qualquer objetivo de jogar a bola, apenas destruir a jogada e portanto livre direto e cartão amarelo bem mostrado.

E temos na segunda parte um só lance ao minuto 60. Foi uma segunda parte relativamente calma, relativa não, absolutamente calma para a equipa de arbitragem. Sessenta minutos amarelo para Manu Silva do Benfica. Bem mostrado também.

Sim, e bem mostrado. É uma situação em que o Manu também deu o corpo às balas, neste caso estica a perna esquerda e acaba por ponteapear a perna esquerda do, aqui está um nome que não é polaco, do Pablo Rodríguez, que é o avançado espanhol do Lech, com o objetivo de parar a jogada. Por quê? Porque foi uma perda de bola de um colega dele, já não me recordo quem, e o Manu teve mesmo que fazer a falta porque a equipa do Benfica estava em termos posicionais descompensada e portanto foi mesmo pra parar a jogada. Até que um misto de entrada negligente pelo pontapé e ao mesmo tempo falta tática e portanto cartão amarelo bem mostrado.

Para fecharmos este "Sem Falta", com análise à arbitragem do esloveno Martin Matosa na vitória do Benfica frente ao Lech Poznań por três bolas a uma, vou pedir Pedro Henriques nota à equipa de arbitragem.

Nota seis, é um jogo fácil, com arbitragem positiva, tem apenas como senão o cartão amarelo que ficou por mostrar, tal que não tinha gestão possível de fazer, e o tempo extra, que não abordámos aqui. Se bem que o jogo já estava resolvido a favor do Benfica, mas voltamos à velha questão, porque os gols marcados frios aqui têm sempre peso e são importantes e, portanto, o tempo extra dado, tanto na primeira parte deu um minuto, devia ter dado dois, e na segunda parte deu três, devia ter mostrado cinco. E digo isto porque, se por exemplo, na segunda parte tivemos três gols, uma mostragem no cartão amarelo e seis paragens para onde entraram 10 jogadores em termos de substituições e, portanto, três minutos foi claramente escasso. Isto são os senãos. O lado positivo foram todas as decisões que ele acabou por ter. Ou seja, falhou num amarelo, mas todos os outros amarelos que mostrou foram corretos e depois o gol do Benfica logo a abrir, e é um gol que é importante também, foi legal e praticamente não teve grandes casos para análise, foi dos jogos mais simples de arbitrar que eu tenho interesse de comentar sob o ponto de vista de arbitragem. O árbitro não tem culpa disso, mas também não lhe vou esticar muito a nota como ontem dei, por exemplo, na Liga dos Campeões a nota oito. Portanto, nota seis, uma arbitragem positiva e sem casos, uma arbitragem bem conseguida.

Está feito e entregue mais um "Sem Falta". Apito final para mais um "Sem Falta" do nosso áudio. Árbitro Pedro Henriques com análise aos casos do Benfica-Lech Poznań. Estamos de regresso este sábado no campeonato para a estreia de Paulo Fonseca no Sporting Murirense. E depois temos dose dupla no domingo, primeiro com o jogo do Porto, depois com o jogo do Benfica. O Benfica vai até à Reboleira. O bloco do Porto agora não tenho aqui presente, Pedro, mas vamos com certeza encontrar-nos nesse jogo do futebol clube.

O Porto é um jogo difícil. Vai a Alvalade.

Vai ao Vitória Sport Clube. Um jogo difícil para o Dragão. Um grande abraço, Pedro.