Ainda não era a última, mas era claramente a mais importante. Este domingo, Miguel Oliveira despedia-se do Grande Prémio de Portugal em MotoGP na penúltima corrida da temporada e antes de deixar o Campeonato do Mundo onde foi o primeiro e único português a participar. Num Circuito Internacional do Algarve onde chegou a vencer, em 2020, o piloto cumpriu um fim de semana naturalmente emotivo.

Os bonés, as camisolas e os casacos com o obrigatório 88 repetiam-se um pouco por todo o lado nas bancadas do circuito algarvio, assim como as bandeiras de Portugal e a ideia de que os adeptos do MotoGP apareceram em peso para mais uma etapa do Campeonato do Mundo em solo português. Depois de ter sido 16.º na corrida sprint de sábado, arrancando em 19.º, Miguel Oliveira foi desde logo o protagonista do primeiro momento emotivo de domingo graças a um Hino Nacional cantado em uníssono — e com direito à presença da mulher e dos filhos do piloto português, que não escondeu a emoção, para além de amigos como o skater Gustavo Ribeiro e o cantor Dillaz.

“Tem sido um fim de semana muito emocionante. Tentei ficar à margem dessas emoções, mas é impossível não ficar emocionado, ficar indiferente ao carinho que as pessoas demonstram. Percebo que só por estar na grelha já estão comigo e isso deixa-me com um sorriso na cara e dá-me força para tentar fazer melhor. Do ponto de vista desportivo, mesmo se não fosse o Grande Prémio de casa não estaria satisfeito com isto, mas o facto de estar em casa cria… Não quero usar a palavra ‘desilusão’, mas diria uma expectativa não correspondida. Temos o ‘mindset’ correto para amanhã e com uma ajuda da mota as coisas podem correr bem ou pelo menos melhor”, disse o piloto natural de Almada ainda este sábado e numa conferência de imprensa onde apareceu com a filha ao colo.

Ora, já este domingo e com o sol a abrilhantar o dia da despedida do Circuito Internacional do Algarve, Miguel Oliveira voltou a arrancar de 19.º numa corrida onde Marco Bezzecchi saía novamente da pole-position — e à procura de um resultado melhor do que o da sprint, onde não foi além do terceiro lugar atrás do vencedor Álex Márquez e Pedro Acosta. Bezzecchi segurou a liderança no arranque e Franco Morbidelli caiu logo na primeira volta, com o piloto português a conquistar quatro posições muito rapidamente para subir a 15.º e aos pontos.

Joan Mir abandonou na sexta volta devido a problemas na Honda e seguiu-se Pecco Bagnaia, que seguiu em direção à gravilha e já não voltou à pista, deixando Miguel Oliveira em 14.º. Já nada mudou na frente e Marco Bezzecchi conseguiu mesmo vingar-se da sprint e vencer o Grande Prémio de Portugal, seguido de Álex Márquez e Pedro Acosta, com o piloto português a despedir-se da corrida de casa nos pontos. Daqui a uma semana, em Valencia, Miguel Oliveira diz o definitivo adeus ao MotoGP — por agora.