O IPMA confirmou esta segunda-feira a ocorrência de dois fenómenos de vento extremo no Algarve, ambos resultantes da passagem da depressão Cláudia, que desde 12 de novembro tem afetado o continente e a Madeira. Entre eles está um tornado que, no sábado, atingiu Albufeira com rajadas de 220 quilómetros por hora.

De acordo com o comunicado divulgado pelo IPMA, pelas 10h02 deste sábado, ocorreu em Albufeira um fenómeno que, após análise dos danos e da informação disponível, foi classificado como tornado. O instituto refere que “o tornado de Albufeira ter-se-á iniciado junto à faixa costeira, estimando-se que possa ter mantido contacto com a superfície num trajeto de cerca de quatro quilómetros, com uma orientação sudoeste-nordeste”.

“Tratou-se de um tornado mesociclónico por estar associado à presença de um mesociclone na supercélula-mãe”, esclareceu o IPMA, sublinhando que o tornado deverá ter classificação de IF2, estimando-se que o valor do vento máximo instantâneo associado tenha sido da ordem de 60 metros por segundo, o equivalente a 220 quilómetros por hora.

Em entrevista ao Observador, o meteorologista do IPMA Paulo Pinto descreveu o fenómeno Cláudia como “uma depressão extremamente adversa, em termos de condições meteorológicas, porque praticamente tudo aconteceu, desde tornados, downbursts, vento forte, granizo, precipitação intensa e descargas elétricas”.

O especialista confirmou que o tornado em Albufeira esteve associado a uma supercélula, “uma espécie de nuvem de trovoada com características especiais que pode, em função dessas características, produzir tornados”. Apesar da presença de várias supercélulas no sábado, poucas geraram tornados, o que, para Paulo Pinto, é habitual. “Algumas delas produziram vento forte, [mas] nem todas elas produziram tornado, felizmente”, acrescentou.

A grande dificuldade está, sobretudo, na previsão. “Nós não conhecemos exatamente o mecanismo, portanto não há uma relação ainda conhecida entre estes ingredientes e as exatas condições em que o tornado se forma”, admite Paulo Pinto. Por isso, não é possível emitir avisos de tornado com antecedência útil. “Não conseguimos prever, só mesmo em cima do acontecimento, ou às vezes nem isso. São fenómenos de escala muito reduzida e têm ciclos de vida muito curtos“, sublinhou ao Observador.

Na mesma manhã, mas às 11h22, foi registado outro fenómeno de vento forte em Lagoa, que o IPMA não qualificou como tornado e que tem a classificação de IF1.5, estimando-se que o vento máximo instantâneo tenha sido da ordem de 50 metros por segundo, o equivalente a 180 quilómetros por hora.

“O outro fenómeno de vento forte iniciou a sua propagação sobre terra na zona de Ferragudo, estimando-se que tenha mantido contacto com a superfície ao longo de um trajeto de quase sete quilómetros, também com orientação sudoeste-nordeste”, lê-se na nota.

O tornado que atingiu Albufeira causou a morte a uma cidadã britânica de 85 anos, que estava no Parque de Campismo de Albufeira, e 28 feridos, de nacionalidade portuguesa, espanhola, francesa e britânica, divulgou a Proteção Civil.

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O vento forte provocou danos significativos naquele parque de campismo e num empreendimento turístico, tendo sido também registados danos em estruturas e múltiplas quedas de árvores em Lagoa e Silves. O Hospital de Faro recebeu no sábado seis pessoas que ficaram feridas na sequência do fenómeno extremo de vento que atingiu Albufeira, um dos quais, um idoso de 87 anos, é um ferido grave.

O ferido grave está internado na unidade de Faro da Unidade Local de Saúde (ULS) com politrauma, tendo ainda dado entrada duas outras vítimas classificadas como menos graves: uma mulher de 77 anos e um homem de 78.

Além destas, há ainda três vítimas sem indicação de gravidade, transferidas para o hospital do Serviço de Urgência Básica (SUB) de Albufeira: um homem de 59 anos e outras duas vítimas, cuja idade se desconhece, e que tiveram alta ao início da tarde de sábado.