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Associação da Família Conservadora acusa escola de Sintra de exibir "cenas de sexo explícito". Direção recebeu uma queixa e vai averiguar

Este artigo tem mais de 6 meses

Em causa está o filme sobre o pianista Ray Charles, "Ray", lançado em 2004. Obra foi exibida a alunos do 5.º ano, mas de acordo com o site IMDB, só deve ser visto por pessoas com mais de 12 anos.

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DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Um professor da escola básica Padre Alberto Neto, em Rio de Mouro, Sintra, está a ser acusado de expor alunos de 5.º ano a “cenas de sexo explícito”. A denúncia foi feita pela responsável da Associação da Família Conservadora, Maria Helena Costa, na rede social Instagram. Confrontado com esta informação, o diretor do Agrupamento de Escolas Leal da Câmara diz ter recebido apenas “uma exposição” de um encarregado de educação.

Em causa está o filme “Ray”, lançado em 2004 e com Jamie Foxx como ator principal. A obra conta a história de vida do pianista norte-americano Ray Charles, e aborda não apenas a carreira do música como também a sua vida amorosa e a dependência das drogas.

Em declarações ao Observador, por email, o diretor do agrupamento, Jorge Lemos, admitiu ter tido “conhecimento da alegada exibição do filme ‘Ray’, numa aula de Educação Musical do 5.º ano de escolaridade”.

A informação chegou à direção “através de uma exposição que foi dirigida por uma encarregada de educação”, acrescenta este responsável, sem detalhar qual o conteúdo desta exposição.

“Isto [o filme] só tem cenas de sexo explicito. E nas turmas com miúdos de 10/11 anos, na escola Padre Alberto Neto, em Rio de Mouro, os alunos ficam a olhar para o chão envergonhados. E o professor ainda goza com eles a perguntar se não gostam de ver aquilo. O que é que os professores pretendem ao expor miúdos de 10/11 anos a filmes com cenas absolutamente pornográficas, com sexo explícito?”, questiona a também cronista do Observador Maria Helena Costa no vídeo que entretanto já conta com mais de 13.500 visualizações.

Face a estas acusações, o diretor do agrupamento de Rio de Mouro diz apenas que “os factos relatados estão a ser devidamente averiguados“.

De acordo com o site IMDB (uma espécie de base de dados com várias informações sobre filmes, séries, documentários e outros programas), este filme é indicado para pessoas com mais de 12 anos, sendo que a categoria de “Sexo e Nudez” do guia parental é avaliada neste filme como “suave”.

Numa avaliação feita pelo Observador a este filme, no total registam-se quatro cenas de “sexo e nudez”. A primeira acontece por volta do minuto 11, numa cena em que surge uma mulher sentada na cama, a falar com Ray Charles, completamente tapada por um lençol à exceção dos ombros. O diálogo das personagens dá a entender que houve relações sexuais, com a mulher a pedir a Ray Charles que volte para a cama porque “ainda não terminou o seu trabalho”.

O segundo momento só ocorre ao minuto 52, quando Ray Charles e uma outra mulher (com quem irá casar-se) surgem deitados na cama. Vê-se a mão do pianista a percorrer as costas da mulher, que está deitada no seu peito.

Ao fim de uma hora e sete minutos, Ray Charles volta a surgir deitado numa cama, ao lado de uma outra mulher (que acaba por se tornar sua amante). Aí surge a primeira cena de nudez explícita, mas apenas por breves segundos, quando a mulher se senta e o lençol que a tapava descai. Já com 1h24 de filme decorrida, o pianista volta a envolver-se com uma mulher, surgindo esta de roupa interior, mas uma vez mais por meros segundos, terminando a cena nesse momento.

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