Um jogo inaugural que pela primeira vez se repete entre México e África do Sul, um grupo que volta juntar Brasil, Marrocos e Escócia numa fase final, os adversários de peso de estreantes como Cabo Verde, Jordânia, Curaçau ou Uzbequistão, os duelos diretos entre antigos campeões como o Espanha-Uruguai, a estreia da atual detentora do título Argentina com a Argélia. Houve de tudo um pouco na análise ao sorteio da fase final do Campeonato do Mundo em Washington na passada sexta-feira mas nada superou os comentários que se multiplicaram ao Prémio da Paz atribuído por Gianni Infantino, líder da FIFA, a Donald Trump, presidente de um dos três países anfitriões da competição, os EUA. Agora, preparam-se mais “comentários”.

De acordo com o The Athletic, o Comité de Ética da FIFA recebeu uma queixa contra o próprio Infantino, que alega não só “violações repetidas” do dever de neutralidade política do presidente do órgão que tutela o futebol mundial como pede uma “investigação” a todo o processo interno que levou à entrada desse mesmo galardão a Trump, com o pomposo nome de “Prémio da Paz – o Futebol Une o Mundo” e um troféu maior do que a própria taça de campeão mundial que veio com uma medalha e mais um “certificado”.

A queixa foi apresentada por uma organização sem fins lucrativos de defesa de direitos chamada FairSquare, que se centra mais em específico nos direitos dos migrantes laborais, na repressão política e no desporto, e que se apresenta como uma instituição que pretende promover “uma melhor e mais democrática governação para evitar que as instituições desportivas contribuam para danos e sofrimento”. Na queixa de oito páginas a que a publicação teve acesso, são apontadas quatro alegadas violações do dever de neutralidade que consta do artigo 15 do Código de Ética da FIFA, detalhando cada um desses pontos ao longo da queixa.

O primeiro recorda aquilo que foi uma publicação de Infantino no Instagram na véspera da atribuição do Prémio Nobel da Paz que acabaria por ser entregue à política e ativista venezuelana Maria Corina Machado, quando escreveu: “O Presidente Donald J. Trump merece definitivamente o Prémio Nobel da Paz pelas suas ações decisivas”. “É um claro apoio a Donald Trump numa situação política controversa”, aponta a FairSquare, que acrescenta depois outras intervenções públicas do presidente da FIFA no America Business Forum, em Miami, e no próprio sorteio da fase final do Campeonato do Mundo de 2026.

Na parte final do mesmo documento, a queixa aponta para aquilo que são os “processos internos da FIFA” para a criação do Prémio da Paz. “A atribuição de um prémio desta natureza a um dirigente político em funções constitui, por si só, uma clara violação do dever de neutralidade da FIFA. Ao mesmo tempo, os Estatutos da FIFA indicam que a decisão de instituir um Prémio da Paz da FIFA deveria ter sido tomada pelo Conselho da FIFA. ‘O Conselho define a missão, a direção estratégica, as políticas e os valores da FIFA, em particular no que diz respeito à organização e ao desenvolvimento do futebol a nível mundial e a todas as questões relacionadas’, defende o artigo 34.º”, destaca a mesma participação apresentada pela FairSquare.

“É uma das maiores honras da minha vida. Salvámos milhões e milhões de vidas. O Congo é um excelente exemplo disso mesmo. Dez milhões de pessoas morreram e antes que outros dez milhões de pessoas morressem, conseguimos intervir. Se pudermos fazer isso noutros países, como Índia ou Paquistão, e prevenir que outros tantos milhões não sofram o mesmo. É uma grande honra estar aqui com o Gianni [Infantino]. Este é um grande tributo a todos. Alcançámos números que nem o Gianni esperava. Quero dedicar algumas palavras à minha mulher, Melania, obrigado por estares aqui comigo hoje. Temos uma excelente relação com o Canadá. Também temos aqui o México. São dois países com quem trabalhamos de perto. O Mundo é um lugar mais seguro hoje. Gianni, muito obrigado”, agradeceu Donald Trump.