O festival Evil Live regressa em 2026 com novas alterações ao seu formato e ao local onde vai decorrer, regressando à Meo Arena e concentrando-se num único dia, a 5 de julho, anunciou a promotora Prime Artists esta terça-feira.

Além das novidades do formato, a organização adiantou também os primeiros nomes que compõem este cartaz, tratando-se de Marilyn Manson, Mastodon, The Gathering e Imminence.

O festival regressa assim à sala do Parque das Nações, onde foi organizado em 2023 e 2024. Na edição de 2025, decorreu ao longo de três dias no Estádio do Restelo, tendo como cabeças de cartaz Judas Priest, Korn e Slipknot.

Evil Live. A fórmula vencedora de um festival de peso

Quanto aos nomes anunciados, trata-se do regresso de Marilyn Manson a Portugal depois de uma atuação em novembro no Campo Pequeno. Esta será a 11.ª vez do controverso shock rocker no nosso país — a estreia deu-se em 1997 no Sudoeste —, e a segunda desde que conseguiu evitar ir a julgamento pelas acusações de violência doméstica e de violação que pendiam sobre si.

Outro dos nomes fortes é Mastodon, marcando assim o retorno da banda de sludge/prog metal que esteve por cá em 2022 para tocar no VOA Heavy Rock Fest, o sucessor do Evil Live. É também a primeira vez que o conjunto se apresenta em solo nacional sem o ex-guitarrista Brent Hinds, que abandonou o projeto em março de 2025 e morreu subitamente num acidente de viação em agosto.

O evento marca também o fim de um hiato de 17 anos desde que os The Gathering deram um concerto em Portugal. O grupo neerlandês — uma referência no que toca à interseção entre o doom metal e o rock alternativo — volta de novo com a sua mais famosa vocalista, Anneke van Giersbergen, ao leme. Por fim, foram também anunciados os suecos Imminence, com o projeto de metalcore em estreia absoluta por cá.

A Prime Artists adiantou que os bilhetes já estão à venda, custando entre 75 e 79 euros.

Prime Artists sublinha que mudanças não têm “qualquer relação com questões financeiras”

No comunicado original onde anunciou a edição de 2026 e os artistas confirmados, a Prime Artists refere a decisão de regressar ao “formato que moldou a identidade do evento e consolidou a sua reputação”, caracterizando-o como “uma experiência concentrada e tecnicamente irrepreensível”. Todavia, esta é a primeira vez que o festival se concentra numa única data, sendo que nas edições de 2023 e 2024 contou com dois dias.

Este anúncio decorre depois do jornal online Página Um ter noticiado que a Prime Artists se encontra em “falência técnica” e com um “capital próprio negativo de 787.819 euros”.

Carlos Marreiros, promotor e fundador da Prime Artists, nega que o Evil Live tenha tido dias reduzidos devido à situação reportada pelo órgão online. “A decisão não tem qualquer relação com questões financeiras, mas resulta de uma avaliação realista do contexto, das condições disponíveis e da responsabilidade de garantir um evento à altura do público e dos artistas envolvidos”, afirmou por email em resposta ao Observador.

De acordo com Marreiros, a escolha para a edição de 2026 voltou a recair na Meo Arena devido à incapacidade de assegurar os principais espaços outdoor para realizar festivais de música em Lisboa, como o Parque da Bela Vista, sendo que “principais estádios encontravam-se ocupados — o Estádio da Luz com Iron Maiden e o Estádio do Restelo com um grande evento religioso”.

O promotor cita ainda o concerto da banda britânica a 7 de julho — estando assim de regresso a Portugal depois de um concerto este ano — como outra das contrariedades para o Evil Live. “Um dos headliners que pretendíamos para o festival era precisamente Iron Maiden, mas a única data disponível seria a 7 de julho”, que é uma terça-feira, ficando assim “fora da janela temporal que nos permitiria estruturar o festival nos moldes habituais”, afirma.

Marreiros aponta ainda que as decisões efetuadas por outros festivais afetaram a sua calendarização, apontando como “o Rock in Rio estendeu a sua programação até ao último fim de semana de junho, aproximando-se significativamente do NOS Alive”. “Este alargamento, conjugado com a realização de grandes produções como Iron Maiden e Scorpions no mesmo período, resultou num calendário excecionalmente congestionado, com impacto direto na disponibilidade de equipamentos, estruturas técnicas e logística especializada, bem como numa concentração muito elevada de oferta num curto espaço de tempo”, sublinha.

“Pesados todos estes fatores — indisponibilidade de espaços outdoor, ocupação dos estádios, escassez de equipamentos e estruturas, elevada pressão logística e um calendário fortemente saturado — entendemos que a opção mais responsável para esta edição era realizar o Evil Live na MEO Arena, num único dia”, conclui.

Artigo atualizado com a resposta da Prime Artists.