O Hospital Fernando da Fonseca, da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora/Sintra, é exceção ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) pelo tempo de espera para atendimento nas urgências, disse esta terça-feira o diretor executivo do SNS.

Segundo Álvaro Almeida, “os tempos de espera, apesar de elevados, têm estado em linha com o que é habitual nesta época” do ano, apesar de reconhecer que “há casos específicos” como o Hospital Amadora-Sintra, que é exceção “aos tempos elevados, mas razoáveis” do que acontece em outros hospitais.

O Hospital Fernando da Fonseca, afirmou, “tem problemas específicos e por isso têm tempos exagerados” por “questões conjunturais e estruturais”, ou seja, “a combinação das duas coisas causaram problema nesse hospital” da ULS Amadora/Sintra.

“Esse problema no Hospital Fernando da Fonseca mantém-nos acordados muito tempo, a nós, direção executiva do SNS, muito ativa para tentarmos resolver, mas não pode ser confundido com a situação geral do SNS”, alertou.

Isto, porque, disse que “uma coisa são os problemas do Hospital Fernando da Fonseca que são importantes, sérios, com tempos de resposta exagerados, outra coisa é a norma do SNS”.

“Se for ver a média do SNS estão um pouco elevadas, em alguns casos, ligeiramente acima do recomendado, mas, por exemplo, hoje, estávamos com duas horas e pouco nos amarelos, é mais do que é desejado. Aqui em Viseu estávamos com 90 minutos. Continua a ser mais do que o recomendado, mas não é totalmente desproporcionado”, considerou.

O diretor executivo falava aos jornalistas à saída de uma visita ao serviço de urgência do Hospital de São Teotónio, em Viseu, da ULS Viseu Dão-Lafões.

“Estamos com tempos de espera abaixo dos 80 minutos de média e, em anos anteriores chegámos a ter 130 minutos na média nacional”, referiu.

No seu entender, o tempo de espera está “melhor, porque já houve anos piores, nomeadamente há dois anos, que foi bastante mais complicado, porque eram praticamente o dobro desta terça-feira”.

Arranque da urgência regional em Setúbal aguarda promulgação da legislação

O diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) afirmou ainda que aguarda a promulgação da legislação para o início da urgência regional na Península de Setúbal, que junta três hospitais.

“Estamos à espera da promulgação da legislação necessária. Só depois da legislação ser publicada é que poderemos avançar com esses planos, mas será a qualquer momento”, afirmou Álvaro Almeida.

Em 24 de outubro, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tinha anunciado a aprovação por parte do governo do regime jurídico que cria as urgências regionais.

A primeira seria na área de obstetrícia e ginecologia, na Península de Setúbal, no início de 2026, e juntaria os três hospitais dessa região: Setúbal, Barreiro e Almada.

Este regime, criado através de um decreto-lei, é para ser aplicado, “apenas e exclusivamente”, nas situações em que não está assegurada a continuidade da urgência por falta de recursos humanos, segundo a ministra.

Ana Paula Martins salientou, na altura, que os três hospitais da região da Península de Setúbal vão manter toda a atividade programada das maternidades e bloco de partos.

No entanto, a urgência externa será centralizada no Hospital Garcia de Orta, referiu a ministra, salientando que essa centralização na Península de Setúbal teve por base um estudo técnico que indicou que o Hospital de Setúbal, que não terá urgências abertas para o exterior, fique a receber emergências referenciadas pelo INEM.

A criação destas urgências regionais é uma medida prevista no Programa do Governo.

Os hospitais da Península de Setúbal são os que têm registado maiores constrangimentos, devido à falta de profissionais para completarem as escalas de obstetrícia e ginecologia, levando ao recorrente encerramento temporário dos serviços de urgência.