Só completou 18 anos no passado dia 12 de janeiro, mas já conseguiu agitar as águas num universo tão grande como o do Barcelona. Pedro Fernández, que para o futebol é apenas Dro, decidiu deixar o Barcelona onde ainda mal tinha dado os primeiros passos na equipa principal e rumar ao PSG. Um cenário que não é inédito, mas que continua a incomodar os catalães.
Natural de Nigrán, na Galiza, Dro começou a jogar no Val Miñor e chegou a La Masia em 2022 e com apenas 14 anos, escolhendo o Barcelona quando também contava com o interesse do Real Madrid e do Betis. Médio talentoso, não demorou a saltar escalões e etapas, participando na Youth League na temporada passada, estreando-se na equipa principal ainda na pré-época e na digressão no Japão e na Coreia do Sul e cumprindo os primeiros minutos oficiais em setembro, contra a Real Sociedad, tendo também a oportunidade de jogar na Liga dos Campeões no mês seguinte e contra o Olympiacos.
Luis Enrique ???? Dro Fernández
— Paris Saint-Germain (@PSG_English) January 26, 2026
Com contrato até 2027, o Barcelona iniciou as conversações de negociação há vários meses e procurava prolongar o vínculo até 2031, com a devida revisão salarial. O entorno de Dro, porém, exigia não só um aumento do salário como garantias de que o jovem médio seria aposta regular de Hansi Flick na equipa principal, algo que os catalães acabaram por não cumprir. Com a proposta do PSG em cima da mesa e uma cláusula de rescisão modesta, de apenas seis milhões de euros, Dro aceitou mudar-se para Paris e o Barcelona vai encaixar somente 8,2 milhões de euros por uma das maiores promessas de La Masia.
Em entrevista à Radio Catalunya, Joan Laporta confessou a frustração com a saída do jovem médio, que já é internacional Sub-18 por Espanha. “Tínhamos um acordo para renovar contrato quando o Dro fizesse 18 anos e, para nossa grande surpresa, o empresário dele informou-nos de que mudaram de ideias. É uma situação desagradável”, disse o presidente do Barcelona. Já Hansi Flick, que prometeu falar mais a fundo sobre o assunto quando o negócio fosse oficial, também lamentou a situação.
“Como treinador, dás muita energia aos jogadores, dás confiança, acreditas neles, ajudas a crescer e a melhorar. Mas depois há pessoas à volta do jogador. Quero esperar até que esteja tudo feito. O que quero dizer aos jovens jogadores de La Masia é que nós somos o Barça, um dos melhores clubes do mundo. Damos-lhes a oportunidade de treinar connosco, de crescer todos os dias com os melhores jogadores do mundo. Damos oportunidades, apoio, acreditamos neles, damos confiança. Se queres jogar no Barça, então tens de o fazer a 100%, com todo o coração. É isso que quero dizer a todos os que estão connosco agora ou os que possam estar no futuro: tem de ser a 100%. Estas cores têm de ser vividas. É isso que quero ver. Às vezes não concordas com as decisões que eles tomam, mas têm 18 anos, são suficientemente velhos para decidir. Têm pessoas à volta…”, explicou o treinador alemão.
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Certo é que Dro está longe de ser o primeiro jogador a deixar o Barcelona ainda muito jovem, depois de anos passados em La Masia e já com minutos pela equipa principal. André Onana saiu para o Ajax em 2015, Jordi Mboula rumou ao Mónaco em 2017, Sergi Gómez seguiu para o Borussia Dortmund em 2018, Xavi Simons, em 2019, também aceitou uma proposta do PSG, e Ilaix Moriba mudou-se para o RB Leipzig em 2021 e quando estava a ser aposta regular de Ronald Koeman. Mais recentemente, já em 2024, Marc Guiu saiu para o Chelsea e Albert Navarro para a Atalanta. Ao mesmo tempo, existem os casos dos que saíram muito jovens e regressaram mais tarde, com os exemplos de Gerard Piqué e Eric García a serem os mais paradigmáticos.
Em entrevista ao jornal El País, Jordi Roura, antigo diretor da formação do Barcelona, confirmou a ideia de Hansi Flick de que muitas vezes acaba por ser o entorno do jogador, e não o próprio, a tomar as decisões mais importantes. “O clube tem de saber muito bem que prioridades é que tem e tem de conhecer estes jogadores que são prioritários. Da mesma maneira que toda a gente sabia que o Lamine Yamal não podia sair com 16 anos, esse passo também tem de ser dado com outros jogadores. Ao mesmo tempo, parece-me bem que o clube não ceda a todas as exigências em determinados casos. Se os agentes, os representantes e a família dão prioridade ao dinheiro e não ao projeto desportivo, muitos jogadores vão sair, como tem acontecido nos últimos anos. Outros preferem ouvir o clube e apostar no projeto desportivo, já a pensar que o aspeto económico pode chegar mais à frente. Não depende assim tanto do jogador, mas mais do entorno”, sublinhou.
Number 2️⃣7️⃣ for Dro! ✅ pic.twitter.com/ZqVkZ3FgZ6
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Certo é que Dro, de apenas 18 anos, vai mesmo ser reforço do PSG de Luis Enrique neste mercado de janeiro. Para além de toda a tinta que já tem feito correr nas últimas semanas, o médio está diretamente ligado a um dos crimes mais mediáticos da história recente de Espanha: em janeiro de 1992, dois polícias entraram fardados numa vivenda de Nigrán, na Galiza, e mataram um casal, uma das filhas e a empregada da família, com o objetivo de assaltar a casa. Os outros dois filhos do casal conseguiram fugir e um deles era Pedro Fernández, o pai de Dro.
David Fernández, avô paterno do agora jogador do PSG, era então vice-presidente do Celta Vigo e foi assassinado em conjunto com a mulher, Pilar, a filha, Marta, e ainda a empregada da família, Maria Isabel. Os dois polícias só foram apanhados no início de 1994, dois anos depois do crime, e acabaram condenados a 212 anos de prisão. Ambos foram libertados mais de duas décadas depois dos homicídios, em 2013.
[Esta é a história de como dezenas de portuguesas se juntaram a mulheres de vários outros países e se tornaram seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. Recrutadas numa escola de yoga em Lisboa, muitas acabaram em casas de massagens eróticas ou a serem filmadas em cenas de sexo e orgias. “Os segredos da seita do yoga” é o novo Podcast Plus, do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]