A duas semanas da Finalíssima, continua a incerteza sobre o local que vai receber a decisão do troféu que coloca frente a frente o campeão da Europa e o campeão da América do Sul. Por esta altura, a única certeza — que ainda não o é —, é que o Qatar e o Estádio Lusail não vão receber a edição deste ano do jogo organizado por UEFA e CONMEBOL, por conta da situação de instabilidade que se vive no Médio Oriente. Nesse sentido, as duas federações continentais, juntamente com Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) e Associação do Futebol Argentino (AFA), opuseram-se, nos últimos dias, à hipótese de viajarem para a região, optando por rescindir o contrato que tinham assinado com o governo qatari.

Lusail, Londres, Miami ou… Lisboa: Estádio da Luz surge como alternativa a receber a Finalíssima (no meio do caos no Qatar)

Com a hipótese Lusail praticamente afastada, UEFA e RFEF, as responsáveis pela organização desta edição — a entidade europeia reveza com a CONMEBOL a cada duas edições —, viram-se forçadas a arranjar uma alternativa em tempo recorde e foi assim que Lisboa e o Estádio da Luz surgiram na rota da Finalíssima. Inicialmente, as hipóteses mais vantajosas passavam por Miami e Wembley, mas as opções acabaram por cair devido ao Miami Open, que decorre na mesma altura no Hard Rock Stadium, e ao amigável entre Inglaterra e Uruguai, que vai acontecer no mesmo dia (27 de março), no mítico palco londrino. Numa espécie de “segunda linha” apareceram, então, Lisboa, Paris (Stade de France e Parque dos Príncipes estão livres) e Roma (Olímpico), sendo que o Estádio da Luz até era o que mais agradava à UEFA, que ficou impressionada com os recentes torneios organizados em Portugal, como as finais da Liga dos Campeões masculina e feminina.

Contudo, nos últimos dias aconteceu o revés, com a imprensa espanhola a noticiar esta quinta-feira que a Finalíssima se vai jogar no Estádio Santiago Bernabéu, a casa do Real Madrid. “O duelo de relevância mundial vai jogar-se no melhor cenário possível, a capital de Espanha, e no recinto que também pode receber a final do Campeonato do Mundo de 2030”, escreveu o jornal As, que acrescentou que a RFEF ativou a cláusula de rescisão presente no contrato assinado com o Qatar, que contemplava ainda um amigável entre Espanha e Egito, e que integrava igualmente o chamado “Qatar Football Festival”. Ainda assim, Marrocos e Equador vão defrontar-se no mesmo dia no Metropolitano, também em Madrid, pelo que terá de haver um acordo com as autoridades. A concretizar-se, o Bernabéu vai voltar à rota dos grandes jogos internacionais, depois de ter recebido a segunda mão da final da Libertadores de 2018, entre River Plate e Boca Juniors.

Esta opção parece não agradar aos responsáveis argentinos, que não aceitam a hipótese de jogar em território espanhol e preferem que o jogo seja disputado em campo neutro. Essa confirmação foi deixada por Claudio Tapia ao final da manhã desta quinta-feira. “Vamos trabalhar com Espanha porque Espanha quer que a Finalíssima se jogue em Espanha e eu quero que se jogue no Monumental”, explicou o presidente da AFA, citado pelo Todo Noticias, que atirou para cima da mesa mais uma possibilidade: o célebre estádio do River Plate. Ainda assim, essa hipótese poderá não passar disso, já que o Monumental vai receber três concertos dos AC/DC a 23, 27 e 31 de março. Por seu turno, a TyC Sports acrescentou que a decisão será conhecida entre esta quinta e sexta-feira, já que Alejandro Domínguez, líder da CONMEBOL, vai viajar de urgência para a Argentina, com vista a reunir-se com Tapia, afirmou o jornalista Diego Paulich.

“É um jogo que deveria de ser em campo neutro. É evidente que parece que deve ser na Europa. Se as circunstâncias nos trouxeram para onde trouxeram, a maioria dos jogadores estão na Europa. Parece lógico que seja isso que vai acontecer”, revelou, por sua vez, Rafael Louzán, presidente da RFEF. Deste modo, o jogo entre Espanha e Argentina continua “preso” entre Madrid, Lisboa, Paris e Roma, ao passo que a alternativa passa pela não realização da Finalíssima nesta data FIFA, colocando-a mais à frente no calendário, o que poderá manter o Qatar como país anfitrião, até porque existem contratos comerciais assinados antes deste eventual adiamento.

A Finalíssima é o troféu que sucede à antiga Taça Artemio Franchi, que opôs os campeões da Europa e da América do Sul nas décadas de 80 e 90 do século passado. A última edição, que marcou o regresso do troféu, foi conquistada pela Argentina, que venceu Itália em Wembley. Curiosamente, o último jogo entre espanhóis e argentinos aconteceu em Madrid, mas no Metropolitano. Em março de 2018, a roja acabou por golear por 6-1, num jogo em que Nico Otamendi, atual capitão do Benfica, marcou o golo de honra da seleção das pampas.