Trabalhadores da Associação para a Promoção do Desenvolvimento Juvenil (APDJ), que presta apoio em 15 escolas de Sintra, cumpriram esta quinta-feira um dia de greve e concentraram-se em frente aos Paços do Concelho, em luta contra salários em atraso.

Segundo disse à Lusa João Santos, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, aos trabalhadores concentraram-se junto às instalações da APDJ e depois dirigiram-se para a Câmara de Sintra, onde representantes e sindicalistas foram recebidos por um assessor do presidente da autarquia.

O assessor, acrescentou, disse que ia “agendar uma reunião com a direção da APDJ” e com os representantes dos trabalhadores, para debater “alguns assuntos” que afetam a instituição, mas “referiu é que há situações que são da responsabilidade da APDJ e não da câmara”.

“Se houver dívidas à Segurança Social, a câmara não poderá intervir, isso compete à entidade patronal, que é a APDJ”, explicou o dirigente sindical.

Ao som de músicas de intervenção, os trabalhadores votaram uma moção em defesa dos direitos laborais e contra os salários em atraso, que entregaram na autarquia.

Os representantes sindicais pediram ainda uma reunião “para hoje”, mas tal não foi possível “devido à agenda do senhor presidente da autarquia”.

De acordo com João Santos, numa reunião com os trabalhadores foi dito pela associação que o “pagamento do mês de março deverá ser também a prestações, o que é mau”, depois de o salário de fevereiro ter sido pago pela totalidade em 6 de março e o de janeiro em várias prestações no final do mês passado.

O dirigente notou que o sindicato não tem obtido resposta aos contactos com a APDJ e instituições públicas, nomeadamente a Segurança Social, à qual os trabalhadores foram informados que a empresa tem uma dívida de 100 mil euros, que estará abrangido por um plano prestacional de pagamento, além de mais de 50 mil euros de autocarros e de ordenados em atraso.

“Dos 15 locais de trabalho, pelo menos três ou quatro estiveram encerrados”, indicou João Santos, referindo que “a instituição andou a colocar trabalhadores de um lado para o outro para tapar furos, para evitar a greve”.

Para o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, outra preocupação reside no facto de a APDJ estar “numa situação difícil e continuar a contratar trabalhadores e não os informar que há dificuldades financeiras”.

“Uma trabalhadora contou que foi contratada e agora ficou a saber que ia ter dificuldades financeiras, quando podia ter optado se calhar por outra instituição que pagaria a tempo e horas”, exemplificou.

Em comunicado, o sindicato explicou que a APDJ é uma instituição particular de solidariedade social (IPSS), que realiza tarefas de componente de apoio à família e “atividades de enriquecimento curricular para 15 escolas públicas de Sintra, através de um protocolo assinado com a câmara municipal”.

“A sua atividade abrange cerca de 1.400 alunos, realizando os horários extra das escolas básicas do 1.º ciclo e Jardins de Infância, ou seja das 07h00 às 09h00 e das 15h30 às 19h00, em tempo letivo”, acrescenta-se na nota, bem como as atividades de enriquecimento curricular nos 15 estabelecimentos de ensino.

Além disso, nos tempos não letivos, das férias de Natal, Carnaval e verão, “atuam o dia inteiro proporcionando atividades lúdicas e recreativas”, sendo “um apoio fundamental para estas crianças e para os seus encarregados de Educação”, salientou o sindicato.

Os mais de 100 trabalhadores atuam nas escolas “em atividades sempre apoiadas pela autarquia de Sintra, na prática a única financiadora desta instituição”, considerou a organização sindical, notando que os salários em atraso constituem “uma situação aflitiva e inadmissível”.

As comparticipações, segundo o sindicato, não são atualizadas há cerca de 17 anos pela Câmara de Sintra, no distrito de Lisboa.

A Lusa contactou a APDJ e a Câmara de Sintra, mas não obteve resposta.