A Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) de Portugal caiu 21,3% em 2025, para 570 milhões de dólares, num contexto de “quebra significativa” a nível global que colocou a ajuda ao nível de 2015, revelou esta quinta-feira a OCDE.

No documento com dados preliminares divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) refere-se que “a ajuda internacional dos países membros e associados do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento (CAD) diminuiu 23,1% em termos reais no ano passado, em comparação com 2024, o maior declínio anual na história da APD“.

Esta quebra a nível global coloca a ajuda dos países doadores ao nível de 2015, quando foi adotada a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

A ajuda, segundo os dados preliminares da OCDE, “ascendeu a 174,3 mil milhões de dólares [quase 150 mil milhões de euros] em 2025, representando 0,26% do Rendimento Nacional Bruto (RNB) combinado destes países, uma descida face aos 214,6 mil milhões de dólares [183 mil milhões de euros], ou 0,34% do RNB, registados em 2024”.

No caso de Portugal, a ajuda no ano passado foi de 570 milhões de dólares, o que, ao câmbio de hoje, vale 487 milhões de euros.

Isto representa uma queda de 21,3% face aos 619 milhões de euros canalizados em 2024, que valem hoje 723 milhões de dólares, comparando os valores preliminares anunciados no ano passado pelo governo português com os valores divulgados esta quinta-feira pela OCDE.

Em termos de percentagem do RNB, a quebra também existe, já que houve uma descida, tendo em conta ainda os valores preliminares, de 0,24% em 2024, para 0,18%, no ano passado.

Na lista dos maiores doadores, a Alemanha lidera pela primeira vez, com 29,1 mil milhões de dólares (24,9 mil milhões de euros), seguida dos Estados Unidos da América, com 29 mil milhões de dólares (24,8 mil milhões de euros), bem acima do terceiro lugar ocupado pelo Reino Unido, com 17,2 mil milhões de dólares (14,7 mil milhões de euros).

Desde que há registos, “este foi o primeiro ano em que todos os cinco principais doadores reduziram a sua APD, representando 95,7% do total do declínio”, diz a OCDE, salientando que a ajuda dada pelos EUA, a maior economia do mundo, caiu 56,9%.

“As pressões orçamentais sobre os países em desenvolvimento estão a aumentar, e o conflito em curso no Médio Oriente representa um risco significativo para o crescimento mundial e a segurança alimentar”, disse o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann.

“Neste contexto desafiante, o declínio significativo da ajuda pública ao desenvolvimento salienta a necessidade de maximizar o impacto dos recursos disponíveis e de os utilizar de forma mais eficaz para mobilizar novas fontes de investimento”, referiu.

Na apresentação dos dados, a OCDE diz que ainda que, com base num inquérito aos doadores e à informação oficial publicada, é prevista uma nova quebra, desta feita de 5,8%, da ajuda este ano.