A Live Nation, a maior promotora de música do mundo, que detém a bilhética Ticketmaster, foi formalmente condenada por ter estabelecido um monopólio ilegal sobre os grandes recintos norte-americanos, cobrando preços excessivos aos fãs. Procuradores esperam que veredito leve a preços mais baixos para os bilhetes dos espetáculos.
A decisão foi tomada esta quarta-feira pelo júri do Tribunal Federal de Nova Iorque, que argumentou que as práticas da empresa tinham excluído concorrentes e levado a preços mais elevados dos bilhetes, assim como a um pior serviço para os clientes, condicionando ilegalmente não só o mercado de venda de bilhetes em mais de 200 salas de espetáculos mas também a reserva de dezenas de anfiteatros por parte dos artistas.
O júri concluiu ainda que as práticas anticoncorrenciais da Ticketmaster levaram os consumidores de 22 estados norte-americanos a pagar 1.72 dólares (cerca de 1.46 euros) a mais por bilhete, valor que poderá vir a ter de ser reembolsado pela empresa.
A Live Nation poderá agora ser condenada a pagar uma multa de centenas de milhões de dólares ou, em último caso, ser obrigada a alienar partes do seu negócio ou até mesmo a separar-se da Ticketmaster. A Live Nation defendeu, no entanto, que “o veredicto do júri não é a última palavra sobre este assunto”, citou a BBC. Em comunicado, a empresa referiu que tinha apresentado um pedido ao tribunal para rejeitar o testemunho de peritos relacionado com a forma como a indemnização por danos foi calculada.
Caso a Live Nation se separe da Ticketmaster, abrirá caminho para que outras bilheteiras e salas de espetáculos de menor dimensão concorram pelo público e pelos espetáculos ao vivo. O aumento da concorrência poderá fazer baixar o preço dos bilhetes e permitir que artistas menos conhecidos consigam reservar salas de espetáculos mais facilmente. Só no ano passado, a Live Nation organizou mais de 55 mil concertos em todo o mundo, atraindo 159 milhões de espetadores.
Foi em 2022 que os apelos dos fãs e dos legisladores para que se investigasse o domínio da Live Nation na indústria da música ao vivo se intensificaram devido à The Eras Tour de Taylor Swift. Na época, a procura recorde por bilhetes para o concerto da artista fez com que o site da Ticketmaster fosse abaixo, deixando os clientes na fila para a “pré-venda” de bilhetes durante horas. A empresa viria a ser obrigada a cancelar a venda geral justificando que o sistema ficou sobrecarregado devido a “uma procura extraordinariamente eleva”.
Em reação, a própria Taylor Swift veio a público lamentar o caso afirmando que estava a ser “angustiante assistir a erros a acontecerem sem poder fazer nada” e que por várias vezes a artista perguntou à Ticketmaster “se eles conseguiriam lidar com este tipo de procura e garantiram-nos que sim“. A Ticketmaster acabaria por pedir desculpa a Swift e aos seus fãs durante uma audiência no Senado dos EUA. Os atrasos, os preços de revenda exorbitantes, as falhas do site e o cancelamento total da venda ao público geraram indignação e escrutínio público sobre a Ticketmaster.
Em Portugal, a empresa é dona do Meo Arena, em Lisboa, e promotora de alguns dos maiores espetáculos do ano, como o concerto da Rosalía e do Bad Bunny. Já no caso de Taylor Swift, que passou por Portugal em maio de 2024, os bilhetes foram vendidos pela bilhética See Tickets.
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