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“Decorado” triunfa nos Quirino, prémios do cinema de animação ibero-americano

Este artigo tem mais de 6 meses

A longa-metragem de Alberto Vázquez, co-produção luso-espanhola, venceu a 9.ª edição dos prémios, que distinguiram igualmente “Cão Sozinho”, de Marta Reis Andrade, e “Paulinha”, de Ana Marta Mendes.

“Decorado”, de Alberto Vázquez: mais um prémio para esta co-produção da Sardinha em Lata
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▲“Decorado”, de Alberto Vázquez: mais um prémio para esta co-produção da Sardinha em Lata

▲“Decorado”, de Alberto Vázquez: mais um prémio para esta co-produção da Sardinha em Lata

O novo filme de animação do galego Alberto Vázquez, Decorado, co-produção luso-espanhola que envolve a portuguesa Sardinha em Lata, de Nuno Beato, venceu esta sexta-feira o Prémio de Melhor Longa-Metragem dos Quirino, que distinguem o melhor da animação ibero-americana. Ainda inédito no circuito comercial português, embora já exibido em Lisboa, no âmbito da Monstra, Decorado junta assim outro prémio de prestígio internacional à vitória obtida, em Março, nos Goya.

O filme de Alberto Vázquez é uma fábula existencialista, história de um rato de meia-idade, chamado Arnold, a atravessar uma profunda crise. Enquanto o seu casamento se dissolve e a vida começa a perder o sentido após a morte misteriosa de um amigo, Arnold é assaltado pela suspeita de que o mundo à sua volta não é mais do que uma farsa gigantesca em que tudo é ilusão, artifício criado pela  mega-corporação de uma sociedade distópica em que a felicidade não passa de mais um produto de consumo.

Decorado não foi o único filme de produção portuguesa a sair vitorioso. Também já premiado duplamente dentro de portas (na supra-citada edição da Monstra), Cão Sozinho, de Marta Reis Andrade, ficou com o Quirino de Melhor Curta. O filme foi produzido pelo Estúdio BAP, do Porto — responsável, em 2025, pelo êxito internacional de Percebes, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves — e estreou-se em Julho do ano passado no Curtas – Vila do Conde. Porque Hoje é Sábado, de Alice Eça Guimarães, produzido pela Animais AVPL e também revelado em primeira mão no Curtas, estava igualmente nomeado.

▲ “Cão Sozinho”, de Marta Reis Andrade

Por fim, um terceiro prémio para Portugal distinguiu, na competição de videoclipes, o trabalho de Ana Martes Mendes em Paulinha. Esta produção da Os Filmes do Pinguim, estúdio também sediado no Porto, serve a canção homónima de Raul Manarte e pode ser apreciada aqui.

A nona edição dos Quirino decorreu, uma vez mais, em Santa Cruz de Tenerife, nas Ilhas Canárias, Espanha, tendo recebido este ano 265 obras inscritas de 19 países da esfera ibero-americana — para além de Portugal, Espanha e Andorra, fazem parte do grupo praticamente todos os países da América Latina, do México à Argentina. A iniciativa tornou-se com o tempo num pólo de co-produção e networking essencial para esta indústria. A actual directora do evento é a produtora argentina Silvina Cornillon.

Os Quirino devem o seu nome à figura de Quirino Cristiani (1896-1984), caricaturista e realizador de animação argentino, de origem italiana, que passou toda a sua vida em Buenos Aires. Em 1917, realizou a primeira longa-metragem de animação do mundo, El apostól, assim como a primeira longa de animação sonora, Peludópolis (1931).

▲ Os premiados da edição 2026 dos Quirino, esta sexta-feira, 17 de Abril

No início da década de 40, quando visitou a Argentina para promover Fantasia, Walt Disney, ao conhecer Quirino e a sua obra, quis levá-lo para os Estados Unidos, oferecendo-lhe trabalho nos seus estúdios, mas o argentino recusou. Dois incêndios, em 1957 e 1961, destruíram quase toda a sua obra, incluindo aqueles títulos pioneiros. Só nos anos 80, década da morte do artista, foi a sua obra devidamente avaliada e homenageada (mais informações em: https://premiosquirino.org/).

O autor escreve segundo a antiga ortografia. 

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