A Aliança Europeia de Agências de Notícias (EANA) juntou-se a editores, televisões e outras organizações e associações de media para pedir à Meta que remova a cláusula que permite rastrear e recolher conteúdos jornalísticos dos seus sites.

Numa nota de imprensa, disponível no site, a EANA (sigla em inglês) pede à Meta, dona do Facebook e Instagram, que remova a cláusula que consta dos seus novos termos comerciais, substituindo-a por condições que respeitem os direitos de autor.

“O adiamento da implementação desses termos até ao dia 20 de novembro deve abrir caminho para um diálogo genuíno e para a busca de soluções coerentes, que não forcem a saída de organizações de media das plataformas da Meta”, refere a Aliança Europeia de Agências de Notícias.

“Esta não é uma questão que diz respeito apenas às agências de notícias”, afirmou o secretário-geral da EANA, Alexandru Giboi, citado em comunicado.

Estes novos termos “terão efeitos prejudiciais em todo o ecossistema de media. A Meta teria o conteúdo de todas as organizações de notícias que utilizam as plataformas da Meta servido de bandeja. Isso significa que jornalistas de todo o mundo trabalhariam, na prática, para a Meta”, salienta o responsável.

Isto para os media mais pequenos, “que já enfrentam bastantes dificuldades”, prossegue.

“O nosso conteúdo não é apenas o que financia o nosso negócio”, mas também o que permite que as comunidades tenham acesso a informação de confiança, e a sua produção custa dinheiro, refere Alexandru Giboi.

Por isso, “é um absurdo a Meta considerar que os media podem simplesmente oferecê-lo de graça. Se as organizações de notícias fidedignas forem afastadas das plataformas da Meta, onde ocorre grande parte do debate público, o espaço que deixarem não ficará certamente vazio. Será preenchido por atores com conteúdos não verificados e manipuladores“, adverte.

“Estamos abertos a manter um diálogo construtivo com a Meta e com todas as plataformas sobre modelos de licenciamento para a utilização de conteúdos noticiosos”, remata o responsável.

A EANA constata que as organizações de media, incluindo os seus próprios membros, se opõem a esta medida da Meta, e compreende e apoia totalmente a sua posição.

Também a Associação Mundial de Editores de Notícias (WAN-IFRA, em inglês) enviou uma carta à Meta, na qual pede a suspensão, até 30 de outubro, da cláusula que permitiria rastrear e recolher conteúdos jornalísticos de sites de meios de comunicação.