O museu mais visitado do mundo e casa da famosa Mona Lisa de Leonardo Da Vinci anunciou esta segunda-feira a equipa de arquitetos responsáveis pelo projeto de renovação do edifício. Selecionados de um grupo de candidatos reduzido, com forte participação internacional, os vencedores de origem alemã e francesa propõem um “design contemporâneo” que harmoniza “a conexão entre a cidade, o palácio e o museu”, segundo declarações da ministra da Cultura francesa. Após uma série de incidentes — como o roubo das joias da coroa em outubro — reveladores de falhas na segurança e manutenção da infraestrutura, e depois da demissão da anterior diretora Laurence des Cars em fevereiro, o Museu do Louvre dá o próximo passo no sentido de concretizar o “Novo Renascimento”, apoiado pelo Presidente Emmanuel Macron. Resta saber se dispõe de fundos para efetuar as obras que o Tribunal de Contas do país prevê superarem os mil milhões de euros.
O ramo francês da firma internacional STUDIOS Architecture, com sede na cidade americana de São Francisco, e a Selldorf Architects, liderada pela alemã Annabelle Selldorf em Nova Iorque, foram os nomes avançados pelo ministério da Cultura, após um adiamento de vários meses da decisão. Eleitos entre uma pré-seleção de cinco concorrentes por um júri de 21 especialistas internacionais, a escolha evidencia a “excelência dos projetos” vencedores, mas também o “currículo notável” dos respetivas estúdios de arquitetura.
A divisão parisiense da STUDIOS Architectures esteve envolvida no design da Fundação Louis-Vuitton na capital francesa, uma obra-prima do desconstrutivismo, projetada por Frank Gehry. Já a companhia de Selldorf concebeu os projetos de expansão do museu The Frick Collection, em Manhattan, e da National Gallery de Londres. A parceria prevista para o Louvre foi selada com a participação da BASE Landscape Architecture, uma agência francesa responsável pelo planeamento paisagístico.
O “projeto colossal” anunciado por Macron prevê a construção de uma nova entrada na fachada do edifício, de um espaço único destinado a acolher a Mona Lisa e de novas salas de exposição sob um dos pátios do museu. A administração do Louvre antecipa que as obras de expansão estejam concluídas até 2031, data que permanece inalterada apesar dos atrasos já assinalados — que podem revelar-se trágicos, tendo em conta os problemas notados na infraestrutura.
Na fase inicial do concurso, mais de 100 firmas apresentaram candidaturas, dois terços das quais provenientes de países estrangeiros. Entre os finalistas existiam arquitetos americanos, uma britânica e duas companhias japonesas. A nomeação dos vencedores mereceu algumas críticas, uma vez que foram preteridos em detrimento de franceses proeminentes na área, como Jean Nouvel (Torre Glòries, em Barcelona) e Dominique Perrault.
O “Novo Renascimento” do Louvre foi anunciado em janeiro de 2025 pelo Presidente francês, que, diante da Gioconda, prometeu um museu “redesenhado, restaurado e ampliado”, em resposta ao aviso da então diretora da instituição a respeito da “proliferação de danos materiais no espaço”. Os últimos meses não foram fáceis: ao roubo das joias da coroa francesa em outubro, somou-se uma fuga de água que danificou a biblioteca, o fecho de uma galeria por instabilidade da estrutura e uma fraude envolvendo a bilheteira do museu. Acrescem as sucessivas greves de trabalhadores, com denúncias face às condições de trabalho e contra o plano de recuperação do museu.
Após apresentar a demissão em fevereiro, Laurence des Cars foi substituída por Christoph Leribault, que mantém o compromisso com o projeto de renovação do espaço museológico. “Este é um projeto crucial e necessário para o Louvre”, afirmou em entrevista ao jornal Le Monde, na qual também aflorou a questão da despesa associada à expansão e ao restauro do edifício. Apenas as obras na ala oriental, conhecida como Grande Colunata, estão estimadas em 660 milhões de euros, que somadas às restantes intervenções podem chegar aos 1,15 mil milhões, de acordo com o Tribunal de Contas Francês. “O custo não pode ser reduzido”, continuou Leribault. “Podemos tentar fazer ajustes, considerar reduzir a escala de alguns elementos — certamente o faremos — mas isso só terá um impacto marginal no orçamento total.”
A fim de não hostilizar os eleitores — o museu é uma entidade pública, parcialmente financiada pelo Estado —, a administração Macron prometeu disponibilizar uma fração reduzida do orçamento total: dez milhões de euros, sendo o restante responsabilidade do próprio museu. Os fundos provenientes da venda de bilhetes, de doações e da faturação do Louvre Abu Dhabi, devem aumentar com a introdução de “uma taxa diferente e mais elevada para visitantes originários de países que não pertencem à União Europeia”, afirmou o Presidente.