A última semana da 109.ª edição da Volta a Itália começou com Jonas Vingegaard a confirmar o seu favoritismo em direção à vitória na geral. Em Carì, o dinamarquês voltou a fazer jus à alcunha de canibal e a mostrar que é o homem mais forte deste Giro d’Italia, vencendo pela quarta vez ao cabo de 16 etapas. Nem Felix Gall (Decathlon CMA CGM) nem Jai Hindley (Red Bull-Bora-hansgrohe) tiveram capacidade para acompanhar o ciclista da Visma-Lease a Bike, que voltou a chegar à meta com mais de um minuto de vantagem para os rivais. Na geral, a vantagem aproxima-se a passos largos dos cinco minutos, num dia que ficou ainda marcado pela queda de Afonso Eulálio (Bahrain-Victorious) para o quinto lugar, com o português a conseguir defender a camisola branca enquanto procura consolidar-se no top 10.
“Queríamos atacar a etapa de hoje [terça-feira]. Mais uma vez, os meus colegas de equipa foram simplesmente incríveis. Fizeram tudo na perfeição. Mantiveram a fuga, garantiram que fosse uma boa fuga e que os ciclistas da fuga não tivessem companheiros de equipa. Depois começámos a reduzir a vantagem e, na última subida, eles impuseram um ritmo muito, muito forte e eu ataquei sozinho. Obviamente que estou muito feliz por vencer uma etapa com a maglia rosa. Queria vencer uma etapa com a maglia rosa e não há nada melhor do que fazer isso na Suíça. Estive aqui bastante tempo, é uma área muito bonita. Gosto muito desta região. É um lugar especial e um lugar lindo. Claro que é muito bom vencer quatro etapas. Ainda temos que pedalar”, analisou o dinamarquês de 29 anos no final da etapa.
“A etapa foi muito rápida e, quando começámos a última subida, estávamos muito fortes. Senti que não era meu ritmo. Tentei controlar o máximo que pude e manter o meu esforço o máximo possível para manter a camisola branca. Acho que não estou assim tão mal na geral e na luta pela maglia bianca. Vi que o [Giulio] Pellizzari não esteve tão bem, mas ainda faltam cinco dias. Quem sabe se não entro numa fuga, quem sabe se não tenho um dia muito forte. Agora também tenho que lidar com o [Davide] Piganzoli [segundo na classificação da juventude], não é? Ele a sair-se muito bem. Está a trabalhar para o Jonas, mas está muito, muito forte. Eu estou bem, o problema é que acho que ainda não estou pronto para competir com os ciclistas da frente. Os ciclistas que estão a lutar pelo pódio são muito fortes. Quem sabe um dia”, assumiu o atleta da Figueira da Foz.
Tappa 1️⃣7️⃣ | Stage 1️⃣7️⃣
???? Cassano d'Adda
???? Andalo
???? 202 KM
????️ 12:20#GirodItalia | @VisitTrentino pic.twitter.com/dHzWgjAXN8— Giro d'Italia (@giroditalia) May 27, 2026
Para esta quarta-feira estava reservada a quarta etapa mais longa desta Volta a Itália, com partida em Cassano d’Adda e chegada, 202 quilómetros depois, em Andalo. Apesar dos 3.300 metros de desnível positivo acumulado, a 17.ª tirada prometia ser explosiva, já que contava com três contagens de montanha. A primeira apareceu logo ao quilómetro 50 — Passo del Tre Termini (8,2 km a 5,9%) —, seguindo-se uma curta descida em direção ao Cocca di Lodrino (8,2 km a 4,1%). Depois de uma fase montanhosa, o final era explosivo, com o pelotão a chegar ao quilómetro Red Bull já dentro dos últimos 30 quilómetros. Depois havia ainda Andalo-Lever (8,3 km a 3,6%, com pendentes de 9%). Na aproximação à meta, havia ainda que subir até ao quilómetro final, onde a estrada voltava a acalmar.
Com a concorrência pela fuga a aparecer em grande número, esta etapa foi corrida a todo o gás na fase inicial, tornando-se na mais rápida deste Giro nessa fase, com uma média de 52,6 km/h. A fuga acabou por estabelecer-se antes da primeira subida, que provocou mais uma surpresa: Pellizzari (Red Bull) perdeu o contacto com o pelotão na fase inicial, mostrando que está longe do seu melhor nível. Antes do alto, 18 ciclistas saíram do grupo principal na tentativa de alcançar os 11 elementos que estavam na dianteira, algo que só aconteceu depois de Cocca di Lodrino. Nessa fase, contudo, Rémi Cavagna (Groupama-FDJ United) lançou-se ao ataque e foi sozinho na frente, chegando a ter mais de 2.30 minutos de vantagem para os perseguidores e seis para o pelotão, onde Simone Consonni (Lidl-Trek) aproveitava para parar para saudar a sua família.
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Na segunda metade da corrida, a chuva apareceu em força, numa altura marcada pelo reagrupamento na frente de corrida. No sprint intermédio, Jhonatan Narváez foi o primeiro a passar, voltando a assumir a maglia ciclamino, que perdera nos últimos dias para Paul Magnier (Soudal Quick-Step). Nas últimas subidas categorizadas, Michael Valgren (EF Education-EasyPost) e Einer Rubio (Movistar) fugiram a Damiano Caruso (Bahrain), Aleksandr Vlasov (Red Bull), Igor Arrieta (UAE Team Emirates-XRG) e Andreas Leknessund (Uno-X Mobility). O espanhol atacou a três quilómetros da meta e conseguiu fazer a ponte para a frente. Com o trio a marcar-se cerradamente, os outros perseguidores também voltaram a chegar à frente, o que motivou o ataque de Caruso no final da subida, com resposta de Rubio e de todos.
À entrada do último quilómetro, Valgren atacou com resposta tardia de Leknessund e somou a sua primeira vitória de sempre em Grandes Voltas, com o norueguês a fazer segundo pela terceira vez neste Giro, e Caruso em terceiro. Esta é a quarta edição consecutiva da corsa rosa com triunfos da EF Education-EasyPost. O pelotão entrou na meta a 5.15 minutos, o que fez com que Caruso subisse ao nono lugar da geral, atirando Egan Bernal (Netcompany Ineos) para fora do top dez.
EN EL TEMPLO DE ???????????????????????? ???? ???????????????????????????????? ????????
Con un ataque a un kilómetro de meta, el danés Michael Valgren se lleva la victoria en Andalo con Igor Arrieta y Einer Rubio, que pelearon la etapa hasta los últimos metros#GirodItalia | #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/OkUn3iVaq9
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