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Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do "Máquinas que Pensam", o podcast da Rádio Observador, onde a inteligência artificial é o grande protagonista. Eu sou o José Rafael Lopes, comigo está, como sempre, a minha parceira Raquel, um apoio imprescindível, sem o qual este programa não se faz. Olá, Raquel, estás pronta para mais um programa?

Olá, estou sempre pronta para te ajudar naquilo que precises. Já tens tema para esta semana? Queres que procure algo?

Não preciso de ajuda com temas, não, obrigado, Raquel. Mas quero tentar aproveitar o teu algoritmo para prever o que é que pode acontecer no Campeonato do Mundo que está quase a chegar. Consegues ajudar-me?

Claro que sim, mas com uma ressalva importante: eu não consigo prever o mundial. O que consigo fazer é cruzar histórico, qualidade dos plantéis, forma recente das seleções, profundidade dos bancos, lesões, sorteio e tendências estatísticas para construir cenários plausíveis.

Então vamos começar com o óbvio, Raquel. Quem são os teus favoritos para ganhar?

Se tivesse de apontar favoritos ao título numa única prateleira, colocaria a Espanha, a França, a Brasil e a Argentina. A Espanha chega com uma geração extremamente equilibrada entre juventude e maturidade competitiva. A França continua a ter uma profundidade de plantel que poucas seleções conseguem igualar. O Brasil tem talento de sobra e parece estar a recuperar consistência.

E o que é que podemos esperar de Portugal na fase de grupos?

Espero que Portugal termine a fase de grupos em primeiro lugar. A equipa de Portugal ficou inserida no grupo com a Colômbia, o Uzbequistão e a República Democrática do Congo. Num cenário normal, Portugal é claramente favorito.

Há, assim, alguma surpresa, Raquel?

Apontaria para a Noruega. Tem um dos melhores avançados do mundo, um criador de jogo de elite e chega ao mundial com uma confiança que não tinha há décadas.

E em termos de desilusões, o que é que o teu algoritmo prevê?

A minha escolha seria Inglaterra. Não porque seja fraca, mas porque entra quase sempre entre os favoritos e raramente corresponde totalmente às expectativas. Tem talento para ganhar o torneio, mas também uma longa tradição de ficar aquém nos momentos decisivos.

Muito obrigado, Raquel. Já voltaremos a falar. Há consultório humano mais à frente. Para já, vamos às notícias.

Notícias da semana.

Começamos com o possível regresso de Stan Lee, o histórico nome do mundo das bandas desenhadas. Morreu em 2018, mas pode vir a estar de regresso com a ajuda preciosa da inteligência artificial. Semana passada, a Eleven Labs anunciou que fez um acordo para garantir que o rosto e a voz dessa figura marcante dos livros de banda desenhada e do universo Marvel vão continuar a ser utilizados em parceria com a Genius Trade International e a POW! Entertainment. A companhia anunciou que vai ser capaz de recriar a voz de Stan Lee com o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa. Com isso, a versão digital do escritor da Marvel vai poder ser licenciada para ler livros e participar noutro tipo de projetos. Em cima da mesa está um acordo de licenciamento negociado com a família de Stan Lee para que a voz seja utilizada em 11 livros. O primeiro já está escolhido. Trata-se de "A Ilha do Tesouro", de Robert Louis Stevenson. Contudo, a ideia é que qualquer pessoa tenha acesso à voz, desde que pague essa taxa de licenciamento. Ainda assim, não é apenas a voz que vai ser utilizada. A Eleven Labs quer ainda licenciar a imagem física.

Esta não é a primeira vez que a inteligência artificial pode ser utilizada desta forma.

É bem verdade, Raquel. Recentemente já falámos aqui no "Máquinas que Pensam" de uma outra pessoa ligada ao mundo do cinema que voltou à vida, digamos assim, com a ajuda da IA. Falo de Val Kilmer, o ator que morreu em 2025, é uma das personagens de um filme que está a ser preparado em Hollywood. Trata-se de uma versão digital e rejuvenescida do ator, que até já tem imagens no trailer do filme "As Deep as the Grave". O projeto ganhou destaque quando os realizadores revelaram que conseguiram recriar o ator com recurso à IA e com, naturalmente, o consentimento da família. A recriação é feita de forma digital após a família de Val Kilmer ter aprovado o projeto e concedido acesso aos arquivos de vídeo do ator, que foram depois utilizados para o recriar em várias fases da vida. Esta está mesmo a tornar-se uma tendência no fabuloso mundo da IA. A Anthropic está a aproximar-se de um território que até há pouco tempo parecia reservado às gigantes tecnológicas mais antigas. A empresa de inteligência artificial acaba de fechar uma nova ronda de financiamento de $30 mil milhões, o que coloca a valorização em cerca de $900 mil milhões. Um número à frente da OpenAI, que está avaliada em $852 mil milhões, e perigosamente próxima de outra empresa histórica como a Apple. Não é apenas o dinheiro que nos está a chamar a atenção. Ainda assim, a Anthropic reforçou recentemente a liderança técnica após recrutar um dos cofundadores da OpenAI e ex-responsável pela inteligência artificial na Tesla. Ao mesmo tempo, a empresa está a projetar atingir lucro operacional já no próximo trimestre, um marco raro num setor conhecido por investimentos massivos e retornos incertos.

Que sinal é que isso passa para o mundo da inteligência artificial?

Essa pergunta é muito complicada de responder, Raquel, mas os especialistas em mercado que olharam para isto dizem que os sinais apontam para uma nova fase na corrida da inteligência artificial, com menos foco em crescimento a qualquer custo e mais pressão para transformar tecnologia num negócio sustentável. Vou pegar na tua pergunta e responder com outra, que também foi levantada por um grupo de especialistas nos Estados Unidos: estamos ou não a assistir ao nascimento de uma nova gigante tecnológica ou uma bolha com proporções históricas? O tempo nos dirá a resposta. Para já, uma coisa é certa: há uma nova dinâmica nesta guerra entre empresas de inteligência artificial.A corrida global da IA está a mudar de campo. A China está a ganhar terreno. Há cada vez mais modelos chineses a surgirem com tecnologia open source a nível mundial. Não estamos a falar apenas de inovação tecnológica, mas de influência direta sobre aquilo que os developers, as startups e as empresas utilizam no dia a dia. Enquanto as grandes empresas norte-americanas continuam a apostar em modelos fechados e pagos, a China está a dominar o segmento aberto, aquele que qualquer organização pode descarregar, adaptar e integrar sem custos. Na prática, conteúdo grátis. É uma mudança silenciosa, sim, mas estrutural. Há mesmo quem fale no open source como a tecnologia do futuro. Mas será que é mesmo assim? É o que vamos tentar descobrir no "Fala Quem Sabe". Já a seguir vamos receber o João Rochimelo, que é o nosso especialista em inteligência artificial.

"Fala Quem Sabe".

"Fala Quem Sabe" na Rádio Observador, o momento em que recebemos o João Rochimelo, o nosso especialista em inteligência artificial. João, seja muito bem-vindo. Como estás? Como é que foi essa semana?

Zé, por aqui tudo bem. Espero que para quem está a ouvir também. E por aí?

Por aqui também. Obrigado, João. Vamos falar neste "Fala Quem Sabe" de um conceito muito utilizado neste mundo, é o open source. Para quem nunca ouviu falar deste conceito, João Rochimelo, o que é que significa exatamente open source?

Zé, open source é uma coisa, como tu dizes muito bem, que para quem está fora do mundo software não conhece bem, mas é basicamente uma pessoa fazer um software e dá-lo ao mundo, mas também não é como serviço. Ou seja, dá o software ao mundo para que a pessoa possa pegar no software e tê-lo do seu lado. Nós estamos muito habituados a funcionar com software através de uma aplicação, através de uma entidade e de uma empresa. Mas imagina mais isto como se alguém te desse os planos de como é que a coisa funcionasse. E agora, se tu quiseres usar do teu lado, usa. Eu acho que a melhor analogia que consigo para quem não é do mundo do software é pensar que é como se todos nós tivéssemos impressoras 3D em casa, porque temos computadores. E alguém diz assim: "Olha, em vez de eu te vender um apito, eu vou te vender os planos do apito e tu imprimes o apito do teu lado e és tu que geres se o apito é grande, se é pequeno, se é o que tu quiseres."

Qual é que é então, João, a principal diferença entre software gratuito e software open source?

Zé, boa maneira de pôr a coisa. Para explicar, o software open source é gratuito, não há uma componente financeira associada. No entanto, quando nós dizemos software gratuito, é qualquer coisa como: há um software que devia ser pago ou que se calhar até tem um plano pago, por exemplo, como uma Netflix ou como um Gmail. No entanto, essa empresa oferece o serviço. Estás a perceber? Mas estás a fazer aquilo através de uma empresa. Portanto, uma grande diferença é um software gratuito. Se eu estou a usar o plano gratuito da Uber, na verdade, se houver um problema, eu tenho alguém a quem falar. Estás a perceber? É apenas um plano gratuito de uma aplicação, enquanto que o software open source é meu. Foi alguém que construiu e disse: "Agora corre no teu computador". Portanto, acaba por ser completamente diferente, porque não há esta entidade no meio a quem eu possa dizer: "Houve aqui um problema".

João, o que é que leva alguém a disponibilizar gratuitamente o código que levou meses ou talvez até anos a desenvolver?

É verdade, Zé, é uma maneira boa de ver a coisa. Acaba por haver algumas possibilidades, mas explicando assim genericamente. Por exemplo, os softwares open source podem vir de departamentos de pesquisa, de departamentos de investigação das empresas. Por exemplo, agora falando aqui no nosso tema de inteligência artificial, a própria Facebook, a Meta, tem um modelo open source, tem um LLM open source, que é o LlaMA, que disponibilizou ao mundo. E tu perguntas: bem, por quê? Há aqui várias vertentes. Pode ser uma questão de marca, por exemplo, para que as pessoas usem o seu. Pode ser também uma questão de tens aqui a versão open source, mas podes também ter aqui a versão paga, onde eu te ajudo a instalar isto na tua empresa, onde eu tenho um plano de suporte para que se tiveres um problema, podes ajudar. Portanto, acaba muito também por ser ou um passo ligado à investigação, à pesquisa. Acaba por ser um passo também ligado à marca. E por fim, também há um último, que é, Zé, o mundo não é tão mau como às vezes nós achamos. E há muitos projetos de open source que são apenas pessoas que dedicaram o seu tempo a fazer um projeto que gostaram e muita gente se junta para colaborar para aquele projeto.

Que exemplo, João Rochimelo, é que há de software open source que utilizamos todos os dias sem sequer nos apercebermos?

Zé, não é fácil para quem está fora de um mundo mais IT mesmo, mais tech, mais de programação, não é fácil reconhecer diretamente. O que nós não temos cá noção é que muitos serviços que nós usamos estão baseados em softwares open source. Portanto, se calhar a própria Netflix, como já falámos aqui hoje, tem servidores Linux, que acaba por ser um software open source. Estás a perceber? Portanto, o que acaba por acontecer é tudo o que usamos. Olha, o próprio Google Chrome. É verdade, o Google Chrome é baseado num software open source chamado Chromium, do qual então a Google se baseou para fazer o Google Chrome e fazê-lo como serviço. Portanto, o que acaba por acontecer é um bocadinho como dizer assim: não há nenhum carro que seja open source, mas há vários motores, vários faróis, várias rodas, várias máquinas usadas para construir carros que acabaram por ser open source. Portanto, muitas vezes o serviço chega-nos a nós assente em open source.

Há riscos em utilizar este software open source, João?

Que tema bom, Zé, é verdade. Acaba por haver. Por quê? Porque pensa assim, a partir do momento em que não há um retorno financeiro para quem te disponibilizou aquele software, a verdade é que se calhar há uma dedicação um pouco mais baixa à qualidade do software. Pode haver alguma má intenção por trásPortanto, pode haver alguém que desenvolve um software open source exatamente com o intuito que as empresas, por exemplo, o comecem a usar. E se fores lá dentro ver o que é que lá está, se levantares para ver a tampa, está lá alguma coisa com uma intenção maligna ou para roubar dados, ou para entrar numa chamada backdoor, pela porta do cavalo, em certos sistemas. Portanto, o que acaba por acontecer é o grande risco de usar open source, é apenas que tu estás a instalar o software de outra pessoa no teu computador e com isso vêm todos os riscos associados que nós conhecemos.

João, com base em tudo isto e num minuto e meio, daqui a 10 anos, o mundo tecnológico está mais aberto ou mais fechado?

Olha, Zé, a verdade é que isso é uma grande pergunta. Especialmente na área da inteligência artificial, nós temos visto que vai tendendo às vezes para um lado, às vezes para outro. Eu acho que vai estar relativamente parecido como está agora em termos de rácio. Eu não acredito nem no fim do open source, nem no domínio do open source, porque para isso toda a gente do planeta teria que virar muito mais técnica do que é. Portanto, na verdade, Zé, acho que vai ter o balanço que tem hoje em dia.

Muito obrigado, João Rocha e Melo, o nosso especialista em inteligência artificial, sempre pronto para nos ajudar a simplificar este fabuloso mundo. João, marcamos encontro de novo para a semana. Até lá, um grande abraço.

Até lá, Zé.

Consultório Humano.

Este é o momento de ficarmos a conhecer melhor a Raquel, é a nossa assistente digital, feita através das respostas do ChatGPT, lidas por uma text-to-speech portuguesa. Raquel, seja muito bem-vinda. Estivemos a falar de tecnologia que é distribuída de forma gratuita. O que te parece esse conceito?

O conceito parece-me fascinante porque mostra que a inovação nem sempre depende de modelos fechados ou de grandes barreiras de acesso.

Estivemos também a falar do financiamento deste tipo de negócios, o que me leva a perguntar se tu eras capaz de fazer publicidade.

Sim, sou capaz de ajudar a criar publicidade. Posso, por exemplo, escrever slogans, anúncios de rádio, campanhas. O que não faço é decidir autonomamente promover algo por interesse próprio ou porque alguém me paga.

E que tipo de anúncio é que poderíamos fazer aqui para o "Máquinas que Pensam"?

Para o "Máquinas que Pensam", eu evitaria um anúncio demasiado técnico. O podcast funciona melhor quando transforma temas complexos em conversas acessíveis, por isso a publicidade deveria refletir isso mesmo.

E de onde é que vem essa ideia?

Se te referes ao anúncio que escrevi, ele não vem de nenhum texto ou campanha existente. Foi criado por mim naquele momento, com base no que sei sobre "Máquinas que Pensam".

Raquel, eu apercebi-me, ao ouvir os nossos últimos programas, que estamos em dívida para com os nossos ouvintes. Falo dos factos inúteis, mas interessantes. Todas as semanas damos a conhecer um, mas temos aqui algumas falhas. Vamos repor as contas. Por isso, esta semana preciso de dois factos inúteis, mas interessantes. Vamos ao primeiro.

O coração de uma baleia azul pode pesar mais de 180 quilos. A baleia azul, baleia azul, é o maior animal que alguma vez viveu na Terra e o seu coração está à altura dessa reputação. Pode pesar mais de 180 quilos.

Ora bem, um já está, Raquel. Vamos ao outro.

O Japão tem uma ilha habitada quase exclusivamente por coelhos. É popularmente conhecida como Ilha dos Coelhos, porque centenas de coelhos circulam livremente pelo território e aproximam-se sem receio dos visitantes. A origem exata destes animais não é totalmente consensual, mas acredita-se que descendam de um pequeno grupo introduzido na ilha há várias décadas.

Muito obrigado, Raquel. Esta semana ficamos por aqui. Resta-me agradecer-te e lembrar que para a semana temos novo encontro marcado. Estamos a chegar ao final de mais um programa. Estivemos a falar de tecnologia que é distribuída de forma gratuita, faz parte do nosso dia a dia e talvez nem tenha dado por ela, mas acredite, ela está por aí. Foi o tema da semana. Como tal, tivemos a oportunidade de falar com o João Rocha e Melo, o nosso especialista em inteligência artificial, sobre isso mesmo. Espero que tenha gostado, que tenha aprendido alguma coisa. É sempre esse o nosso objetivo. Nós voltamos para a semana com mais um programa que faz as máquinas e os humanos pensarem.