A edição de 2026 de Roland Garros promete perdurar no álbum de ouro da história do ténis. Ao longo das últimas semanas, a capital francesa assistiu a um dos Grand Slams mais equilibrados da era moderna, com muitas surpresas e partidas disputadas ao limite. No que concerne à competição feminina, Aryna Sabalenka e Iga Swiatek ficaram pelo caminho, com Maja Chwalinska e Mirra Andreeva a protagonizarem uma inédita final. No que concerne à polaca, a prestação foi bastante surpreendente, dado que Chwalinska começou no qualifier, tornando-se a segunda tenista oriunda da fase de qualificação a chegar à final de um Grand Slam, depois de Emma Raducanu no Open dos Estados Unidos de 2021. Para já, a tenista de 24 anos ocupa o 114.º lugar no ranking da WTA, mas vai aproximar-se do top 20 na próxima atualização. A russa de 19 anos também se estreou em finais de majors, depois de nunca ter conseguido ultrapassar os quartos de final.

“Parece um sonho, sinceramente. Não sei o que se está a passar. Não sei o que dizer, desculpem. Estou simplesmente muito feliz. Às vezes também sou louca, mas tento manter a calma porque sei que é o melhor para mim. Ajuda-me a jogar o meu melhor ténis. É isso que estou a tentar fazer, mas por dentro há uma tempestade. Não estou em grande forma, não vou mentir. É muito difícil jogar contra as melhores jogadoras do mundo dia após dia, mas é um Grand Slam, por isso temos de dar o nosso melhor e mais ainda. Não me estou a queixar, de forma alguma. Já disputei oito ou mais jogos aqui, por isso não há segredos. Observei um pouco a Mirra. Elas [a outra meia-final] jogaram antes de nós, por isso vi o jogo dela, e foi incrível. É apenas mais uma experiência fantástica para mim. Vou, sem dúvida, dar o meu melhor. É uma final de Grand Slam. Deixem-me aproveitar este momento por agora. Só quero respirar um pouco”, disse Chwalinska depois de eliminar Diana Shnaider nas meias-finais. A polaca chegou à final com nove jogos em menos de três semanas, sendo que apenas uma das vitórias não foi por 2-0 (contra Maria Sakkari, na terceira ronda).

“Estava muito, muito concentrada nas coisas que tinha de fazer em campo. Estava muito focada no plano de jogo que preparámos com a Conchita [Martinez, a treinadora], muito concentrada na minha atitude mental e em cada pequeno pormenor. Cheguei mesmo a ver, a certa altura, os pequenos pelos da bola nas pancadas. Estou muito feliz por ter conseguido manter a concentração durante todo o jogo. Ela tem jogado de forma fantástica nestas três semanas, tendo passado pelo qualifier. Tem jogado de forma incrível. Não sei bem como ela joga. Não conheço bem o seu estilo de jogo. Vamos apenas tentar preparar-nos para a final da melhor forma possível. Vai ser muito divertido e muito interessante também, porque, obviamente, nunca joguei contra ela. Vai ser um jogo novo para ambas”, perspetivou Andreeva, que chegou à final igualmente com apenas um triunfo por 2-1, mas em seis jogos (Marina Bassols, na segunda ronda).

Superadas as meias-finais que, pela primeira vez na história dos Grand Slams, contaram com quatro jogadoras nascidas no século XXI, a final começou bastante equilibrada e com quatro jogos consecutivos com breaks, até Maja Chwalinska passar para a frente no seu jogo de serviço (3-2). Mirra Andreeva respondeu de pronto num jogo de serviço que contou com um rally de 19 trocas de bola, respondendo com novo break (3-4). Com bolas novas e o vento a fazer-se sentir no Court Philippe-Chatrier, que contou com a presença de Boris Becker e Brad Pitt, a russa fechou as contas do primeiro set com um jogo em branco no serviço da adversária e aproximou-se do título histórico, ao cabo de 42 minutos. No primeiro duelo frente a um top 10, Chwalinska cometeu 14 faltas não forçadas, mostrando dificuldades em conseguir lidar com a estreia em finais de Grand Slam.

O segundo set arrancou com Maja Chwalinska mais agressiva, mas a cometer erros junto à rede e no vólei, com Mirra Andreeva a fechar tranquilamente o seu jogo de serviço. O domínio da russa continuou e o 0-2 apareceu com naturalidade, numa altura em que a polaca tinha apenas cinco pontos nos últimos 21. Chwalinska respondeu com um 40-0 no serviço da rival, mas Mirra fez uma grande recuperação, salvou três pontos de break e ganhou nas vantagens (0-3). A final continuou sem história e, no seu serviço, a tenista de 19 anos chegou ao 0-5, numa altura em que já levava nove jogos consecutivos ganhos. Chwalinska reagiu com um jogo de serviço relativamente tranquilo (1-5) e, a servir para vencer Roland Garros, anulou um break point, mas cometeu dois erros seguidos e permitiu à polaca continuar a recuperação (2-5). Contudo, Chwalinska voltou a quebrar no serviço e Andreeva fez história com um break em branco (2-6).