O Rock in Rio Lisboa regressa em 2026 com dois fins de semana que contam e vivem a história da música. A 20, 21, 27 e 28 de junho, o Parque Tejo, em Lisboa, transforma-se na já icónica Cidade do Rock.

O dia 20 é dedicado à pop internacional, com nomes como Katy Perry, Charlie Puth e Calema; o dia 21 é o “dia do rock”, com Linkin Park, Cypress Hill e Sepultura no centro do cartaz. O Legends Day, a 27 de junho, celebra os clássicos e a história da música; enquanto o dia 28 escreve um novo capítulo com o maior encontro de música urbana alguma vez feito no festival.

O que esperar do último fim de semana de festival

Luca Coelho / RIR Lisboa

27 de junho: quando as lendas sobem ao palco

O Legends Day, agendado para 27 de junho, foi pensado para um público que cresceu com bandas sonoras em vinil, cassetes e CDs, e que agora reencontra esses temas em grande escala e ao ar livre. É o dia certo para voltar a estar num concerto sem olhar para o relógio e partilhar histórias de “onde é que estavas quando ouviste isto pela primeira vez”. A programação foi desenhada como uma viagem no tempo, atravessando décadas de pop, rock, soul e reggae.

Rod Stewart é um dos grandes nomes da noite e traz consigo mais de cinco décadas de carreira e um repertório que atravessa gerações. Canções como “Sailing”, “Maggie May”, “Forever Young” e “Da Ya Think I’m Sexy?” são parte do imaginário coletivo e continuam a ser descobertas por novos públicos.

Cyndi Lauper assegura que os anos 80 marcam presença em força no Parque Tejo. Ícone absoluto dessa década, é impossível dissociá‑la de temas como “Girls Just Want to Have Fun”, “Time After Time”, “True Colors” ou “She Bop”, que continuam a tocar em rádios, playlists e festas em todo o mundo.

Dos anos 80 passamos para a energia alternativa dos anos 90 com as 4 Non Blondes. A banda lançou apenas um álbum de grande sucesso, mas isso bastou para escrever uma canção que atravessou décadas: “What’s Up?”. O tema tornou-se um hino global e voltou a ganhar destaque nos últimos anos graças às redes sociais e às trends a elas associadas.

A viagem continua com Shaggy, nome incontornável do reggae e do dancehall que definiu muitos verões no final dos anos 90 e início dos 2000. “Boombastic”, “It Wasn’t Me” e “Angel” são sinónimo de festa, calor e pistas de dança ao ar livre, e é exatamente essa atmosfera que o artista jamaicano traz ao festival.

Joss Stone é outra das presenças confirmadas e representa o lado soul do cartaz, com uma das vozes mais marcantes da sua geração. Desde “The Soul Sessions” que a cantora britânica se destaca por um registo que mistura soul clássico, R&B e blues, mantendo viva a influência das grandes vozes da música negra americana. Em palco, essa combinação traduz‑se num concerto intenso, cheio de nuances e emoção.

A completar este alinhamento de luxo está o legado dos The Wailers, banda intrinsecamente ligada à história de Bob Marley e ao nascimento do reggae moderno. Clássicos como “One Love”, “Three Little Birds” ou “No Woman, No Cry” fazem parte da banda sonora de várias gerações e carregam mensagens que continuam atuais: paz, união, liberdade.

Rock português em Classe de 79

O dia 27 não é apenas uma celebração de lendas internacionais; é também uma homenagem à história do rock feito em Portugal. No Music Valley, os Xutos & Pontapés assumem a curadoria de um encontro histórico batizado de “Classe de 79”, juntando em palco GNR, UHF e Jafumega. São quatro bandas que ajudaram a escrever o ADN do rock português e a dar forma ao boom que marcou a música nacional no final dos anos 70 e ao longo dos 80.

Os Xutos & Pontapés dispensam apresentações: continuam a ser apontados como a maior banda de rock portuguesa, com temas como “Contentores”, “Homem do Leme” ou “A Minha Casinha”. Os GNR trazem ao festival a sofisticação pop‑rock de canções como “Dunas” e “Pronúncia do Norte”, que definiram uma época. Já os UHF são lembrados por temas como “Rua do Carmo”, que captam uma certa Lisboa urbana e inquieta, enquanto os Jafumega ficam para sempre associados a “Latin’América”, um hino de mistura rítmica e espírito livre.

Este alinhamento nacional garante que o Legends Day será também um dia de celebração da memória coletiva portuguesa, em que o público pode ouvir ao vivo as canções que marcaram rádios, cassetes gravadas e os primeiros concertos de muitas vidas.

28 de junho: o dia mais urbano de sempre

Se o Legends Day olha para trás, o dia 28 de junho aponta claramente para o futuro e para as novas linguagens da música global. Pela primeira vez, o Rock in Rio Lisboa dedica um dia inteiro à música urbana. Do hip‑hop ao trap, do drill ao afrobeats, passando pelo rap, funk e urban pop, o alinhamento foi desenhado a pensar nas gerações que fazem da Cidade do Rock uma extensão das suas playlists.

A liderar o cartaz está 21 Savage, um dos rappers mais influentes da atualidade e vencedor de um Grammy, que se estreia em Portugal diretamente no Palco Mundo. Com álbuns como “american dream” e colaborações com Drake ou Metro Boomin, o artista consolidou um estatuto global e traz a Lisboa um espetáculo que irá marcar a história do festival.

Central Cee reforça o peso internacional deste dia com a força do rap britânico. O artista tornou‑se um fenómeno global com temas como “Doja” e “Sprinter” e soma já mais de 10 mil milhões de streams, números que espelham a dimensão do seu impacto.

Rema completa o trio de cabeças de cartaz internacionais, levando ao Parque Tejo o som afrorave, uma fusão entre afrobeats, trap e pop que tem conquistado o mundo. O artista nigeriano ganhou reconhecimento planetário com “Calm Down”, especialmente na versão em colaboração com Selena Gomez, e tornou-se um dos rostos mais fortes da nova vaga da música africana.

O alinhamento urbano não se esgota nos grandes nomes internacionais: o cartaz inclui também Matuê, Filipe Ret, Dennis, Carlão, Irina Barros e Lola Índigo, entre outros. Juntos, estes artistas desenham um panorama amplo da música urbana em português e em espanhol, com influências que vão do trap brasileiro às fusões entre soul, R&B e ritmos africanos. O resultado é um dia em que a Cidade do Rock fala várias línguas, sempre com batidas fortes e identidades marcadas.

Este será, assumidamente, o dia mais jovem desta edição do festival, pensado para quem cresceu a ouvir música em streaming, descobre sons novos nas redes sociais e vê nos festivais um lugar de encontro, expressão e pertença.

Muito que ouvir e viver na Cidade do Rock

Os bilhetes para o Rock in Rio Lisboa 2026 estão disponíveis no site oficial do festival, através da plataforma Fever, nas lojas Worten e em Worten Online. Para quem quer reviver as músicas que marcaram décadas ou descobrir ao vivo os artistas que lideram hoje as plataformas digitais, o fim de semana de 27 e 28 de junho é uma oportunidade de viver a Cidade do Rock em toda a sua intensidade.