Após uma vitória por 3-2 frente ao Senegal, a Noruega garantiu um lugar nos oitavos de final do Mundial. No entanto, a imagem do dia foi protagonizada pelo selecionador norueguês. Logo após o apito final, Ståle Solbakken quebrou o protocolo e subiu às bancadas do estádio para dar um beijo apaixonado à mulher, um momento carregado de simbolismo para um casal que, anos antes, enfrentou o trauma de uma despedida precoce.

“Eu não sabia exatamente onde é que eles estavam sentados, por isso tive mesmo de inventar uma maneira de conseguir subir à bancada”, confessou Solbakken numa conferência de imprensa, citado pela Marca. Entre beijos e abraços, o selecionador estava visivelmente comovido.

No entanto, por trás da carga emocional desta celebração, está uma história de resiliência que moldou a vida do treinador. A 13 de março de 2001, quando ainda era jogador do Copenhagen, Solbakken desmoronou no relvado durante um treino, após sofrer uma paragem cardiorrespiratória. Esteve clinicamente morto durante cerca de sete minutos.

Mundial 2026. O “milagre” do treinador norueguês que morreu durante sete minutos

“Ao início não conseguia ver nada, era apenas escuridão total. Depois apareceu uma luz azul clara… Chamemos-lhe um túnel. Era uma luz bonita. Quando me acordaram no hospital, só pensei: ‘Oh não, não podia ter ficado ali mais um bocado?'”, recordou o técnico sobre o episódio. A intervenção rápida do médico do clube, Frank Odgaard, que realizou manobras de reanimação até à chegada da ambulância, acabou por salvar a vida de Solbakken.

Solbakken esteve em coma durante 30 horas antes de recuperar a consciência. Isto marcou profundamente a família, especialmente a mulher, Anniken, que na altura tinha 23 anos e ficou sozinha com os filhos. “Para quem assistiu a tudo, o que passaram deve ter sido traumático. A minha mulher ainda hoje não consegue falar sobre o assunto, apesar de já terem passado tantos anos”, admitiu o treinador.

“Os meus pais voaram imediatamente para a Dinamarca. Contaram-me que, durante o voo, a minha mãe começou a tratar do meu funeral. Primeiro, preocupavam-se em saber se eu sobreviveria. Depois, se ficaria com danos cerebrais. Eram esses os pensamentos que atormentavam a minha família e os meus colegas de equipa, que me viram colapsar, morrer e voltar à vida”, contou.

Totalmente recuperado, Solbakken assume que esta experiência mudou a sua escala de prioridades. “Aquela paragem cardíaca acabou por aproximar ainda mais a minha família. (…) Agora percebo o que realmente importa e levo as coisas superficiais com muita mais leveza. Já não me stresso por tudo e vivo a vida um bocado a brincar”, explicou.

No jogo contra o Senegal, depois de estar com a mulher, o treinador regressou rapidamente ao relvado para partilhar a festa com os seus jogadores, chegando mesmo a participar na celebração do “remador”, um dos símbolos da comitiva norueguesa, como relatou o The Sun.

Ao falar sobre o jogo, o treinador elogiou Erling Haaland, a grande figura do encontro, sem deixar de brincar com a eficácia do avançado: “Hoje ele falhou uma oportunidade incrivelmente clara. Podia perfeitamente ter marcado mais golos”.

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Apesar da boa disposição, Solbakken reconheceu que os últimos minutos da partida foram um verdadeiro “pesadelo” devido ao desgaste físico dos seus jogadores e à forte pressão exercida pela seleção do Senegal. “O que realmente importa é que o objetivo principal está cumprido e já estamos qualificados”, destacou.