O tribunal decretou esta quinta-feira a prisão preventiva do advogado detido na quarta-feira pela Polícia Judiciária por suspeitas de se ter apoderado de cerca de 1,2 milhões de euros de clientes estrangeiros que pretendiam obter “Vistos Gold” em Portugal.

“Na sequência do primeiro interrogatório judicial, realizado hoje, foi-lhe aplicada, em conformidade com a promoção do Ministério Público, a medida de coação de prisão preventiva”, adiantou o Ministério Público (MP) em informação publicada na página oficial da Procuradoria-Geral da República.

Segundo a nota do MP, o arguido detido é suspeito de 32 crimes de abuso de confiança, 28 dos quais agravados, e um crime de branqueamento de capitais.

“Resulta indiciado que, no exercício da sua atividade, o arguido, na posse de procurações com poderes especiais que lhe foram outorgadas por diversos cidadãos de nacionalidade chinesa, apoderou-se, desde 2022, de quantia global superior a um milhão de euros que por aqueles lhe era entregue para investimento em aquisição de imóveis no âmbito do designado ‘Visto Gold'”, lê-se na nota do MP.

A Polícia Judiciária esta quinta-feira tinha estimado em pelo menos 1,2 milhões de euros o montante do qual o suspeito, um advogado de 58 anos detido em Odivelas (Loures), se terá apoderado depois de aceder a “inúmeras contas bancárias” dos clientes lesados.

A PJ situava a prática dos crimes entre 2023 e março de 2026, mas o MP remete o início dos crimes para 2022.

O MP adianta ainda que o inquérito, dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, se encontra sujeito a segredo de justiça.