Uma das grandes promessas do futebol argentino vai jogar em Portugal até ao final da época. Como tem sido habitual nos últimos anos, o Campeonato Nacional continua a ser apelativo para aqueles que já foram apontados como um dos jogadores mais promissores do mundo darem seguimento à sua carreira. É com vista a provar todo o seu potencial que outrora o levou a ostentar esse pergaminho e a reforçar o Manchester City por 18,5 milhões de euros que Claudio Echeverri está em Lisboa para reforçar o Benfica por empréstimo dos cityzens até ao final da época, com o negócio a contemplar uma cláusula de compra. Conhecido como El Diablito, o argentino tem 20 anos e, tendencialmente, atua como médio ofensivo, embora possa partir da linha.

O argentino chegou a Lisboa durante a noite de terça-feira, já depois de o mercado de transferências ter encerrado em Inglaterra e em grande parte da Europa — em Portugal continua aberto até às 23h59 de sexta-feira. As horas que se seguiram serviram para ultimar o negócio junto do jogador e dos sky blues, bem como para a realização dos habituais exames médicos, até porque esta quarta-feira as águias tiveram de apresentar na UEFA a lista de inscritos para a Liga Europa. “Estou muito feliz por estar aqui. Não posso dizer muito mais, mas espero amanhã [quarta-feira] poder assinar. Falei com o treinador e também falei com o Rúben Dias e o Bernardo Silva no Manchester City. Estou muito contente. Passaram muitos jogadores argentinos por este grande clube e oxalá possa repetir o que eles fizeram. Quero ajudar o Benfica, que é o maior clube de Portugal, a ganhar títulos”, disse Echeverri no Aeroporto Humberto Delgado.

Nascido a 2 de janeiro de 2006, Claudio Jeremías Echeverri é filho de Rosa e Domingo, que quis contrariar o gosto pelo River Plate que está impregnado na família e é adepto do Independiente de Avellaneda. Ainda assim, o pequeno diabo acabou por escolher o caminho dos familiares e foi no mítico clube de Buenos Aires que despontou para o futebol. Echeverri nasceu no bairro Villa Río Negro, na cidade de Resistencia e, com apenas dez anos, foi escolhido para representar o clube do Monumental de Núñez. Apesar de a mudança ter parecido fácil, esteve longe de o ser, já que o diablito só aceitou a mudança com a condição de a mãe ir consigo. E assim foi, com o River Plate a arranjar prontamente um local em Buenos Aires que permitisse aos pais estarem perto do filho.

Nos millonarios, Echeverri começou a destacar-se num torneio de esperanças realizado em Veneza, tendo apontado nove golos em seis jogos, apesar de os argentinos terem terminado no terceiro lugar. Nesse sentido, o River Plate premiou-o com o primeiro contrato profissional no final de 2022 e colocou-lhe uma cláusula de rescisão de 25 milhões de dólares (cerca de 21,6 milhões de euros). Na época seguinte fez a tão esperada estreia pelo clube do coração, com apenas 17 anos, cinco meses e 20 dias. El Diablito entrou para o lugar de Nacho Fernández, figura do clube de Buenos Aires, e mostrou-se com uma assistência. Esse jogo acabou por ficar marcado na pele do irmão Yonathan, que decidiu fazer uma tatuagem com o momento da estreia de Claudio.

Em janeiro de 2024, o Manchester City garantiu o passe de Echeverri a troco de 18,5 milhões de euros, mantendo-o no River Plate durante todo o ano. O primeiro golo apareceu pouco depois, em março. Em abril bateu um registo histórico com o golo na fase de grupos da Libertadores, frente aos uruguaios do Nacional: com 18 anos, três meses e nove dias tornou-se no terceiro jogador mais jovem da história do River Plate a marcar na principal competição de clubes da América do Sul, atrás do ex-Benfica Javier Saviola (17 anos e dois meses) e Fernando Cavenaghi (17 anos e cinco meses). Atrás de si ficaram Gonzalo Higuaín (18 anos e quatro meses) e Pablo Aimar (18 anos e cinco meses), que também representou as águias. A despedida da Argentina aconteceu a 14 de dezembro, com o médio a rumar a Inglaterra depois de conquistar três troféus internos e de ter feito quatro golos e oito assistências em 48 jogos.

Chegado aos cityzens a meio da época, o argentino teve, naturalmente, dificuldades em conquistar Pep Guardiola, até porque só foi apresentado oficialmente no final de fevereiro. Com a camisola 30, Echeverri participou apenas em três jogos, estreando-se na final da Taça de Inglaterra. No final da época esteve o Campeonato do Mundo de Clubes e estreou-se a marcar no seu primeiro jogo a titular, frente ao Al Ain. No início da época passada voltou a não convencer o catalão e foi emprestado ao Bayer Leverkusen, acabando “devolvido” em janeiro com apenas 11 jogos disputados. No mercado de inverno, a equipa de Manchester acabou por encontrar colocação para o seu jogador no City Football Group, cedendo-o ao Girona depois de o River Plate ter mostrado interesse em receber o diablito.

A experiência em Espanha voltou a não ser positiva para Claudio Echeverri, que foi titular em apenas cinco jogos dos catalães, embora tenha marcado um golo nos 16 que disputou. Nesse sentido, o Manchester City voltou a colocá-lo no mercado, decisão que não mudou com a saída de Guardiola e a entrada de Enzo Maresca. Nas últimas semanas, o River Plate voltou a mostrar a intenção de receber El Diablito por empréstimo, mas o Benfica acabou por ganhar a corrida. Na Luz, Echeverri vai reencontrar Gianluca Prestianni, com quem partilhou o balneário dos Sub-17 da Argentina, em 2022. Para lá da seleção de juvenis, o médio passou pela seleção olímpica, marcando presença em Paris-2024, bem como pelos Sub-20. Quanto à seleção principal, chegou a ser convocado na qualificação para o Mundial deste ano, mas ainda não se estreou.

Recuando no tempo até à chegada às escolas do River Plate, foi aí que Claudio Echeverri ganhou a alcunha El Diablito, num episódio inusitado. A origem remete aos seus dez anos, quando o seu treinador adotou a alcunha de Marco Antonio Etcheverry, conhecido como El Diablo, por conta da semelhança fonética entre o apelido de ambos. Echeverri gostou da ideia e a alcunha acabou por pegar, mantendo-se até aos dias de hoje. Quanto a Etcheverry, o boliviano esteve no Mundial-1994 e é considerado o melhor jogador de sempre da sua seleção, tendo brilhado na MLS nos anos 90. O estilo de jogo é semelhante ao do agora jogador do Benfica, que apresenta um drible curto e imprevisível, velocidade, qualidade no 1×1 e um remate potente. Os 1,70 metros de altura também explicam a alcunha.