O executivo da Câmara do Porto vai votar na reunião de terça-feira submeter a consulta pública o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS), que prevê medidas como o enterramento de três troços da Via de Cintura Interna (VCI).
De acordo com a proposta que vai a votos, a que a Lusa teve esta sexta-feira acesso, a consulta pública deste plano permitirá “promover um processo aberto e participado, reforçando a transparência da atuação municipal”, e a participação da comunidade vai ajudar a “assegurar maior legitimidade, eficácia e adequação das medidas a implementar”.
O PMUS é visto pela autarquia como um “instrumento estratégico destinado a orientar as políticas e medidas municipais no domínio da mobilidade”, uma vez que a cidade “enfrenta importantes desafios neste domínio”, como a dependência do transporte individual.
O plano foi apresentado no Pequeno Auditório do Rivoli a 15 de julho e prevê, num máximo de 10 anos, o enterramento de três troços da Via de Cintura Interna (VCI), nomeadamente Foco, Faria Guimarães e Antas.
Outras medidas são o “prolongamento dos túneis do Campo Alegre e de Faria Guimarães”, para libertar mais espaço à superfície, e o “reperfilamento integral da Estrada da Circunvalação”, foi explicado à data por Sandra Lameiras, presidente da empresa OPT, que apresentou o plano em conjunto com o coordenador da Divisão de Mobilidade, Miguel Lopes.
Precisamente na Circunvalação, o plano prevê a construção de um interface na zona do Hospital São João, propondo Sandra Lameiras “o enterramento da linha de metro, do canal rodoviário da Circunvalação, um parque de estacionamento subterrâneo, um terminal rodoviário à superfície e uma ligação pedonal eficiente à Linha de Leixões”.
No plano está também prevista a implementação de um sistema de bicicletas partilhadas para “aumentar o acesso à bicicleta”, “reforçar a intermodalidade” e “aumentar a captação do transporte público”, identificando a OPT 56 locais para estações localizadas ao longo da rede ciclável proposta, mas todas a médio e longo prazo.
São também propostos oito novos meios mecânicos para auxiliar a mobilidade pedonal em zonas como a Batalha, Galiza, Palácio de Cristal, Virtudes e Via Panorâmica, mas também nas Antas.
À data, no início da apresentação, o vereador com o pelouro da Mobilidade, Hugo Beirão Rodrigues, estabeleceu a hierarquia viária seguida pela autarquia: “em primeiro lugar o peão, depois, o transporte público, seguido dos modos suaves e, por fim, o automóvel”.
Este verão, a autarquia alargou a Rede 30 à zona a norte da Avenida da Boavista e à zona do Campo Alegre, depois de em fevereiro a rede ter sido implementada à zona compreendida entre a Avenida do Marechal Gomes da Costa e a Praça de Mouzinho de Albuquerque (Rotunda da Boavista).
A concretização da Via de Cintura Externa ou a recuperação do Ramal da Alfândega, planos de logística urbana e fiscalização do estacionamento indevido são outras das medidas do plano.