Os trabalhos preparatórios para a construção do troço da Linha de Alta Velocidade (LAV) Porto-Oiã vão arrancar no final deste mês, informou esta terça-feira fonte da AVAN, concessionária responsável pela construção e manutenção do troço.
«Ao nível dos trabalhos no terreno, a perspetiva é que tenhamos aqui o arranque no final deste mês, dos primeiros trabalhos preparatórios, das primeiras mobilizações, e começaremos precisamente por sul, pela zona de Aveiro, com algumas frentes de trabalho», disse Álvaro Fonseca, diretor de operações da AVAN.
O responsável falava perante uma plateia de cerca de 150 pessoas durante uma sessão de esclarecimento sobre a LAV que decorreu ao final da tarde em Aveiro dirigida às populações das freguesias abrangidas pelo traçado, nomeadamente, as freguesias de Eixo e Eirol e de Requeixo, Nossa Senhora de Fátima e Nariz.
Segundo fonte da concessionária, os trabalhos preparatórios da empreitada irão começar com a montagem do estaleiro da ponte Rio Largo e da Ponte Rio Vouga no mês de setembro, e, no decurso do mês de outubro, terão lugar as primeiras escavações, bem como as operações de desmatação e terraplanagem.
Relativamente ao processo de expropriações, a empresa diz que em Aveiro há cerca de 500 parcelas afetadas, das quais já terão sido contactadas cerca de 300, havendo mais de 120 acordos.
«O objetivo da AVAN é chegar a acordo com a maioria dos proprietários (…) é uma negociação que se quer amigável, cordata», disse Álvaro Fonseca.
O responsável destacou também as oportunidades ao nível do emprego, adiantando que irá haver um centro de manutenção na zona de Estarreja que “vai ter que empregar bastantes pessoas que serão responsáveis por manter a linha”, para além do processo de construção em si “que gerará também aqui algumas oportunidades seguramente ao nível do emprego”.
Presente na mesma sessão, o presidente da Câmara de Aveiro, Luís Souto Miranda, realçou o interesse estratégico da LAV para o município, adiantando que “Aveiro fica num eixo muito importante, que é o que se prolonga para a Galiza”.
“Estamos a falar também de colocar a cidade de Vigo a pouco mais de uma hora de Aveiro”, afirmou o autarca, adiantando que o município ganha um fator de competitividade muito importante, “que é a forte ligação que, com certeza, se vai acentuar com as infraestruturas existentes na cidade do Porto, nomeadamente o aeroporto Francisco Sá Carneiro”.
Durante a sessão, foram apresentadas algumas dúvidas sobre os trabalhos para a escavação do túnel da LAV que irão decorrer junto às casas existentes, tendo os responsáveis da concessionária assegurado que não haverá afetação direta com as fundações, estando previsto durante e após a construção um programa de monitorização das vibrações.
Ainda assim, os responsáveis da empresa admitem que nas situações em que as casas estão muito próximas da zona de escavação, “poderá haver necessidade de alguma relocalização das pessoas temporariamente”.
Outra das dúvidas teve a ver com a proteção dos poços existentes nas imediações da obra, tendo os responsáveis da AVAN garantido que irá haver uma monitorização da qualidade da água e do nível freático nos poços que estão cartografados ou licenciados.
Para além desta sessão, haverá um centro de atendimento permanente que irá começar a funcionar em breve em Campanhã e um centro de atendimento itinerante que vai percorrer todas as freguesias em datas a anunciar brevemente e que fará um atendimento individual.
O projeto da LAV em Aveiro tem uma extensão ferroviária de 8,19 quilómetros e uma área de ocupação estimada de 57,16 hectares e promete reduzir em cerca de 15 a 20 minutos a ligação Aveiro — Porto, tendo em conta os tempos numa viagem no Alfa Pendular.
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