A administração do Teatro Nacional D. Maria II (TNDMII) garantiu esta quinta-feira que a reabertura ao público, na sexta-feira, dia 18, decorrerá com as condições técnicas e de segurança exigidas por lei, contestando as preocupações manifestadas pelos trabalhadores.
Em comunicado enviado à agência Lusa, o Conselho de Administração (CA) contesta “o retrato de um teatro que reabre sem condições materiais de trabalho adequadas”, na sequência das críticas feitas na quarta-feira pela Comissão de Trabalhadores.
Os trabalhadores alertaram para “o cansaço físico e psicológico” da equipa e para “condições improvisadas” de trabalho, afirmando que a maioria dos postos ainda não dispõe do mobiliário necessário e apontando problemas como bloqueios de elevadores e monta-cargas, falhas no sistema de deteção de incêndios e inexistência de ar condicionado.
A administração sustenta agora que as ocorrências técnicas referidas pelos trabalhadores dizem respeito ao programa “Prólogo”, realizado em junho e julho, quando o edifício se encontrava ainda “numa fase de entrada em funcionamento, teste e afinação dos sistemas e equipamentos”. “As situações identificadas foram imediatamente sinalizadas e acompanhadas pelas equipas responsáveis pela obra, pela fiscalização e pela manutenção, tendo sido resolvidas”, afirma.
O CA garante que “a abertura ao público acontecerá com as condições técnicas e de segurança legalmente exigidas devidamente garantidas”, considerando que as ocorrências verificadas durante o “Prólogo” “não [podem] ser apresentadas como um retrato das condições atuais do edifício”.
Relativamente à instalação dos postos de trabalho, a administração explica que o regresso das equipas ao edifício do Rossio foi planeado de forma faseada até ao final do ano, “a pedido das próprias equipas”, para evitar que a mudança coincidisse com o período da reabertura ao público. “O facto de nem todos os serviços estarem instalados no Rossio a 18 de setembro corresponde, portanto, a um calendário de regresso que procurou respeitar as necessidades dos trabalhadores. A reabertura ao público e a instalação integral dos serviços são, assim, processos distintos”, sustenta.
Segundo o Conselho de Administração, estas informações são do conhecimento da Comissão de Trabalhadores, com a qual mantém “comunicação frequente” e que participa, a convite da administração, nas reuniões semanais de coordenação com os diretores de departamento.
A administração recorda ainda que a requalificação do edifício representou um investimento de 15,1 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que permitiu, segundo o CA, melhorar “profundamente a segurança, a acessibilidade, o conforto e a funcionalidade” do teatro.
Na quarta-feira, a Comissão de Trabalhadores exigiu também que as negociações do Acordo de Empresa fossem tratadas como “uma prioridade” pelo Governo e pelo Conselho de Administração.
Na resposta esta quinta-feira divulgada, o CA afirma que as negociações com os sindicatos representativos dos trabalhadores, o STFPSSRA e o CENA-STE, “têm registado avanços significativos na construção de um consenso” e que estão em curso reuniões com a tutela para validar os respetivos termos.
“Reconhecemos o esforço de adaptação das equipas ao longo dos anos de encerramento do edifício para remodelação e levamos a sério as preocupações que manifestam”, afirma a administração.
O TNDMII reabre na sexta-feira o edifício histórico no Rossio, em Lisboa, depois de três anos encerrado para obras de requalificação, com três dias de celebrações e uma programação que inclui “Macbeth”, de William Shakespeare, com encenação do diretor artístico, Pedro Penim.