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Pé direito na entrada do Benfica na Liga Europa, na primeira jornada da fase regular, venceu ontem em San Siro, o AC Milan, por 2 x 0. Gabriel Alves, João Castro, Mariana Fernandes e Pedro Henriques para analisar a atualidade desportiva, que tem também hoje a estreia do Torriense na Liga Europa. Joga na Noruega, frente ao Lillestrøm. Sejam bem-vindos, campeões. Mariana Fernandes, começaria por ti. Marco Silva foi o maestro desta vitória, numa noite em que o maestro Rui Costa também até foi homenageado no relvado do San Siro. Marco Silva rodou a equipa mais do que se esperava. Acho que o Pedro Henriques não acertou pra aí num ou dois, mas apostava também nalguma rotação. Foram nove as alterações e isto torna a vida de Rúben Amorim em Milão um pouquinho mais complicada. As últimas horas têm tido muitos cenadores a criticar o treinador português do Milan.

Sim, começando pelo fim, ou seja, começando por Rúben Amorim, eu percebo a ideia e ele próprio disse isso com alguma graça na conferência de imprensa, que parece que anda há dois anos e meio a dizer as mesmas coisas. Ou seja, desde que chegou à United que diz que é preciso a equipa juntar-se e fechar-se no balneário e ultrapassar estes primeiros tempos um bocadinho mais difíceis pra conseguir chegar a uma velocidade de cruzeiro, etc. Ele brincou um bocadinho com isso. Mas a verdade é que Rúben Amorim, escolhendo estes projetos, primeiro o United, antes o Sporting, mas primeiro o United e depois o Milan, acaba por ficar muito sujeito a que apareçam desde logo estes cenadores, a que apareça desde logo uma transmissão televisiva que muito rapidamente foi buscar o António Conte às bancadas do San Siro, e que apareçam desde logo potenciais novos e futuros treinadores que podem substituí-lo. Estamos numa fase muito embrionária da temporada. Rúben Amorim foi a aposta no verão, Milan gastou algum dinheiro em reforços. É certo que foi uma derrota difícil e que o Milan não está propriamente a jogar bem, mas ganha os primeiros dois jogos do campeonato. Estamos mesmo numa fase muito inicial da temporada. Eu não consigo desde já dizer que a história vai ser igual à do United ou que vai ser igual à do Sporting, agora que eu acho que Rúben Amorim ainda tem alguns meses pela frente. Em Itália, isso parece-me claro. Ou seja, não acho que as coisas estejam num ponto de derrocada absoluta pra se falar desde já num eventual despedimento de Rúben Amorim. Indo a Marco Silva, é uma vitória do Benfica que é uma grande vitória de Marco Silva. Isso parece-me evidente. Não só é a primeira vitória de sempre do Benfica contra o Milan em jogos oficiais, sendo que duas das outras quatro eram em finais da Taça dos Campeões Europeus, o que deixava aqui uma marca grande no confronto direto entre os dois clubes, e Marco Silva acaba por conseguir aqui contornar esse cabo das tormentas, e consegue aquilo que andava a dizer desde o início da temporada que tinha de fazer. Ou seja, ele dizia que não tinha e nem podia ter 11, 12, 13 jogadores, tinha ter um plantel inteiro, porque o Benfica que quer ser campeão nacional, o Benfica que quer ser competitivo na Taça de Portugal, na Taça da Liga e que quer ser competitivo na Liga Europa, sendo um dos candidatos a ganhá-la, tem de ter mais do que 11, 12, 13 jogadores. E Marco Silva mostrou claramente que tem dois ons iniciais, praticamente, só manteve dois jogadores face à última jornada contra o Gil Vicente, e dois ons iniciais que dão muitas garantias, garantias ao ponto de ganhar a Itália e ao Milan na Liga Europa. Portanto, é uma grande vitória de Marco Silva, isso é evidente. Claro que são os jogadores que jogam, mas Marco Silva mostra que está a fazer um bom trabalho no Benfica.

João Castro, tivemos também o Kaminski em destaque, um pouco criticado nas primeiras exibições que fez com a camisola dos encarnados, mas o polaco ontem faz uma assistência e um gol. Banja aqui também parece ter dado boa conta do recado na ala direita. Como é que olhas para todas estas mudanças de Marco Silva e para o surgimento aqui de uma segunda linha que parece dar garantias?

Olha, boa tarde a todos. Em primeiro lugar, é uma grande vitória do Benfica, obviamente. E conforme a Mariana disse, e concordo, é uma grande vitória do Marco Silva. E não é pelo Benfica ter ganho, é pela maneira como se percebe que existe trabalho feito a nível de treino no Seixal. Ou seja, existe dedo do treinador. Ontem muito bem, Kaminski, por exemplo, a fechar pra linha de cinco pra proteger a largura, tanto que a equipa do Rúben Amorim gosta de atacar e, portanto, nota-se ali também conhecimento tático e a maneira como preparou o jogo, não foi só mudar os jogadores, porque obviamente o objetivo e o grande objetivo do Benfica e do Marco Silva é o campeonato e, portanto, esse jogo do Dragão a ser salvaguardado com a rotação. E depois nota-se nisso, quando um treinador consegue pôr uma segunda linha a jogar bem e às vezes a ter que sofrer também e de forma pragmática, quando o Milan, depois também que tinha rodado algumas peças, começa a meter a carne toda no assador, é verdade, nota-se aqui o dedo do treinador. Portanto, os jogadores muito bem treinados, nota-se que existe processos, existe aqui não só o modelo de jogo, mas os princípios de jogo bem assentes, e estes jogadores interpretaram bem. E, portanto, todos aqueles que entraram, acho que fizeram boas partidas, o próprio lateral esquerdo muito ofensivo, o nosso central também muito forte nos duelos. O Palhinha também ajudou bastante na fase mais complicada. Kaminski vem a fechar, lá está, pra linha de cinco. E, portanto, eu acho que de tudo o que se pode dizer é que este Benfica tem já o dedo do Marco Silva e muito mérito dele. Em relação ao Rúben Amorim, se me permites.

Por favor.

Na altura, dizia-se que a estrutura do Sporting era o Rúben Amorim. Agora, se calhar, podemos pensar que se calhar a estrutura do Sporting era a estrutura do Sporting mais o Rúben Amorim em conjunto. Não era só o Rúben Amorim

E, portanto, porque o Roberto Mourinho não conseguiu ter sucesso no Manchester, aqui no Milan vai ter as mesmas dificuldades, embora eu espero que realmente, está numa fase muito precoce da época. Mas a verdade é que a grande estrutura, ou seja, o casamento foi perfeito. Não é mérito de um, que era a estrutura do Sporting, nem era mérito só do Roberto Mourinho, era um conjunto. E, portanto, está mais que provado que sozinhos às vezes não se consegue fazer nada. É preciso ter realmente boas sinergias entre as duas partes.

Gabriel Alves, como é que viste esta vitória do Benfica em Milão? De facto, fez-se história porque nunca tinha vencido a equipa italiana, mas sai também aqui já com os olhos postos no Estádio do Dragão. Segue-se o Futebol Clube do Porto e Marco Silva vai voltar a mexer na equipa.

Boa tarde, são coisas diferentes. Milão foi ontem, foi um jogo, tem uma história. O próximo é outra situação. Pegando as palavras muito bem aqui salientadas pela nossa companheira, eu queria só dizer que Marco Silva precisa dos jogadores, portanto, todos para esta época. Para a Mariana. A verdade é que o Rúben Amorim diz a mesma coisa, só que estão os dois ao mesmo tempo, portanto, nas duas equipas. O Amorim vai dizendo que a época não pode-

Desculpa, Gabriel, não percebi a questão para a Mariana. Estávamos aqui a tentar perceber.

Estava eu a dizer que a Mariana levantou a questão de que Marco Silva tinha falado que esta época, a incisão que o Benfica tem na época, as obrigações, precisa ter vários jogadores, portanto, e ter soluções. O mesmo diz o Amorim. Isto está ao mesmo tempo que o Marco Silva. O Marco Silva no Benfica, o Amorim no Milan. E o Amorim diz: “A época não pode ser encarada com 11 ou 14 jogadores. Para chegar à final, temos que administrar bem o rodízio.” Pois é, uma linguagem italiana. A verdade é que Marco Silva está a fazer o seu trabalho, está a haver produto, está a haver rendimento, está a haver luz da parte de Amorim, isso não está a acontecer. E eu olhando aqui para a Gazeta dello Sport hoje, não há uma fase ofensiva convincente, a defesa parece uma autoestrada americana, faixas largas, penetrações, espaços enormes, uma autoestrada italiana em obras seria bem melhor. Ora bem, isto agora vou ser eu que digo, Marco Silva estudou muito bem este Milão e o Benfica pôs em toda a extensão esta fragilidade, esta limitação milanesa. E nos lances ofensivos desenvolvidos, o suporte do Benfica foi feroz, foi contundente, onde a habilidade se casou à profundidade, envolvendo toda a defesa milanesa, que foi completamente incapaz de resposta, quer naquilo que é o coletivo e o individual. Atenção que eu acompanho o futebol italiano em análises e em comentários através da televisão. Aos erros individuais de concentração, o Benfica respondeu com concentração e disciplina de jogo total. Portanto, os seus futebolistas, todos, naturalmente, coletivos, coesos. E pegando em Kaminski, que pegou muito bem aqui o João, apareceu, marcou, e a verdade é que com este gol, mais do que, embora eu pense que o gol é importante, porque é uma nota fundamental no jogo, mas para ele, sob o ponto de vista tático, ele abriu um tato de expansão, porque a questão de ele marcar em cima e sair para quinto defesa, aliás, que é uma nota que o Marco ontem até focou isso depois na sua conferência após o jogo, é que eu já o via experimentado quando entrou no último jogo aqui do campeonato, que deixou algo impressionados quem estava a analisar o jogo. E quero dar aqui uma nota também muito forte ao Lukebakio. Finalmente, apareceu o Lukebakio que eu comentava e analisava quando o Sevilha era uma equipa da Europa. Só para terminar, duas coisas.

Rapidamente.

Corriere dello Sport: “Benfica é ótimo, Milan é pequeno, verdadeiro desastre é Amorim. Uma lição de bola de Marco Silva.” Olha, atenção ao Amorim, a Mariana já falou nisso, o conto está lá. E já agora, só para rematar, atenção ao Gonçalo Ramos, perdeu 16 bolas. Estão a perceber porque ele era suplente de recurso? Três jogos, zero gols.

Pedro Henriques, queria também o teu comentário breve, se possível. Estamos aqui com uma edição um pouquinho mais curta hoje neste “E o Campeão É”, esta vitória do Benfica, mas também a entrada em campo do Torriense, que é uma terra com qual tens-

Isso é Torriense, deixa eu ir para as minhas notas

...tens a proximidade mais geográfica. Vamos a esses dois comentários.

Torriense é para a mióta. Não, Torriense é a mióta de campeão, por isso não vou falar agora, se não te importas.

Avança com ela depois no final do comentário, por favor.

Ok, é isso mesmo. Em relação ao Benfica, ganhou o jogo e ganhou o descanso dos 11 que vão a jogo no próximo domingo. E acho que isso é uma dupla vitória. O que é que há a dizer? Curiosamente, para mim, os três homens de destaque, primeiro, Lukebakio, claramente. Aliás, foi considerado por muitos sites o melhor jogador. Trubin, que não se pode esquecer, quatro defesas extraordinárias, seguro e a dar uma resposta cabal e um outro aspecto no jogador que vai ser o próximo titular, claramente, da lateral esquerda do Benfica, que é o Helder Caraúnio. É que nem deixem dúvidas, podem já escrever aí a data e a hora que eu disse isso. Teve bem o Banjak, mas o Banjak ainda não tem, no meu ponto de vista, aquilo que é preciso para tirar da direita o Dalot. Finalmente, só relembrar o seguinte: o Benfica perdeu a posse de bola, 40 a 60%, perdeu também num aspecto que é muito relevante, 10 a 1 em cantos. Se o Benfica dá 10 cantos ao Porto, atenção à concretização do Porto exatamente neste momento da bola parada, e até fez menos remates. Agora, onde é que se ganha? Ganha-se naquilo que é o mais importante. Dividiu quatro remates em quadros, tal e qual como o Milan, porque parece que os números, de repente, é tudo Benfica. Não, o Benfica foi muito mais eficaz e eficiente, porque até em vários números perdeu e depois ganhou em duelos e em alívios. Isso é muito importante. Significa que teve uma atitude competitiva muito grande e conseguiu interceptar, cortar e destruir, no bom sentido da palavra, muito aquilo que foi o jogo do Milan e depois a eficiência ou eficácia, como queiram dizer. E, portanto, uma vitória histórica do Benfica respira saúde, como foi dito aqui muito bem, com muito dedo de um treinador que se percebe que trabalha e ganha um balneário. Ontem, ganhou um balneário. Já ninguém fica lá desiludido por estar no banco e sabe que podem ser soluções e alternativas, inclusivamente para titulares.

Nem Trubin?

Não, o Trubín não é titularidade. Claro que não. Os 11 que vão a jogo, não são todos, estiveram quase todos a descansar. Depois no domingo a gente fala.

Ok, vamos a essa nota para o Torriense, como já percebemos, Pedro.

A minha nota de campeão, se é isso que queres, vai já para duas notas. Do Benfica, pela vitória ontem em Itália, no Milan. Além de ser histórico, este resultado foi muito bom, como dissemos, para ontem e obviamente para aquilo que é o futuro da própria competição. Se as perspectivas já eram boas com os jogos que seguem, agora ainda são melhores, inclusive para passar diretamente. E para o Torriense, porque vai fazer história como clube. Está na Liga Europa, surpreendeu todos quando ganhou, de certa forma, a Taça de Portugal e aparecer aqui, neste patamar, neste momento. Já ganhou só por estar ali, como se costuma dizer, e agora todos os pontos que conseguir concretizar vão ser ouro. E eu acho muito curioso que até há duas equipas, uma inglesa e uma escocesa, que vão visitar Leiria, neste caso. Portanto, vem muita malta de fora e vai ser um ambiente incrível. Hoje, na Noruega, qualquer ponto que consiga conquistar é ouro. Esperemos é que este Torriense não perca o foco naquilo que é o mais relevante e importante, porque normalmente estas equipas quando surgem nestes patamares de forma inesperada, depois têm muitas dificuldades naquilo que são as suas próprias ligas. E o Torriense deveria ser um clube que devia estar a lutar para subir de novo à Primeira Liga.

Mariana Fernandes, o teu campeão de hoje?

João Cancelo.

Grande golo.

Sim, dois grandes golos.

Diz que é o melhor da carreira dele.

Sim, ele marcou dois. Há um que é considerado autogolo, porque desvia no adversário, mas para mim marca dois. O primeiro foi o que valeu para as contas e para a história. Ele diz que foi o melhor golo da carreira. Parece-me evidente que sim. O Barça destruiu o Racing de Santander por 7-2. Muito disso à boleia, não só do hat trick do Rafinha, mas dos dois golos brutais do João Cancelo. Ele deixou bem claro que este ano só queria jogar num sítio, que era no Barcelona, que estava disponível para estar meses sem jogar com contrato com o Al-Hilal, se não conseguisse estar no Barcelona. Lá está, parece-me que está feliz e também são ótimas notícias para a seleção nacional, que está aí à porta.

É verdade. João Castro, o teu campeão de hoje?

O meu campeão vai para o Torriense. Vai jogar na Noruega com o Lillestrøm. O Lillestrøm tem um jogador que fala português, um angolano, o Vá, e toda a sorte para eles. Para o Benfica, obviamente, nota 20 pela vitória histórica fora, difícil, no San Siro, 2-0 para o Milão. E depois aqui uma nota 20 também para este evento Red Bull com Max Verstappen a guiar contra 100 pilotos amadores em karting a partir de lá atrás e a vencer a corrida. Muito divertido, da Disney Plus, e portanto um bom evento e muito divertido de observar.

Gabriel, fechamos contigo. Estamos com pouco tempo, vamos lá a essa nota.

Eu vou começar por dar 20 ao Pedro Henriques, casaco e gravata com que aparece agora nas fotografias aí no digital. Muito bem. Sem falta, casaco e gravata. Vamos então às outras notas. Vou dar 18 ao Marco Silva pelo excelente trabalho que está a fazer, pela marca que está a deixar. Vou dar cinco ao Rúben Amorim, que naturalmente é do mais do mesmo, em relação internacional. Vou dar 20 ao Cancelo, porque eu fiz o jogo, comentei, até pulei e vou terminar com isto: "É disto que o meu povo gosta!" Cancelo, bem usado.

Amanhã pode acompanhar a primeira convocatória de Jorge Jesus como selecionador nacional. Temos emissão especial na Rádio Observador a partir do meio-dia. Até amanhã, campeões.