A Flixbus confirmou que vai iniciar a operação no terminal rodoviário de Sete Rios, em Lisboa, em 29 de setembro, com 23 horários diários, mas o diferendo com a Rede Expressos, gestora da infraestrutura, mantém-se.

A entrada da marca alemã no principal terminal de viagens de autocarros da capital acontece mais de seis meses depois de o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa ter determinado “a concessão imediata de acesso” da Flixbus a Sete Rios, “limitada à capacidade (efetivamente) disponível”.

As duas empresas estão em conflito desde 2023, depois de a Rede Nacional Expressos (RNE) — gestora do espaço e simultaneamente operadora rodoviária — ter recusado à Flixbus a utilização do terminal.

A operadora de origem alemã afirma em comunicado que o arranque da operação com 23 horários representa “uma primeira fase de um processo que considera longe de estar concluído”, dizendo que “entre as 16:30 e as 20:30, não foi atribuída à Flixbus qualquer disponibilidade para operar diariamente no terminal, criando um período de bloqueio naquele que é o momento de maior procura”.

“Os 23 serviços agora autorizados representam cerca de 1,9% da alegada capacidade total do Terminal de Sete Rios, estimada em cerca de 1.200 serviços diários, e apresentam limitações significativas”, vinca a empresa.

O diretor das operações da transportadora em Portugal, Tiago Cavaco Alves, afirma no comunicado que este arranque “não significa que o processo esteja resolvido, dado o reduzido volume de operação”, e garante que “a Flixbus continuará a exigir um maior escrutínio à efetiva capacidade do terminal e a lutar por um acesso em condições equitativas, transparentes e não discriminatórias” em relação à Rede Expressos, “até que a decisão do tribunal seja cumprida na íntegra”.

“Começar a operar em 29 de setembro é importante para os nossos passageiros, mas não altera a questão de fundo”, defende Cavaco Alves.

Para preparar os próximos passos da operação a partir do terminal lisboeta, a empresa diz estar a analisar “os restantes 40 slots horários disponibilizados pelo terminal, de forma a perceber como podem ser integrados na operação atual, sendo ainda necessário que o gestor do terminal atualize a validade destas autorizações de paragem, que neste momento é de apenas 60 dias úteis”.

“Concluído este processo, a Flixbus irá então definir novas datas para as próximas fases de operação a partir deste terminal da cidade de Lisboa”, explica.

As ligações de Sete Rios para a região Norte têm como destinos Porto (TIC), Braga, Ponte de Lima e Viana do Castelo.

Para o Centro, há viagens para Coimbra, Fátima, Tondela e Viseu.

Para o Algarve, os destinos são Faro, Faro (Aeroporto), Albufeira, Armação de Pêra, Quarteira, Lagos e Portimão.

As ligações com destino a Sete Rios a partir do Norte do país terão como origem Porto (TIC), Porto (Aeroporto), Braga e Guimarães.

Do Centro para Sete Rios haverá viagens a partir de Coimbra, Aveiro, Castelo Branco, Covilhã, Figueira da Foz, Guarda e Nazaré.

Do Algarve, as ligações até ao terminal lisboeta partirão de Faro, Faro (Aeroporto), Albufeira, Armação de Pêra, Quarteira, Lagos e Portimão.

No início de setembro, a Flixbus anunciou que avançou com uma ação executiva em tribunal e uma participação criminal contra os gestores da Rede Expressos para tentar garantir o acesso ao terminal.

A Rede Expressos garantiu que deu “acesso imediato” em 22 de maio e que o operador só não tinha iniciado a operação em agosto “por responsabilidade própria”.

A Flixbus contestou esta versão, dizendo que “sempre deixou claro que necessita de um período mínimo de 20 dias, após a confirmação definitiva do acesso ao terminal e a correção da validade das declarações de capacidade, para realizar todas as alterações necessárias” no sistema e preparar a transferência da operação da Gare do Oriente, onde a empresa atualmente opera, para Sete Rios.