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Arranca San Sebastían com Fatih Akin, Mike Leigh, Pablo Larraín e Nicole Garcia

Dezassete filmes correm no País Basco pela Concha de Ouro incluíndo “The Debut”, de Jesse Eisenberg, com Julianne Moore e Paul Giamatti. Herzog e Naomi Watts homenageados. Ira Sachs preside ao júri.

"La Bola Negra", filme que brilhou em Cannes, vai passar em San Sebastián. O maior festival de cinema da Península Ibérica começa esta sexta-feira e continua até dia 26
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"La Bola Negra", filme que brilhou em Cannes, vai passar em San Sebastián. O maior festival de cinema da Península Ibérica começa esta sexta-feira e continua até dia 26

"La Bola Negra", filme que brilhou em Cannes, vai passar em San Sebastián. O maior festival de cinema da Península Ibérica começa esta sexta-feira e continua até dia 26

San Sebastián favorece La Bola Negra, filme de Javier Ambrossi e Javier Calvo, inspirado nessa novela inacabada de Federico García Lorca, e co-produzido, entre outros, pelos irmãos Almodóvar, Pedro e Agustín. A obra estreou-se a concurso em Cannes, será agora exibida no País Basco pela primeira vez e já se sabe que representará Espanha nos Óscares. Inscrito no cartaz gigante que a promove, é de Lorca (e da peça de teatro Mariana Pineda), por supuesto, o célebre verso que dá as boas-vindas a quem passa: “En la bandera de la libertad bordé el amor más grande de mi vida.” Estamos na Ponte de Zurriola, entre o muy chic Teatro Vitória Eugénia, colado ao esplêndido Hotel Maria Cristina (ambas rainhas de Espanha, nora e sogra, aliás) e os dois gigantes cubos de vidro translúcido do vanguardista Kursaal, o centro de congressos desenhado por Rafael Moneo. É aqui que, todas as segundas quinzenas de Setembro, se instala de armas e bagagens o maior festival de cinema da Península Ibérica. A nova edição começa esta noite, até dia 26.

San Sebastián, o último dos grandes no calendário, tem-se tornado um festival pujante nestes anos do pós-pandemia e, sem surpresa, é o ponto de convergência anual de todo o cinema ibero-americano (que é imenso), além de ser o primeiro, na Europa, a divulgar as estreias mundiais que vêm do lado de lá do Atlântico, de Toronto. Este é o caso do veterano Mike Leigh, que assim repete a estratégia de Verdades Difíceis e chega agora a terras bascas após a estreia canadiana — o novo trabalho chama-se Tender Loving Care. No júri presidido pelo norte-americano Ira Sachs, estarão as actrizes Alice Braga (Brasil) e Patricia López Arnaiz (Espanha), a argumentista Catherine Paillé (França), o realizador Genki Kawamura (Japão), o actor Bill Skarsgård (Suécia) e o produtor e programador Mike Goodridge (Reino Unido).

"Tender Loving Care", de Mike Leigh

Mike Leigh encontrará na compita a francesa Nicole Garcia (7h40 ce matin-là, com Marion Cotillard e o sensível québécois Théodore Pellerin) ou o chileno Pablo Larraín (Mis muertos tristes, uma entrada no sobre-natural), para citar apenas autores que já tiveram ampla divulgação entre nós. Fatih Akin é também um deles e Ghost Song, novo trabalho do germano-turco, uma vez mais rodado na sua cidade-natal, Hamburgo, inaugura esta noite o festival.

Da América vem Jesse Eisenberg, actor de Noah Baumbach, Woody Allen, Kelly Reichardt e David Fincher. Enveredou por um percurso de cineasta nesta década que ainda não convenceu. Contudo, The Debut, a sua terceira longa-metragem, não traz apenas Julianne Moore na pele de uma tímida dona de casa de meia-idade que consegue um pequeno papel no musical de um teatro comunitário de New Jersey (encenado por Paul Giamatti). Traz também dos EUA ecos muito promissores para a temporada de prémios — a revista Variety apontou-o como um dos favoritos aos Óscares. Passará em solo basco (após a estreia em Toronto), a concurso pela Concha de Ouro. Fora de competição, para entretenimento dos donostiarras, é esperado Brad Pitt pela sua presença (ao lado de J.K. Simmons) em Heart of the Beast, de David Ayer.

Juliane Moore em “The Debut”, de Jesse Eisenberg

Pitt será sempre uma estrela bem vinda a San Sebastián, mas nem por isso necessária. Um dos trunfos da direcção artística de José Luis Rebordinos (que cederá agora o cargo, ao fim de 15 anos, a uma programadora formada na sua equipa, Maialen Beloki) tem sido a aposta no cinema hispânico em toda a sua abrangência cultural e geográfica, e que levou a três Conchas de Ouro consecutivas para o cinema espanhol nos anos mais recentes: O Corno do Centeio, de Jaione Camborda, em 2023, Tardes de Solidão, de Albert Serra, em 2024 e Os Domingos, de Alauda Ruiz de Azúa, em 2025. Este ano, San Sebastián aposta em 5 minutos más, de Javier Ruiz Caldera, El mal padre, de Roberto Bueso e Sants, de Mikel Gurrea. Qualquer um destes cineastas tem parco currículo e tudo ainda a provar, no ano em que as três obras espanholas mais destacadas rumaram à Croisette (entre elas o supracitado La Bola Negra).

Não há cinema português na competição principal de San Sebastián, mas a língua vai ser representada por Vicentina Pede Desculpas, do brasileiro Gabriel Martins. A heroína do título é uma professora reformada, interpretada por Rejane Faria, que perde o filho, motorista de autocarro, num acidente em Belo Horizonte. Quase todos os passageiros morrem e, à medida que a investigação avança, começam a surgir indícios de que o motorista poderá ter provocado deliberadamente o acidente, num possível suicídio. Vicentina toma então uma decisão invulgar: a de procurar, uma por uma, as famílias das vítimas, pedindo-lhes desculpa pelo insondável acto. Rejane Faria contracena com Maíra Azevedo, Grace Passô, Karine Teles, Giovanna Heliodoro, Flavio Bauraqui e Thalma de Freitas.

Rejane Faria em “Vicentina Pede Desculpas”, do brasileiro Gabriel Martins

Werner Herzog e Naomi Watts serão homenageados com o prémio honorário Donostia. O alemão esteve há poucos dias em Veneza, a apresentar Bucking Fastard. Já a actriz inglesa tem estado a promover The Housewife, realizado por Ben Shirinian. É um drama passado na Nova Iorque de 1964, baseado numa história verídica. A personagem de Watts é inspirada em Hermine Braunsteiner, antiga guarda de um campo de concentração nazi. Depois da guerra, conseguiu emigrar para os Estados Unidos e viver durante anos como uma banal dona de casa em Queens. Alertado pelo célebre caçador de nazis Simon Wiesenthal, um jovem jornalista americano lançou então uma investigação sobre a ex-SS, descobrindo-lhe o rasto.

O autor escreve segundo a antiga ortografia.

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