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As notícias com Carla Jorge Carvalho. No dia em que o Parlamento discute formas de fazer face ao aumento do custo de vida, a DECO Proteste insiste na importância do IVA zero nos combustíveis e no cabaz alimentar.
O primeiro-ministro já afastou a proposta da oposição de baixar o IVA sobre combustíveis e sobre o cabaz alimentar. Ontem à noite, Luís Montenegro foi claro ao dizer que essa medida iria desregular as contas públicas a longo prazo. Em declarações esta manhã à Rádio Observador, o porta-voz da DECO Proteste, Nuno Figueiredo, defende que o IVA zero poderia ter impacto positivo no combate ao aumento dos preços, se houver fiscalização e controle.
O IVA zero teria, eventualmente, um impacto na carteira dos consumidores se a essa medida fosse associada uma fiscalização e um controle sobre os preços, através das autoridades competentes, sobre os preços que se praticam. Ou seja, para um consumidor, usufruir do IVA zero é benéfico, mas semanalmente os preços a subir, quase de forma descontrolada e muitas das vezes sem uma explicação aparente, faz com que não se note na carteira a ausência deste imposto.
O porta-voz da DECO Proteste considera que o preço dos combustíveis vai estar sempre dependente da situação no Médio Oriente e que, por isso, aguarda para ver a forma como vão ser aplicadas as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro, como o aumento do desconto do ISP. Nuno Figueiredo diz ainda que numa altura em que o preço do cabaz alimentar voltou a subir, é muito difícil prever até quando vai continuar a aumentar.
O valor do cabaz alimentar em concreto, muitas das vezes sobe sem uma razão aparente. Sobe ou porque aumentaram-se combustíveis, ou porque houve um mau tempo que afetou campos agrícolas, ou sobe porque existe a escassez de matéria-prima. O cabaz é muito difícil fazer uma estimativa em relação ao que pode vir a acontecer, por uma razão muito simples: porque temos tido, praticamente, desde que começou o ano de 2026, apenas e só uma tendência de subida de preços.
O porta-voz da DECO Proteste, Nuno Figueiredo, em declarações à Rádio Observador, olhando para as medidas apresentadas pelo primeiro-ministro. Como dissemos, o Parlamento discute hoje o aumento do custo de vida. É um debate de urgência pedido pelo Partido Socialista, marcado para às 10h.
Um debate que deve ficar marcado pelas medidas anunciadas ontem pelo chefe do governo. O primeiro-ministro defende a política de contas certas seguida pelo governo.
Rejeita um regresso ao passado, lembra José Sócrates e avisa que quer evitar uma nova tragédia.
Lançar, neste momento, o país num leilão de medidas avulsas e descoordenadas, é abrir a porta a um tempo que não vamos deixar voltar a Portugal. Não troco mais cêntimos de desconto do ISP por mais impostos, por mais défice, por mais dívida que teríamos de pagar no futuro. Não troco a passagem do IVA de alguns alimentos de 6% para zero pelos 800 milhões de euros que estamos a devolver às famílias em sede do IRS e no suplemento das pensões.
O primeiro-ministro na comunicação ao país ontem à noite, depois de uma longa reunião de Conselho de Ministros.
Nas reações políticas, o secretário-geral do PS acusa o governo de falhar uma vez, mais aos trabalhadores.
Em entrevista ao "Não", José Luís Carneiro fala em medidas insuficientes face à realidade do país.
O doutor Luís Montenegro falhou mais uma vez a dois milhões de trabalhadores. Há dois milhões de trabalhadores que têm filhos, têm crianças, têm adolescentes, têm jovens e que estão fora destas medidas do IRS. Por quê? Porque já não têm rendimentos, sequer, para pagar IRS. O que significa que as medidas que hoje anunciou, devo dizer que tive a expectativa, não apenas porque hoje de manhã também sugeri, propus, recomendei ao governo, que estava reunido em Conselho de Ministros, que pudesse adotar medidas dessa natureza. E pensei que ao querer comunicar às 20h ao país, que pudesse trazer, de facto, medidas novas, mas fundamentalmente, falou para nada dizer.
José Luís Carneiro, que foi também questionado sobre a sondagem que coloca o PS à frente nas intenções de voto. O secretário-geral socialista rejeita euforias e deixa também uma garantia: não vai haver eleições em breve.
Carla, importa também percebermos o que pensam os portugueses sobre este aumento dos preços e sobre as medidas anunciadas ontem por Luís Montenegro.
E é por isso que vamos já em direto até ao mercado de Alvalade, em Lisboa. É lá que está o repórter David Bileu. David, o que dizem comerciantes e consumidores por aí?
Aqui no mercado de Alvalade, fomos conhecer a opinião das pessoas sobre este aumento generalizado do custo de vida. Ora, Sara Reis, uma das trabalhadoras aqui do mercado de Alvalade, diz que este aumento é bastante sentido aqui no mercado.
Sim, tem prejudicado. É normal, com os aumentos dos combustíveis, aumenta tudo. Então as pessoas acabam por ter um custo de vida mais caro e priorizar.
Sobre as medidas ontem anunciadas por Luís Montenegro, Sara Reis considera que não são suficientes e que as pessoas precisam de respostas imediatas.
Não acredito. Não acredito que isso faça, porque seria aplicado no fim do ano. Eu acho que as pessoas precisam de dinheiro todos os dias. Ou seja, talvez diminuir os combustíveis, porque através dos combustíveis as pessoas movem-se para todo lado. Acabam por ter mais dificuldade nesse sentido.
A opinião aqui de uma das trabalhadoras do mercado de Alvalade, no dia em que está agendado o debate para as 10h, de urgência, sobre este aumento do custo de vida, pedido pelo PS, Carla.
David Bileu, em direto do mercado de Alvalade, em Lisboa, com o debate no Parlamento, ainda no rescaldo do anúncio das medidas ontem por parte do primeiro-ministro.
São 08h07, Carla. Que outras notícias marcam esta manhã?
António Guterres Seguro e Marcelo Rebelo de Sousa estiveram ontem lado a lado na abertura da Festa do Livro, em Belém. O atual presidente da República manteve a iniciativa do antecessor, voltou a abrir as portas do Palácio à Cultura. Os dois recomendaram leitura, mas não se pronunciaram diretamente sobre a atualidade política. Na Rússia, começa hoje a votação para as eleições legislativas. O partido Rússia Unida, apoiante de Vladimir Putin, tenta conservar a maioria constitucional. A votação vai decorrer até domingo. O Torriense venceu o Lillestrøm, na Noruega, por 2-1. É a estreia na Liga Europa. A equipa da segunda divisão faz assim história ao vencer pela primeira vez um jogo numa competição europeia. Ainda no futebol, Jorge Jesus anuncia hoje a primeira convocatória enquanto selecionador nacional.