O projeto Redes na Escola: Dá o Salto!, desenvolvido pela InPulsar — Associação para o Desenvolvimento Comunitário, acompanhou 103 alunos nas escolas de Leiria no ano letivo 2025/26, com uma taxa de sucesso de 86,4%.

O coordenador, Emanuel Pestana, fez um balanço muito positivo e afirmou que nesse ano letivo se apostou num diagnóstico antecipado, uma das lacunas identificadas no ano anterior.

Das 210 sinalizações indicadas pelos serviços de psicologia das escolas, 103 alunos foram acompanhados ao longo do ano e 89 transitaram de ano: 62 alunos do 3.º ciclo, 32 do 2.º ciclo e nove do ensino secundário, explicou à agência Lusa Emanuel Pestana.

Depois das sinalizações das escolas, Emanuel Pestana explicou que é realizada uma triagem pela equipa do projeto, com base na matriz de risco estipulada, que assenta, sobretudo, numa trajetória de insucesso escolar, que pode estar ligada ao “absentismo, assiduidade e pontualidade, problemas de comportamento e o menor envolvimento parental”.

A validação final é feita em consonância com as escolas.

A tempestade Kristin, em 28 de janeiro, obrigou a trabalho extra da equipa, que desenvolveu “um trabalho junto das famílias, para perceber que tipo de apoio de primeira linha precisavam”, revelou, ao apontar ainda a dinamização no programa Abraços que Cuidam, desafio lançado pelo Município de Leiria – investidor social do projeto da InPulsar -, no âmbito da iniciativa Reerguer Leiria.

“Noventa por cento do nosso foco é um trabalho em contexto individual e este programa permitiu-nos ir a um contexto de turma, abrangendo 837 alunos” do concelho de Leiria.

Segundo Emanuel Pestana, a realidade com que contactaram foi muito díspar: houve alunos que mostraram “pena por não ter sido numa altura que os impedisse de ir à escola mais tempo”, mas em outros o impacto foi maior, com a questão dos danos nas casas e “de ficarem assustados ao ouvir o vento”.

O projeto desenvolveu ainda ações de formação dirigidas aos assistentes operacionais, de acordo com as necessidades de cada escola.

Depois das sinalizações das escolas, Emanuel Pestana explicou que é realizada uma triagem pela equipa do projeto, com base na matriz de risco estipulada.

Emanuel Pestana considerou que as atividades desenvolvidas nas pausas letivas foram outro aspeto positivo no Redes na Escola, pois permitiram “criar um contexto mais informal e uma maior relação com os alunos e as suas famílias, que é um papel importante do programa”.

O número de alunos para 2026/2027 ainda não está definido, mas deverá ser idêntico ao do ano anterior.

Alguns alunos mantêm o acompanhamento, enquanto outros tiveram “alta, com base na evidência dos resultados escolares”, nomeadamente “alunos que transitaram com zero ou uma negativa”.

Emanuel Pestana confessou que, para garantir a eficácia do projeto, a InPulsar não pode intervir num número elevado de alunos: “Não queremos que seja um projeto de números, mas de intervenção personalizada e centrada no próprio aluno, e isso envolve esforço e dedicação dos técnicos”.

Para este ano estão previstos dois novos programas dentro do Redes na Escola.

“Um será uma metodologia participativa que se chama ‘Photovoice’. O lema é a minha escola, valorizar, transformar e imaginar. Pretendemos chamar os alunos a serem os catalisadores da mudança, se entenderem que ela é necessária”, afirmou, ao explicar que o projeto passa por levar os alunos a refletir sobre algo através da fotografia.

Trampolim é o nome do outro programa, de “competências pessoais”, dirigido aos 7.º e 8.º anos, cujo objetivo principal é promover o envolvimento e a autorregulação na aprendizagem.

Este programa irá abordar o autoconhecimento, a organização, o planeamento e a autorregulação emocional, garantindo uma maior capacidade de decisão e de gestão das próprias emoções, promovendo uma maior autonomia por parte dos alunos.