A Câmara Municipal de Lisboa decidiu homenagear Pina Bausch (1940-2009), bailarina e coreógrafa alemã, figura revolucionária da dança, com uma rua na freguesia do Lumiar. Só que poucas horas depois de divulgar nas redes sociais a homenagem, o município liderado por Carlos Moedas foi alertado para o facto de ter designado a artista alemã como “dançarina”, em vez de “bailarina”.
“Que a Pina merece uma rua com o seu nome (no Lumiar!?) não duvido. Até um bairro, uma sala de espetáculos e/ou um prémio. O que não merece é ser chamada (e gravado na pedra) de “Dançarina”!”, escreveu Bruno Cochat, conhecido bailarino, coreógrafo, ex-coordenador dos Estúdios Victor Cordon, na publicação da autarquia no Facebook. “Eu sei que é confuso, em português, os bailarinos dançam e os dançarinos bailam mas, na dúvida, era só perguntar… Até dói!”. O atual assessor da direção da Escola de Música do Conservatório Nacional foi um dos muitos que criticaram a terminologia escolhida.
Esta quinta-feira, a CML acabaria por assumir o “lapso” com um comentário na mesma publicação. “Foi detetado um erro na designação constante da proposta aprovada em reunião de Câmara relativa à Rua Pina Bausch, que não correspondia à formulação previamente aprovada pela Comissão Municipal de Toponímia. Esse lapso refletiu-se na placa entretanto colocada. A Câmara Municipal de Lisboa assume o erro e procederá à sua correção com a maior brevidade, passando a constar “Bailarina e Coreógrafa”.”
Através de um comentário na publicação do Facebook da Câmara Municipal de Lisboa, a autarquia fez saber que vai corrigir o erro
As imagens da inauguração, esta segunda-feira, mostram, entre outros, o vereador da Cultura da CML, Diogo Moura, e Miguel Loureiro, diretor artístico do teatro municipal São Luiz, onde curiosamente também consta uma placa de homenagem a Pina Bausch. Nela lê-se: “Pina Bausch dançou Café Müller pela última vez em maio de 2008 no teatro São Luiz”.
Nascida em Solingen, na Alemanha, em 1940, Philippine Bausch, conhecida artisticamente como Pina Bausch, destacou-se como bailarina, coreógrafa e diretora da companhia Tanztheater Wuppertal. Morreu a 30 de junho de 2009.
A sua obra redefiniu os limites entre dança e teatro ao colocar as emoções, as relações humanas e as dinâmicas sociais no centro do movimento. Com essa abordagem revolucionária, Pina Bausch transformou a dança contemporânea e consolidou-se como uma das figuras mais influentes do século XX.
Ao longo da carreira, foram múltiplas as visitas de Pina Bausch a Portugal, tendo criado um relacionamento com instituições, artistas e programadores. Criou, entre dezenas de coreografias, “Masurca Fogo”, sobre Lisboa, a convite da organização da Expo98.