Há três semanas, Vila do Conde assistiu a um início de temporada que não podia ter corrido melhor para os amantes de futsal. Como habitual nas últimas décadas, Benfica e Sporting voltaram a medir forças na Supertaça, com os encarnados a partirem para a nova época na condição de bicampeões nacionais e vencedores da Taça de Portugal, frente aos leões. Ainda assim, foi a equipa de Nuno Dias que voltou a levar melhor, batendo o eterno rival no prolongamento, com dois golos no espaço de um minuto (2-3, a.p.). De lá para cá, Cassiano Klein demorou a engrenar depois de se ter reforçado com Anderson Fortes, Rúben Góis e Cléber Souza, empatando em casa do Portimonense, que voltou este ano ao Campeonato, na última semana (2-2). Por seu turno, a equipa de Alvalade, que tem como caras novas Erick Mendonça, Oleksandr Sukhov e Felipe Rufino, venceu os três seguintes, partindo para o dérbi do João Rocha na liderança isolada, com mais um jogo.
“Conhecemos o Benfica como eles nos conhecem a nós. Há poucas coisas a fazer para conseguir surpreender, mas há sempre margem. Todos os anos temos de alterar coisas e este é mais um em que, pelas análises que fazemos e pelos comportamentos que observamos, há margem para adaptar um ou outro movimento. Nem que seja um palmo à direita, nem que seja um centímetro à esquerda. Neste tipo de jogos, conseguir, de um momento para o outro, criar uma surpresa e, num ajuste, ganhar um metro, um centímetro ou meio segundo, faz toda a diferença. Os jogadores pensam exatamente da mesma forma. Apesar de conhecerem o adversário que têm pela frente, há sempre uma situação que pode surpreender”, assumiu Dias.
“Tivemos várias experiências contra eles, algumas agradáveis, outras nem tanto. Esperamos um jogo muito equilibrado. A nossa equipa tem de dar uma resposta. No último jogo não fomos consistentes. Iniciámos bem a partida, mas não conseguimos manter esse nível. Temos de voltar a ser o Benfica que nos trouxe até aqui, que nos permitiu conquistar títulos: uma equipa com um espírito muito forte e capaz de tomar boas decisões. E nada melhor do que um jogo desta dimensão para o demonstrarmos. É sempre um jogo diferente, com estratégias diferentes. Talvez quem assiste acredite que há muitas coisas semelhantes, mas as equipas estudam-se muito e procuram sempre criar dificuldades uma à outra”, disse Klein.
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— Sporting CP – Modalidades (@SCPModalidades) September 27, 2026
O dérbi arrancou com Bernardo Paçó, Tomás Paçó, Alex Merlim, Bruno Maior e Wesley França como apostas iniciais de Nuno Dias, ao passo que Cassiano Klein começou com Léo Gugiel, Arthur, Lúcio Rocha, Kutchy e Carlinhos Monteiro. Os leões entraram mais ofensivos e, depois das duas primeiras tentativas, inauguraram o marcador através da bola parada, com Merlim a cobrar um canto à maneira curta para Diogo Santos que, completamente sozinho, aproveitou a desatenção defensiva para atirar colocado para o golo (3′). Arthur ameaçou logo a seguir e, poucos segundos depois, as águias responderam na mesma moeda, com o brasileiro a assistir Silvestre Ferreira num pontapé lateral, que terminou com um remate forte, de baixo para cima, do internacional português (4′). Pouco depois, Paçó fez as primeiras intervenções, para travar o remate de Lúcio e a recarga de Diogo Almeida (7′).
Com o Sporting a rodar o pivot entre Rocha e Felipe Rufino e o Benfica a jogar em 4×0, por conta de ter apenas Eduardo Tchuda na ficha de jogo, o jogo continuou eletrizante e Wesley quase fez nova diferença, num lance em que trabalhou bem em zona central, mas o remate cruzado saiu para fora (10′). Pouco depois, o campeão da Europa voltou a trabalhar bem na área encarnada mas, com a baliza completamente escancarada, Rocha atirou por cima (11′). Contudo, um corte com o braço de Silvestre dentro da área originou nova oportunidade clamorosa para Bruno Pinto, que atirou à barra da baliza então ocupada por André Correia (12′). Já na parte final dos primeiros 20 minutos, Rúben Teixeira apareceu isolado, mas perdeu o duelo com Gugiel (19′).
Depois do intervalo, o Benfica voltou com tudo e, depois de tabelar com Carlinhos, Cléber Souza isolou-se e atirou colocado para uma grande defesa de Bernardo Paçó (21′). O ala brasileiro continuou a desequilibrar e, no lance seguinte, atirou ao poste (23′) e, na resposta, Bruno Pinto falhou novo desvio em cima da baliza (24′). Os papéis inverteram-se e, depois de Léo Gugiel ter subido para rematar de longe, Eduardo Tchuda também falhou com a baliza à sua mercê (25′). Com o jogo totalmente em aberto e intenso, os bicampeões nacionais viraram o resultado numa jogada de contra-ataque em que Paçó estava fora da baliza, com Arthur a conduzir pelo meio e a tocar para a direita, onde Kutchy desferiu um remate cruzado para o golo (26′). Os leões voltaram à carga e, depois de uma intervenção de Gugiel, Lúcio Rocha travou o remate de Wesley França com um corte no solo (26′).
Adivinhava-se novo empate e o 2-2 acabou por aparecer em novo lance de bola parada, com Alex Merlim a cruzar para o centro da área, onde Carlinhos apareceu a desviar com o corpo para a sua própria baliza (28′). Wesley continuou a criar perigo com os remates de meia-distância e, depois de Léo lhe ter negado o golo com a perna esquerda, o brasileiro ganhou a bola a Afonso Jesus a meio-campo, conduziu pela direita e, com um grande remate junto à linha, voltou a colocar o Sporting na frente do marcador (30′). Pouco depois, Cléber perdeu a bola em zona proibida, mas André Correia evidenciou-se para travar os remates de Tomás Paçó e Merlim (33′). Na resposta, Kutchy arrancou pela esquerda, passou por Bruno Pinto e, junto à linha de fundo, tirou o cruzamento para o desvio certeiro de Cléber (33′).
Já dentro dos últimos cinco minutos, Rocha fez uma falta sem bola sobre Raúl Moreira e foi expulso por ter visto o segundo amarelo, deixando o Sporting com um elemento a menos na fase decisiva (36′). No 5×4, Cassiano Klein chegou a pedir a sua pausa técnica para preparar a equipa, mas os leões acabaram por resistir e voltaram a procurar a vantagem no resto do jogo, mas quem voltou a criar perigo foram as águias, com Carlinhos a cabecear à barra (40′). Na resposta, Merlim arrancou pelo meio e desferiu um remate rasteiro que passou perto do poste, naquela que foi a última oportunidade do dérbi que deixou tudo na mesma (3-3).