Depois de toda a agitação pela falta de resultados, um terceiro lugar no Campeonato com respetiva ausência da Liga dos Campeões e a novela sai-não sai-sai-não sai de José Mourinho, a Assembleia Geral do Benfica no final de junho acabou por ser o último momento em que se sentiu uma maior agitação institucional na Luz. Houve aquele mea culpa de Rui Costa depois da oficialização de Marco Silva, um arranque antecipado de temporada oficial com a segunda pré-eliminatória da Liga Europa e uma série de vitórias agora quebrada no Dragão mas que nem por isso pareceu esvaziar o balão de esperança numa época de sucesso. Tudo ficou esvaziado – mas por esvaziado, entenda-se, não significa que a atualidade do clube deixe de ser pensada.
Foi nesse sentido que nasceu o UNUM, movimento descrito como “a casa das ideias benfiquistas” que na sua génese juntou 32 associados de vários quadrantes da sociedade e até do clube num “projeto independente, plural e aberto que reúne conhecimento e experiência para estudar os grandes temas do clube e transformar reflexão em propostas concretas para o futuro”. “O UNUM apresenta-se publicamente como uma casa de ideias benfiquista, criada para reunir conhecimento, experiência e diferentes perspetivas em torno de um propósito comum: contribuir para um Benfica mais forte e mais vencedor”, destacou o grupo na sua primeira comunicação “oficial”, justificando o nome com a ideia do E Pluribus Unum: “de muitos, um”.
“O projeto parte de uma convicção simples: existe entre os benfiquistas um enorme património de conhecimento e experiência que pode ser melhor colocado ao serviço do clube. O UNUM pretende criar um espaço permanente para estudar os grandes temas do Benfica com profundidade, ouvir quem sobre eles tem conhecimento, promover uma discussão aberta e transformar essa reflexão em propostas concretas”, aponta. “Assenta em quatro princípios: compromisso, independência, pluralidade e consequência. Compromisso porque o Benfica é o ponto de partida e o critério final. Independência para pensar o clube com autonomia e sentido crítico. Pluralidade para reunir gerações, percursos, opiniões e sensibilidades diferentes. Consequência para transformar estudo, análise, dados e contributos em propostas úteis”, acrescenta.
Entre os 32 membros do grupo fundador, “provenientes de áreas como desporto, gestão, economia, direito, tecnologia, saúde, comunicação, cultura e vida pública e que tem um núcleo inicial que reúne diferentes gerações e percursos, incluindo antigos dirigentes e profissionais do Benfica, empresários, gestores, académicos, antigos responsáveis governativos e especialistas de diferentes áreas”, entram nomes como Adalberto Campos Fernandes, António Mexia, Hernâni Loureiro, Carlos Lobo, Paula Lobo Antunes, Jorge Loureiro ou Pedro Pimpão, entre outros, além de figuras mais mediáticas pela associação ao clube como António Simões, João Gabriel, Vasco Mendonça, Francisco Benítez, Luís Mendes ou Mauro Xavier. Ou seja, elementos que participaram de forma direta ou indireta em diferentes listas nos últimos atos eleitorais.
“O Benfica de Todos será o espaço onde o UNUM vive, partilha o seu trabalho e abre a casa de ideias benfiquista à participação dos benfiquistas. Os documentos, propostas e contributos ficarão aí disponíveis para consulta e discussão. Os trabalhos produzidos serão apresentados publicamente e enriquecidos através da participação dos benfiquistas. A Direção e os restantes Órgãos Sociais do Benfica serão convidados a acompanhar as iniciativas, conhecer os resultados e discutir as propostas. O UNUM não pretende substituir nem condicionar quem tem a responsabilidade de decidir. Estuda, ouve e propõe; os órgãos eleitos conhecem, avaliam e decidem. Os sócios estarão no centro deste processo, mas a participação estará aberta aos benfiquistas que queiram colocar conhecimento, experiência e tempo ao clube”, ressalva.
O grupo apresentou também os nove grandes eixos de ação: relações institucionais; Benfica mais forte financeiramente, novas fontes de receita e inovação; associativismo e democracia interna; modalidades e Projeto Olímpico; modelo desportivo do futebol; Casas, diáspora e comunidades; modernização das infraestruturas; e comunicação e marketing. “Cada eixo dará origem a encontros temáticos com sócios, especialistas e benfiquistas com conhecimento relevante, bem como a documentos de trabalho dedicados aos respetivos temas”, acrescenta ainda o mesmo documento que deu conta da criação do grupo encarnado.
“Do Benfica nunca quis nem quero nada, a não ser contribuir e pensar o seu futuro. Passei uma parte enorme da minha vida neste clube e continuo a acreditar que todos temos alguma coisa para lhe devolver. No Benfica podemos pensar de maneira diferente sem deixarmos de querer a mesma coisa: um Benfica cada vez maior e melhor”, salientou António Simões, um dos 32 fundadores. “O UNUM nasce para criar um espaço permanente onde diferentes experiências e competências possam ser colocadas ao serviço do Benfica. Sabendo que, enquanto maior instituição do futebol português, o Benfica tem uma responsabilidade que vai para além de si próprio: contribuir para pensar, debater e desafiar o futuro do futebol em Portugal. Queremos estudar os temas com profundidade, ouvir, discutir e transformar essa reflexão em propostas concretas. Não para substituir quem decide, mas para contribuir para que as decisões possam ser cada vez mais informadas e preparadas”, acrescentou António Mexia, antigo ministro e ex-CEO da EDP e da Galp.
“Queremos que o UNUM seja também uma forma diferente de participação: aberta a novas ideias, a novas competências e a diferentes gerações de benfiquistas. Um espaço capaz de combinar a história e a identidade do Clube com conhecimento, inovação e uma visão de futuro”, rematou Vanda de Jesus, co-CEO do Doutor Finanças que faz também parte da lista de 32 membros fundadores do UNUM.