O construtor de violinos francês Christian Bayon, que desde 1990 tinha uma oficina em Lisboa, morreu aos 70 anos, anunciou esta terça-feira a família através das suas redes sociais.
Nascido em Paris em 1955, Christian Bayon começou a construir violinos aos 21 anos. Três anos depois, ganhou o prémio de excelência “Bourse de la Vocation”, e juntou-se à equipa do “luthier” Jean Schmitt (1937-2012), em Lyon, trabalhando simultaneamente com o acústico francês Émile Leipp (1913-1986), de acordo com a biografia patente no seu site.
Quando ainda estava na Marinha, onde se alistou aos 16 anos, começou a dedicar-se à construção de instrumentos de cordas.
Em 1982, Christian Bayon tornou-se assistente de Etienne Vatelot (1925-2013) e, em 1990, fixou-se em Lisboa, na Rua Boja. Desde 2021 vivia entre Lisboa e Amesterdão, onde abriu uma segunda oficina.
Bayon tornou-se uma referência no restauro de cordofones, tendo trabalhado com reconhecidos músicos, como Maxim Vengerov, Augustin Dumay, Gérard Caussé ou Adrian Brendel.
A partir de 2003, Bayon usou a sua experiência com antigos instrumentos para construir novos cordofones, nomeadamente cópias de violinos e violoncelos italianos do século XVIII.
Entre os músicos que tocaram instrumentos seus citem-se Alina Pogotskina, Isabelle van Keulen, Augustin Dumay, Pavel Gomziakov, Tatiana Samouil e Liana Gourdja.
Durante oito anos foi “luthier” do Festival de Música de Câmara de Stavanger, na Noruega, a convite do seu diretor, o violoncelista Truls Mork.
Desde 1997, Bayon era membro da Sociedade Internacional de Mestres Luthiers.
Em comunicado, a família anuncia que no próximo domingo, às 11h30, é realizado um tributo em sua memória, no edifício Saudade, na Rua Rio Zêzere, em Carnide, em Lisboa.
“Se quiser prestar-lhe homenagem, seja de onde for, pode fazê-lo à sua maneira, tocando uma peça de música, que representou algo que ele amava, ou simplesmente apreciando a beleza que a vida tem para oferecer, como ele fez até ao fim”, afirmam os familiares.