Uma obra de Vincent van Gogh pintada apenas dois meses antes da sua morte vai ser leiloada pela Sotheby’s, em Nova Iorque, com um valor estimado de 180 milhões de dólares (cerca de 154 milhões de euros). A pintura, que esteve mais de 50 anos numa coleção privada argentina, foi esta quarta-feira apresentada ao público pela primeira vez.
Châtaigniers en fleurs (Castanheiros em flor, em português) foi pintada em maio de 1890, pouco depois de van Gogh chegar a Auvers-sur-Oise, uma pequena localidade francesa onde o artista viveu os últimos meses da sua vida. Van Gogh morreu poucas semanas depois, em julho de 1890.
A obra faz parte da coleção da argentina Nelly Arrieta de Blaquier, que morreu em 2020. Mantida durante décadas longe do público, a coleção reúne 12 importantes obras impressionistas e modernas e deverá ser vendida por mais de 450 milhões de dólares (cerca de 385 milhões de euros) no total.
Philip Hook, antigo diretor de arte impressionista e moderna da Sotheby’s e especialista do programa britânico Antiques Roadshow, descreveu a abertura da coleção a compradores como um “momento histórico“. “Durante décadas, a coleção Blaquier-Arrieta foi matéria de lenda. Falava-se dela em surdina, era mantida longe do olhar do público e alcançou um estatuto quase mítico no mundo da arte”, afirmou, citado pelo The Guardian.
“Era uma das últimas grandes coleções privadas de arte impressionista e pós-impressionista, formada numa altura em que ainda era possível adquirir obras importantes dos grandes nomes”, acrescentou.
Entre as obras que vão a leilão está também Harlequin, de Paul Cézanne, pintada no final do século XIX e avaliada em 150 milhões de dólares (cerca de 128 milhões de euros). A coleção inclui ainda trabalhos de Camille Pissarro, Pierre-Auguste Renoir, Edgar Degas, Claude Monet, Paul Gauguin, Alfred Sisley, André Derain, Henri de Toulouse-Lautrec e Maurice de Vlaminck.
As 12 pinturas foram colocadas em exposição na Sotheby’s, em Londres, esta quarta-feira, onde estarão durante dois dias. Depois, seguem para Taipei, Hong Kong e Paris, antes do leilão marcado para 18 de novembro, em Nova Iorque.
Van Gogh pintou pelo menos quatro obras importantes com castanheiros durante a sua passagem por Auvers-sur-Oise, numa fase descrita como de energia e otimismo, depois de ter deixado o hospital psiquiátrico de Saint-Rémy-de-Provence. Após a sua morte, Châtaigniers en fleurs passou para o irmão, Theo.
Atualmente, é uma das apenas oito obras que van Gogh pintou em Auvers-sur-Oise que continuam em mãos privadas. Simon Shaw, consultor sénior de arte da Sotheby’s, comparou a coleção a “um pequeno museu: um Musée d’Orsay em miniatura, que agora abre as suas portas pela primeira vez”.
[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]