O PS de Sintra denunciou esta quarta-feira que uma moção do PSD, Chega, IL e PAN, a ser votada na assembleia municipal, exige a entrega do Hospital Fernando Fonseca e do novo Hospital de Sintra a “interesses privados”.
A proposta, segundo a Concelhia de Sintra do Partido Socialista, “é o culminar de uma estratégia intencional de degradação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) promovida pela governação nacional da AD [Aliança Democrática], desenhada especificamente para justificar o negócio da privatização da saúde”.
Em causa está uma moção, que será debatida esta quarta-feira na Assembleia Municipal de Sintra, do PSD, Chega, Iniciativa Liberal e PAN a exortar a câmara para diligenciar junto da ministra da Saúde que seja estudada “a transição da gestão” do Hospital Fernando Fonseca e do Hospital de Sintra “para o regime de parceria público-privada [PPP]”.
O PS, na nota, salientou que o Hospital de Sintra foi construído “com um investimento superior a 60 milhões de euros saídos diretamente dos impostos dos munícipes”.
“Entregar uma infraestrutura municipal desta dimensão, paga pelos sintrenses, à gestão privada de um consórcio é um insulto à população e um atentado ao princípio constitucional de uma saúde pública, universal e gratuita”, considerou.
Os socialistas, asseguraram, não pactuarão “com este frete ideológico que visa transformar os doentes em clientes e os hospitais públicos em fatias de negócio”, acrescentando que “a dita ‘eficiência’ brandida pela direita é a velha narrativa para desmantelar o Estado Social”.
“Seja na educação, onde o caos que se tem instalado tem um objetivo de fundo, que é acabar com a escola pública, ou pelo menos diminuí-la, na saúde temos visto ao longo destes três anos, em termos de governação central, quanto pior, para eles, melhor, para levar à privatização”, afirmou à Lusa o presidente da concelhia, Carlos Vieira.
Para Vieira, não tem existido “qualquer tipo de interesse em colocar o Hospital de Proximidade de Sintra a funcionar” de acordo com as suas capacidades, para aliviar o Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), “com um objetivo específico” de entregar a gestão a privados.
Na nota, a concelhia do PS referiu que a moção “rasga qualquer máscara de moderação e expõe uma profunda gravidade política” de Sintra constituir “o embrião da coligação PSD/Chega”, se ainda restavam dúvidas da submissão social-democrata “face ao populismo”.
Os socialistas apontaram o “espetáculo de incoerência vergonhosa”, quando os liberais retiraram a confiança política à sua vereadora em Sintra, sob “o pretexto de recusar alianças com o Chega” e, agora, juntam “a sua bancada à extrema-direita para assinar este ataque ao SNS”.
“É inacreditável e lamentável ver o PAN abdicar de qualquer identidade para se converter em satélite da direita e do populismo”, criticaram ainda.
Na moção, que deve ser aprovada na assembleia municipal, apesar da oposição do PS, Livre e PCP, refere-se que, em dezembro de 2025, a assembleia municipal aprovou uma recomendação para a câmara interceder junto do Governo para estudo da “transição da gestão” do Hospital Fernando Fonseca e do Hospital de Sintra para “um regime” de PPP.
O hospital Amadora-Sintra, nota-se, “continua a enfrentar, sem sinais de resolução, constrangimentos estruturais graves — sobrelotação, carência de recursos humanos, dificuldades na manutenção de equipamentos e insuficiência de investimento — que comprometem diariamente o acesso” a “cuidados de saúde dignos e atempados”.
Já o Hospital de Sintra, “continua longe de operar na totalidade das suas potencialidades, situação que só uma gestão mais eficiente e flexível — como a que pode ser assegurada por uma PPP — permitirá superar, sem prejuízo do caráter público e universal do SNS”.
A líder da bancada do PSD na assembleia municipal, Helena Coelho, contrapôs que “um insulto” aos sintrenses “é a maneira como o Hospital Fernando Fonseca está a funcionar”, desde que a PPP cessou, pois “goste-se ou não, são até agora a forma mais eficaz de gerir as unidades hospitalares do sistema nacional de saúde”.
“Enquanto bancadas, cabe-nos pugnar pelo melhor funcionamento possível do hospital e parece-nos que passa por uma eventual PPP”, reforçou a deputada municipal, recusando que se trate de uma moção da direita, “porque o PAN não é um partido da direita” e “também a subscreve”.
O município de Sintra investiu cerca de 64 milhões de euros na construção do novo hospital, a funcionar apenas com urgência básica, em articulação com o Fernando Fonseca, e a administração central gastou 17 milhões em equipamentos e mobiliário.