Joana Rosa, ex-ministra da Justiça de Cabo Verde, pediu esta quinta-feira que seja avaliada pela competência e não apenas por ser a primeira mulher no boletim de voto de eleições presidenciais do país.

“É a primeira vez que uma mulher se candidata a Presidente da República, mas, sobretudo, os cabo-verdianos devem valorizar a competência, a capacidade da candidata de fazer melhor”, referiu aos jornalistas, à margem da cerimónia de apresentação pública da candidatura às eleições de 15 de novembro, no anfiteatro da Assembleia Nacional, na capital, Praia.

“Quero ter vantagem por ser mulher, mas também por ter uma plataforma diferente, de querer um exercício da presidência diferente”, disse.

Para fazer a diferença, propõe ser “uma presidente de proximidade”.

“Abrimos um período de audição para construir esta identidade de proximidade, para efetivar os desejos dos cabo-verdianos”, referiu, porque apesar de uma presidente não governar, pode “fazer pontes” e através da magistratura de influência promover “diálogo entre poderes e sociedade civil”.

Durante a sua intervenção referiu que, por exemplo, deve ser sensível aos efeitos junto da população do aumento de combustíveis, como o que está a ser provocado pela conjuntura internacional.

Num contexto geopolítico mundial conturbado, disse estar “à altura” de enfrentar os “novos desafios, guerras, instabilidade” por ter “um percurso de construção de diálogo”, capaz de contribuir para a “voz ativa de Cabo Verde na arena internacional”.

Ao nível interno, a candidata propôs a criação de um fórum para debate dos problemas da juventude.

Joana Rosa, 61 anos, anunciou a candidatura em junho, depois de ter exercido durante cinco anos o cargo de ministra da Justiça no governo do Movimento para a Democracia (MpD).

O partido, derrotado nas eleições legislativas de maio, passando a liderar a oposição cabo-verdiana, anunciou em agosto que a apoia na corrida presidencial.

A antiga governante foi deputada na Assembleia Nacional durante cerca de 20 anos e exerceu dois mandatos como presidente da Assembleia Municipal da ilha do Maio.

O atual Presidente da República, José Maria Neves, foi eleito em 2021 para um mandato de cinco anos e recandidata-se a um segundo mandato com o apoio do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), no poder.

Há ainda outros quatro candidatos às eleições de 15 de novembro: Gilson Alves (médico), Casimiro Pina (jurista), Antero Tavares (juiz) e Loisito Sousa (docente).